TV Globo/Divulgação
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Série apresenta os 65 anos da telenovela brasileira

A TV Cultura exibe, a partir deste domingo, 9, série semanal de oito episódios sobre a história do folhetim eletrônico

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2016 | 04h00

Em 1972, a novela Selva de Pedra, escrita por Janete Clair e exibida pela Globo, conseguiu um feito até hoje inalcançável: ter 100% dos televisores do Rio de Janeiro sintonizados na trama entre Simone (Regina Duarte) e Cristiano (Francisco Cuoco). Foi o que aconteceu no dia 4 de outubro daquele ano, quando foi exibido o capítulo 152. “Na pesquisa feita naquela época, comprovou-se esse recorde”, assegura Carlos Augusto Montenegro que, durante anos, presidiu o Ibope, um dos mais importantes institutos brasileiros de pesquisa.

A afirmação abre o primeiro episódio da série Novela – 65 Anos de Emoção, que a TV Cultura começa a exibir semanalmente neste domingo, 9, às 19h30. Serão oito capítulos, todos apresentados por Atílio Bari e coproduzidos por Hermes Frederico, em que será apresentada a história de um dos principais e ainda mais queridos produtos culturais do País. Desde a primeira telenovela (Sua Vida Me Pertence, que estreou em 21 de dezembro de 1951, na Tupi), passando pelo primeiro folhetim diário (2-5499 Ocupado, no ar a partir de 22 de julho de 1963, pela Excelsior) até chegar à agilidade da narrativa atual, a forma de contar uma história continua inovando e encantando espectadores, ainda que a audiência não seja a mesma em relação a décadas passadas.

“Ao longo dos anos, houve uma série de inovações”, comenta Hermes Frederico, que listou algumas. “Ivani Ribeiro, na Excelsior, já falava de um Brasil histórico e temas urbanos com diálogos mais enxutos enquanto que, paralelamente, as outras novelas eram, em geral, adaptações de novelas cubanas, argentinas ou mexicanas. A mesma Ivani, em 1966, antes de Lost, escreveu uma novela policial, A Grande Viagem, em que um navio desaparece numa ilha e os passageiros vão descobrindo os motivos no decorrer dos capítulos”, afirma.

Na primeira fase, entre os anos 1950 e 1960, a telenovela brasileira ainda era diretamente influenciada pelo rádio e sua forma peculiar de se narrar uma história, e também por tramas importadas, notadamente cubanas e ambientadas em territórios distantes. Foi com Beto Rockfeller, novela criada por Cassiano Gabus Mendes, escrita por Braulio Pedroso e exibida pela Tupi em 1968, que se inovou o estilo da telenovela nacional, inaugurando uma forma puramente brasileira. “Beto Rockfeller mudou a linguagem, com diálogos coloquiais, falando de São Paulo e, pela primeira vez, exibindo como mocinho um anti-herói, mentiroso e com caráter duvidoso”, conta ainda Frederico.

A novidade e, principalmente, a ótima audiência traçaram os novos rumos das novelas, abrindo espaço para talentosos autores como os próprios Gabus Mendes e Pedroso, além do casal Janete Clair e Dias Gomes. Deles, vieram os maiores sucessos – como Pecado Capital, de 1975, e O Astro, de 1978, assinados por ela, e Saramandaia (1976) e Roque Santeiro (1985), escritos por ele. Dias Gomes, aliás, foi autor da primeira telenovela colorida do Brasil: O Bem-Amado, de 1973.

Guerra dos Sexos (de Silvio de Abreu, 1983) também muda a linguagem ao trazer a comédia rasgada às novelas e as ações ganhando espaço junto aos diálogos. O ritmo cinematográfico chega às novelas, ou seja, além do rádio e do teatro, o cinema influenciando as novelas”, acrescenta Hermes Frederico. “Outro bom exemplo é Lauro César Muniz com O Casarão (1976), em que três épocas distintas evoluíam simultaneamente, e com Espelho Mágico (1977), no qual colocou a novela dentro da novela, a metalinguagem.”

A série vai contar com depoimentos inéditos de profissionais que acompanharam a evolução da dramaturgia televisiva, além de exibir imagens de acervo de várias emissoras. “Hoje, as telenovelas ocupam uma posição de destaque no cenário cultural e social do nosso país”, afirma Atílio Bari. “Elas se incorporam à vida das pessoas, ditam tendências, provocam debates e reflexões. Ou seja, influenciam de maneira inequívoca os padrões comportamentais, sociais e políticos da população.”

NOVELAS MARCANTES

Sua Vida me Pertence

A primeira telenovela brasileira, exibida em 1951, pela Tupi

2-5499 Ocupado

E essa foi a primeira a ser exibida diariamente, em 1963

Beto Rockfeller

A trama que abrasileirou as novelas, em 1968

O Bem-Amado

A sátira política foi a primeira novela gravada em cores, em 1973

Rock Santeiro

Proibida pela censura em 1975, só foi exibida 10 anos depois

Avenida Brasil

João Emanuel Carneiro criou a vilã mais querida, em 2012

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