Ringue de notícias

Na chegada do 3º canal de notícias brasileiro, Globo e Record duelam e protagonizam a notícia

Keila Jimenez, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2007 | 22h24

O público está assistindo a um embate daqueles. De um lado, o bispo e empresário - é assim que ele agora gosta de ser chamado - Edir Macedo e sua mais nova provocação à Globo: a Record News. Do outro, a líder, que tenta manter o cinturão de seu canal pago de notícias, a Globo News. Por fora, a desafiante Band News, canal também pago que não quer se meter na briga, mas não pretende abrir brecha para a concorrência. 1º ROUND O primeiro soco quem deu foi Macedo, no discurso de estréia da Record News. Disse que "chegara a hora de colocar fim no monopólio que cometeu tantas injustiças", argumentando a criação do "primeiro canal de notícias da TV aberta" e atacando o grupo dos Marinho. O trunfo: além de estar na TVA e Net (ao menos por enquanto), a Record News também vai ao ar em sinal aberto, via UHF. A Globo reagiu com um cruzado. Consultou o Ministério das Comunicações se, ao levar ao ar o seu canal de notícias em sinal aberto, a Record não passaria a operar dois canais de TV na mesma praça, o que é proibido por lei. A líder, que não descarta a possibilidade de levar a Globo News ao canal 19 UHF, colocou em suspeita a legalidade do novo canal. 2º ROUND Ao tomar onhecimento da provocação da Globo em Brasília, a Record News reagiu com editorial no Jornal da Record, agora com acusações nominais às Organizações Globo, a quem também chamou de "câncer". A Globo distribuiu nota. Disse que "é de se esperar que um grupo que lucra com a manipulação da fé também tente manipular a opinião pública." Tudo isso sem que a Record News tenha conseguido seu Green Card para o line up da Net, a maior operadora de TV paga do País, na qual a Globo ainda é sócia majoritária. CNN "Record News e Globo News estão mais pra TV aberta, com grade de programação e jornalísticos em que se apura, apura, apura, edita a notícia e só depois põe no ar", alfineta o diretor-geral da Band News, Humberto Candil. Ele assegura que, apesar das comparações, a Band News tem um formato totalmente diferente. "Acho que há espaço para mais um canal, mas nosso o concorrente mesmo é a CNN. Nosso formato é como o deles", acredita Candil. Vale lembrar que a CNN ameaçou lançar um canal de notícias em português, projeto que não saiu do papel. "Temos dois grandes diferenciais em relação à concorrência: somos um canal gratuito e temos noticiários regionais", defende o diretor de Jornalismo da Record, Douglas Tavolaro, rebatendo pesquisas que mostram que o público dos canais de notícias tem a cara da TV paga: predominantemente classe AB. "Que preconceito achar que só gente rica se informa." diz. Apesar das diferenças bradadas, as semelhanças entre as News são muitas. As três reaproveitam reportagens produzidas pela matriz aberta, abusam de reprises e são alimentadas por material de afiliadas descartado pelos noticiários abertos em rede nacional. A audiência só se mostra expressiva diante de tragédias e escândalos como o 11 de Setembro, mensalão e queda de avião. Mas não faltam anunciantes grandes interessados nessa platéia ávida por notícia, como bancos e montadoras. Globo e Record também reaproveitam o elenco de jornalistas nos dois canais e brigam, ao lado da Band News, pelo título de "o canal com notícias 24 horas no ar." "Paramos tudo para dar a notícia. Às vezes exibimos a imagem, mesmo que sem muita informação, e vamos apurando no ar. Não temos a grade engessada como as outras", fala Candil, da Band. "Um jornalismo que ficou 15 horas cobrindo a tragédia no buraco do metrô não pode ter fama de engessado", rebate Douglas Tavolaro, da Record.

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