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Jô Soares

Talk-show de Marcelo Adnet deve substituir programa do Jô em 2017

Apresentador deve homenagear alguns de seus entrevistados na última temporada

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Cristina Padiglione

23 Fevereiro 2016 | 05h00

Jô Soares gostaria de reservar para o primeiro programa de 2016, em 28 de março, na volta das férias, a notícia de que este será seu último ano à frente do mais tradicional talk-show da TV brasileira - de 1988, quando estreou no SBT, até o fim de 2016, serão 28 anos no ar. Mas a informação, mencionada em reunião na Globo, na última quinta-feira, 18, vazou. Em comum acordo com a direção da emissora, Jô fecha o ciclo do programa em dezembro, dando lugar a outras possibilidades no horário.

Embora um comunicado oficial da emissora faça questão de observar que o talk-show com Marcelo Adnet, previsto para estrear ainda neste semestre, não irá ao ar no horário do Jô, o programa de Adnet é, sim, um ensaio para se testar a receptividade de um novo formato, com um novo talento da casa. Se for bem-aceito, o talk-show de Adnet bem pode ocupar a vaga de Jô em 2017. 

Em conversa com o Estado por telefone, ontem, o próprio Jô fala nos talk-shows atuais como programas que priorizam mais o espetáculo que a entrevista. E é nesse contexto que a direção da Globo planeja inovar o modelo, com algo que se aproxime mais de Jimmy Fallon que de Johnny Carson, referência do gênero, sempre citado por Jô. “Johnny Carson ficou 30 anos no ar. Eu queria ficar 30 anos, mas não vai dar”, afirmou. O apresentador disse que quer aproveitar a última temporada para homenagear alguns de seus entrevistados, e lá se vão quase 15 mil entrevistas no histórico do talk-show.

Como foi amadurecida a decisão de acabar com o programa, no fim do ano?

Não, não foi no fim do ano passado. Quando renovei o contrato, há dois anos, falei: ‘vamos renovar por dois anos’, e ali a gente já achava que esse seria o tempo que tínhamos de programa. Estamos no ar há 28 anos, entre as duas emissoras, aí talvez seja um bom momento para terminar, terminar no alto, com gás e tudo. A decisão já tinha sido tomada desde a renovação do contrato. Agora, o que eu pretendo fazer? Assim como a Globo não pretende parar, eu também não pretendo parar. Quero homenagear várias pessoas, são quase 15 mil entrevistas. Quero fazer alguns programas de homenagem, ainda não sei como, só vou saber nas primeiras reuniões, em março, quando a gente começar a falar do programa.

Você pretende ter um espaço para “melhores momentos”?

Não sei ainda como vai ser, não tem nada conversado, estamos em férias ainda. O que me enlouquece são pessoas que querem que eu diga, a pulso, o que não existe. Fui jornalista da redação do Última Hora, sei como é isso, de querer a notícia a qualquer custo, na hora, só que não tem.

O programa terá a mesma duração do ano passado?

Acho que é o mesmo esquema do ano passado, tudo o que eu já fiz. A não ser o fato de que, no fim do ano, esse programa, depois de 28 anos, acaba. O Johnny Carson ficou 30 anos, eu queria ficar 30 anos, mas não vai dar.

Mas não vai dar por quê? É uma decisão sua?

É uma decisão de lado a lado, e depois, a gula é um pecado (risos).

Quer dizer que já ficou tempo suficiente no ar, está bom assim?

É. Está muito bom assim.

Se for o caso de homenagear esses convidados com imagens de entrevistas do SBT, acha que eles vão ceder o material?

O SBT sempre foi muito legal comigo nesse sentido. Sempre que precisamos, eles cederam imagens e a minha relação com o Silvio (Santos) é ótima. Aliás, eu faço esse programa graças ao Silvio…

...que abriu espaço para você fazer um talk-show...

Exatamente. E eu queria fazer um programa semanal e ele me disse: “não, esse programa só existe se for diário”.

Você disse que não vai parar. Já sabe o que vai fazer em 2017?

Não, o que tenho são coisas que sempre fiz: continuo dirigindo peças, escrevendo livros, fazendo outras coisas.

Já pode adiantar qual será o próximo livro?

Não, não, está em gestação, continuo escrevendo.

Tem já alguma coisa em andamento para outros canais da Globo, na TV paga, ou tem ideia de fazer algo na própria Globo?

Ninguém sabe nada ainda.

Você apostaria em algum substituto para sua vaga na Globo?

Tem várias pessoas que podem fazer brilhantemente um talk-show. Não tenho coragem ou competência para sugerir ninguém. Tem ali um monte de talentos. Nem sei se a Globo pretende continuar a fazer talk-show. E o talk-show tem hoje programas que mudaram inteiramente a maneira de fazer.

Você tem visto formatos de fora, costuma assistir a algum?

Às vezes, vejo. O Jimmy Fallon é um comediante talentosíssimo, mas o programa ali é muito mais um espetáculo do que um programa de entrevistas.

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