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James Dittiger | DIV

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Série ‘UnREAL’, discute a fantasia que acompanha alguém em busca do par ideal

Os bastidores de um reality de namoro estreia nesta segunda, 28,

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Mariane Morisawa,
ESPECIAL PARA O ESTADO

27 Março 2016 | 03h00

PASADENA - Os reality shows que explodiram no fim dos anos 1990 continuam tendo sua força, mesmo com o domínio da dramaturgia na televisão americana. Se American Idol está em sua última temporada, continuam no ar Big Brother e The Bachelor, ambos desde 2000. Então até que demorou para alguém juntar as duas coisas, fazendo uma série dramática sobre os bastidores de um reality show. UnREAL, que estreia no Brasil na segunda-feira, dia 28, às 23h30, no Lifetime, mostra como funciona um programa de namoro – de forma exagerada, claro.

Aqui, The Bachelor chama-se Everlasting. As personagens principais são a produtora executiva Quinn King (Constance Zimmer) e a produtora Rachel Goldberg (Shiri Appleby). A série foi criada por duas mulheres, Sarah Gertrude Shapiro, que tem uma passagem por The Bachelor em seu currículo, e Marti Noxon. “Obviamente, o universo é baseado em coisas que vi. Mas o que escrevemos é totalmente ficcional”, disse Shapiro em entrevista em Pasadena, na Califórnia.

UnREAL expõe as manipulações que existem por trás de um reality show, como a criação de personagens, de intrigas entre as participantes e do interesse do solteiro cobiçado (Freddie Stroma) por determinada candidata. Claro que o lado de lá não gostou. “No fim das contas, ninguém está assistindo. Por quê? Porque é simplesmente horrível”, declarou o apresentador de Bachelor Chris Harrison. Não foi o que disse uma boa parte da crítica, que colocou UnREAL entre as melhores do ano passado.

A exibição dos truques pode ser bem divertida, mas, na verdade, o que segura o programa são as personagens, seus dramas pessoais e relacionamentos. “Temos muito aspectos fantásticos, mas o que realmente faz funcionar é a história humana. Por exemplo, como às vezes no trabalho você precisa fazer coisas que incomodam”, disse Noxon.

UnREAL também acerta ao falar de maneira séria de saúde mental – Rachel acaba de voltar ao set depois de ter um colapso nervoso – e ao colocar duas mulheres nas posições de poder, o que traz em si uma carga de situações ricas dramaturgicamente. Quinn King não tem medo de ser honesta: “Deem o que eles querem, pôneis, princesas, amor. Não sei, é um monte de besteira mesmo”. Constance Zimmer defende sua personagem: “Ela não é uma vaca, apenas não tem filtro. É desafiador, porque ela não é uma coisa única. E todos nós temos camadas e camadas, somos complicados, cheios de defeitos. Fora que um homem jamais seria criticado por ser sincero”.

A série discute a fantasia envolvida nesse tipo de reality show, com mulheres que acreditam ser possível encontrar o par perfeito nessas circunstâncias. “A primeira temporada, realmente, trata dessa ilusão de princesa, essa ideia intoxicante de que um cara pode aparecer num helicóptero e mudar sua vida para sempre”, afirmou ainda Sarah Gertrude Shapiro.

Marti Noxon acrescentou que, para ela, o programa não é sobre reality shows. “Ficamos intrigadas pela dinâmica nas relações entre homens e mulheres, pelas suas identidades em mutação, em que ponto estamos do feminismo”, comemorou ela. “Vamos falar sobre o ideal de feminilidade e de masculinidade. A cultura continua dizendo que existe a melhor mulher, o melhor homem. Isso causa muita confusão porque na verdade esses modelos não existem”, acrescentou ela.

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