Jan Thijs/Starz/AP
Jan Thijs/Starz/AP

Série 'American Gods' adapta a história de religião e mitologia de Neil Gaiman

Criador de ‘Hannibal’ e ‘Pushing Daisies’ adapta livro do escritor em série que estreia nesta segunda, 1º

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2017 | 16h00

Quando o escritor Neil Gaiman criou The Technical Boy, um deus nascido no universo contemporâneo cujo nome já indica que a divindade é oriunda da tecnologia, computador e internet, os celulares eram blocos pesados, cheios de botões e vinham com uma antena que teimavam em quebrar. Na visão ácida (e um tanto clichê) do norte-americano em 2001, o personagem deveria ser um garoto adolescente com um sério problema com acne. 

Ao ser apresentado na série que adapta Deuses Americanos, o livro de 2001, criada pelo canal norte-americano Starz, ele é mais moderno: parece um influenciador digital endinheirado, com cabelo impecável, fotogênico e iluminado. Seu poder, contudo, parece ainda maior em 2017. É o que propõe a nova empreitada de Bryan Fuller, criador de outras séries como Hannibal e Pushing Daisies, apresentar ao grande público a saga épica de Gaiman, também quadrinista com inspirações escancaradas na mitologia e nas divindades, com as adaptações necessárias para os nossos tempos. 

No Brasil, a série não teve o nome traduzido como o livro, aqui relançado pela editora Intrínseca com uma edição “favorita do autor” sem trechos da história cortados na primeira publicação. Portanto, aqui, o seriado se chama American Gods, e tem seus direitos de transmissão comprados pelo Amazon Prime Video, serviço de vídeo por streaming, tal qual Netflix e HBO Go. A partir desta segunda-feira, 1.º, o primeiro episódio de oito estará disponível para ser visto – e um novo chegará semanalmente, presumidamente às segundas-feiras.

Uma das mentes mais criativas para criar a fusão entre o real e o inacreditável, Gaiman narra em seu livro a batalha entre deuses do nosso mundo de mortais. Os velhos deuses, seres ancestrais, idolatrados nas mitologias nórdicas e africanas, preparando-se para uma luta contra as novas entidades, como o tal Technical Boy, criadas a partir da cultura norte-americana (e nossa, afinal de contas) moderna. O velho e o novo (sejam eles conceitos ou questões mais materiais) entram em conflito perigoso. 

No meio dele, um recém-chegado de nome curioso, Shadow Moon, vivido por Ricky Whittle, faz as vezes do telespectador ou leitor. Um humano qualquer jogado em meio ao conflito ideológico e surreal. Ex-presidiário, ele descobre a morte da mulher dias antes de sua soltura. E isso não é o mais inacreditável a acontecer com ele. Em uma viagem de avião, conhece um estranho chamado Mr. Wednesday, interpretado por um inspirado Ian McShane, quem propõe a Moon um emprego cujas funções são confusas e incluem desferir alguns sopapos. 

Quem não leu o livro de Gaiman e quer ser surpreendido pela série de Fuller deve abandonar o texto por aqui, porque alguns spoilers virão a seguir. 

American Gods, pelo que indicam os dois episódios liberados para a imprensa brasileira, não é tão fácil para não iniciados. Ao fim do primeiro episódio, a surpresa no rosto de Moon é igualmente proporcional à do telespectador. Nada é explicado propriamente, o sangue esguichou mais vezes do que a reportagem foi capaz de contar e a trama central segue um mistério. A recompensa, com a viagem de Moon e Wednesday pelo centro-oeste norte-americano para reunir os velhos deuses ao seu entorno, como nos livros, tem tudo para ser instigante. Mas é um caminho longo e perigoso, para a série e para seus personagens. 

 

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