João Cotta/TV Globo
João Cotta/TV Globo

'Temos de incentivar a arte e não apedrejar quem a faz', diz Adnet, que volta com o 'Adnight Show'

A 2.ª temporada da atração estreia na quinta, 26, na TV Globo

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 06h02

O programa agora se chama Adnight Show. E, em vez de um só convidado a cada episódio, o apresentador Marcelo Adnet passa a receber mais artistas nas noites de quinta-feira, interagindo com ele no palco e também participando de esquetes gravados no próprio Projac.

Ainda no pacote de novidades desta 2.ª temporada da atração, que estreia na quinta, 26, na Globo (já está disponível no Globo Play), a bancada para a entrevista foi dispensada. Assim, o apresentador e seus convidados ficam mais livres, em pé, durante a conversa.

“Embora não tenha bancada, a gente ainda tem as dinâmicas com os convidados. Temos os esquetes gravados convivendo com os números de palco. A gente não está fazendo talk-show, mas a dinâmica acontece no palco”, conta Marcelo Adnet, em entrevista ao Estado, por telefone. 

“Os convidados trabalham com a gente durante dois dias: um para gravar os esquetes e o segundo dia no palco. No palco, é mais imprevisível, a gente brinca, faço perguntas, muitas delas crio na hora, tem número musical, tem interação com a plateia, que está mais presente. E, nos dias dos esquetes, os atores se empenham apenas na gravação dessas cenas. O produto final é a combinação das duas coisas”, completa. 

A ideia, segundo ele, é mostrar o lado menos conhecido e mais curioso deles, em meio a conversas, improvisos e brincadeiras. Participam desta nova temporada nomes como Carolina Dieckmann, Malvino Salvador, Anitta, Ludmila, Joelma, Luciano Huck, Fernanda Gentil, Adriane Galisteu, Karol Conka, entre tantos outros.

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Adnet descobriu, por exemplo, que Carol Dieckmann tocava ukulele e ele, por acaso, tinha o instrumento no seu camarim. “Às vezes, levo (o ukulele) comigo, é bem pequenininho”, explica ele. “Karol Conka fez esquete de telemarketing. Ela já trabalhou nisso e foi demitida, porque ajudava muito as pessoas.” 

Além de apresentador e responsável pela redação final, ao lado de Elbio Valente, Adnet retorna ao programa acumulando novas funções: interpreta diferentes personagens e atua em esquetes. E a substituição do nome Adnight por Adnight Show marca essas reformulações. “Com Adnight, era a primeira vez que eu estava fazendo um programa como apresentador, com plateia. Então, no ano passado, tive essa experiência supernova que eu nunca tinha exatamente planejado, e, depois de toda a experiência que tivemos na primeira temporada, fizemos ajustes para ficar melhor, para avançar”, explica.

“Sempre tive essa característica de estar mudando, por isso, não faria sentido fazer o mesmo programa, a mesma coisa que foi feita no ano passado. Assim, a gente fez alguns ajustes para este ano.”

Na primeira temporada, o programa não alcançou a audiência esperada, e chegou a receber críticas. Isso, de alguma forma, influenciou nas mudanças desta nova temporada? “Não, acho que crítica é sempre muito bem-vinda. Mas, se fosse ouvir todas elas, eu pararia de trabalhar”, responde Adnet.

“O que a gente fez são mudanças naturais de percurso. Você tem as críticas e, por outro lado, tem os elogios também, e nenhum dos dois pode guiar nossas decisões. É quase um alívio não ser unanimidade, acho que ela é algo quase preocupante. Então, acho natural que haja crítica.” 

Apesar das reformulações, o humor ainda dá o tom à atração. Com direção-geral de Emerson Muzeli e direção de Fernanda Telles, a nova temporada, com 8 episódios, será mais curta do que a anterior. Segundo Adnet, por uma questão de grade de programação e por ele estar emendando três programas em um semestre. “Tem Escolinha do Professor Raimundo, Tá no Ar e Adnight Show, e ainda escrevo o Tá no Ar e o Adnight Show como redator final. A Globo me fez uma gentileza muito carinhosa de não encavalar nenhum dia de gravação. Então, quando eu encerrar o Adnight na semana que vem, começam as gravações, para mim, de Tá No Ar”, conta Adnet, que já gravou a nova temporada da Escolinha, em que interpreta o personagem Rolando Lero, antes de se dedicar ao Adnight Show.

As gravações do Tá no Ar se estendem até janeiro. Mas, nesse meio tempo, Adnet e equipe vão a Nova York participar da cerimônia do Emmy, em novembro – na premiação, Tá no Ar concorre na categoria melhor comédia. A nova temporada do bem-sucedido humorístico estreia no início de 2018. 

Censura.

Adnet, que há anos enfrenta o patrulhamento no humor, comenta, a pedido do Estado, a onda de censura nas artes, o que motivou a classe artística a criar a campanha #342Artes. Como vê esse movimento conservador atual? “Acho que estamos vivendo um momento muito confuso, muito atrapalhado, de muita crise, e de muita incerteza. A gente não sabe onde isso vai parar, o que será no ano que vem, e isso contamina a gente de cima para baixo. As coisas acontecem lá em Brasília, e vão descendo e pegando a população inteira. Isso invade nossas vidas, nossos trabalhos, porque hoje, se eu faço um quadro de humor, as pessoas me xingam ou de fascista, ou de comunista, que é um desespero de rotular você de alguma maneira”, pondera Adnet. 

“E, no meio dessa confusão toda, existe uma confusão maior ainda, porque o povo, desesperançoso, começa a se atacar. O que a classe artística tem a ver com a crise que o Brasil está atravessando? Nada. A classe artística está trabalhando. A gente fica até com medo de falar, de opinar, porque a gente tem medo de ser agredido pela nossa opinião. Mas acho que o momento é tão grave que a gente tem que se expressar, tem que opinar, porque se abster agora é algo nocivo, ruim. Então, esse ataque à classe artística é uma coisa totalmente despropositada, não tem nenhuma razão para isso. A arte não está causando uma crise no Brasil, a arte não faz mal. Temos de incentivar a arte e não apedrejar quem faz arte.”

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