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'The Crown' visita os corredores do castelo de Elizabeth 2ª

Orçada em US$ 10 milhões por episódio, série entra no ar na próxima sexta-feira (4) com cenários e figurinos luxuosos e um toque de drama à la 'Downton Abbey'

Mariane Morisawa,   ESPECIAL PARA O ESTADO  LOS ANGELES

30 Outubro 2016 | 16h00

Qual a série mais cara de todos os tempos, The Get Down, de Baz Luhrmann, ou The Crown, de Peter Morgan? Seja qual for a resposta, ambas estão na mesma plataforma, a Netflix, que acabou de anunciar que vai investir US$ 6 bilhões em conteúdo no próximo ano. The Crown, com orçamento estimado em US$ 10 milhões por episódio (mais ou menos o mesmo de Game of Thrones), entra no ar na próxima sexta-feira (4) com cenários e figurinos luxuosos e um toque de drama à la Downton Abbey, ao mostrar os bastidores do reinado de Elizabeth 2a (interpretada por Claire Foy). 

Morgan concorreu ao Oscar de roteiro original por A Rainha (2006), de Stephen Frears, que investigava as reações de Elizabeth 2a (Helen Mirren, que ganhou a estatueta por sua performance) à morte de Diana. Mas a ideia para The Crown surgiu mesmo quando ele fez a peça The Audience, também estrelada por Mirren, que imaginava os encontros semanais da Rainha com seus primeiros-ministros, de Winston Churchill a David Cameron. 

A série começa antes da coroação, quando Elizabeth casa-se com Philip (Matt Smith). Seu plano era viver ao lado do marido e dos filhos por vários anos antes de assumir o trono, mas seu pai, George 6º (Jared Harris), morre em 1952, quando ela tem 25 anos. The Crown expõe o impacto da morte de George 6º e da coroação de Elizabeth na vida de todos: do Príncipe Philip, que precisa deixar sua carreira de lado, da Princesa Margaret (Vanessa Kirby), a irmã da Rainha, que perde sua irmã para a Coroa, do país e dela própria. “Ela está tentando entender qual o seu trabalho ao mesmo tempo em que chora pela morte do pai”, disse Foy. Para Jared Harris, é uma situação delicada. “Por 64 anos, Elizabeth tem recebido informações de tudo. Ela é a pessoa mais informada do planeta. E conhecimento é poder”, afirmou. “Ela tem influência, mas não pode ser vista exercendo. É uma situação fascinante.

Ninguém conta qual é o trabalho, mas, se ela cometer um erro... E essa era uma preocupação de George 5º e George 6º, porque as monarquias estavam sendo derrubadas no mundo inteiro por causa da Revolução Russa. Esse medo foi passado para Elizabeth 2a. Porque o debate continua sobre a função da monarquia.” A ideia é que cada temporada cubra cerca de dez anos do reinado de Elizabeth 2a, o que chegaria até o imbróglio atual em que o Reino Unido se meteu com o “Brexit”, o plebiscito que decidiu pela saída da União Europeia. Não se sabe como a Rainha teria votado, se pudesse. “Estamos falando de alguém que desistiu de sua própria vida e aceitou essa responsabilidade”, disse Morgan.

Apesar de toda a pesquisa feita por Peter Morgan e pelos atores, no fim das contas, é um exercício de imaginação, porque ninguém sabe muito sobre a vida da família real atrás das cortinas. Foi isso que deu liberdade para John Lithgow, que ficou preocupado em fazer uma figura histórica do porte de Churchill, ainda mais sendo americano e nada parecido fisicamente com o primeiro-ministro. “No fim, ninguém conhece o verdadeiro Churchill”, contou. “É uma questão de a série ser interessante o suficiente para que o espectador aceite que aquele é o Churchill da história que está vendo e se esqueça do Churchill verdadeiro.”

Para Jared Harris, a série humaniza a família real: “É fascinante perceber que do lado de lá há um drama com o qual podemos nos relacionar porque espelha os problemas que temos em nossas próprias vidas em termos de escolhas e dificuldades. Nem os romances são contos de fadas”. 

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