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Perguntas e respostas: um olhar sobre 'Making a Murderer'

- Atualizado: 06 Janeiro 2016 | 14h 50

Petição coletou mais de 300 mil assinaturas para liberar homem condenado nos EUA, depois da repercussão da nova série documental do Netflix

MILWAUKEE (EUA) - Uma petição online coletou cententas de milhares de assinaturas digitais que pedem um perdão oficial de um par de assassinos condenados que viraram sensações de mídia depois que uma série documental do Netflix jogou dúvidas sobre o processo legal.

Making a Murderer, série com 10 episódios que retrata o caso de Steven Avery e seu então adolescente sobrinho Brendan Dassey, fez com que celebridades e “detetives” caseiros se manifestassem sobre o caso.

Autoridades envolvidas no caso do estado de Wisconsin estão dizendo que a série deturpa e omite fatos cruciais que levaram Avery e Dassey à condenação pela morte da fotógrafa Teresa Halbach.

Steven Avery, à direita, em uma imagem liberada pelo Netflix, da série 'Making a Murderer'
Steven Avery, à direita, em uma imagem liberada pelo Netflix, da série 'Making a Murderer'

Os produtores da série, enquanto isso, mantiveram suas posições em relação ao trabalho, que tem mais de uma década e se concentra fortemente na defesa e na perspectiva dos parentes de Avery e Dassey.

A onda de atenção deixou muitos em dúvida: Como chegamos aqui? E agora…?

PERGUNTA: Qual é o grande problema?

R: Avery ocupou manchetes nos EUA em 2003 quando ele foi liberado depois de passar quase duas décadas atrás das grades ao ser erroneamente condenado por estupro. Dois anos depois, Avery e Dassey foram acusados de terem matado Halbach, que visitou o ferro velho da família para tirar fotos de uma minivan para o Halloween. Seus ossos e pertences foram encontrados queimados próximos ao trailer de Avery. Os dois foram condenados e sentenciados a prisão perpétua, mas apenas Dassey é elegível para uma condicional - em 2048.

PERGUNTA: Por que o documentário está sendo tão popular?

R: O lançamento da série teve um timing impecável. Foi lançado antes do Natal, em que grande parte das pessoas tem tempo de mergulhar em uma série de 10 horas. Ela também vem na esteira do popular podcast Serial, que analisa um caso jurídico complexo e gerou intensa participação nas redes sociais.

PERGUNTA: Mas o que exatamente está no documentário?

R: A série dá sugestões fortes da possibilidade de que assistentes do xerife de Manitowoc County plantaram evidências contra Avery, incluindo uma chave encontrada em seu quarto e sangue no carro da vítima. Mas o xerife Robert Hermann negou isso nesta terça-feira, 5. “Eles não plantaram evidências”, disse Hermann. “Eu confio 100% neles. Francamente, eu acredito que a justiça foi aplicada nesse caso.” Ele disse ter visto a série, e que “é um filme, estão faltando várias evidências importantes”.

PERGUNTA: Por que as autoridades dizem que a série é tendenciosa?

R: A série gasta muito tempo detalhando a perspectiva dos membros da família de Avery e Dassey. O promotor que cuidou do caso, Ken Kratz, recusou comentar para esta matéria, mas ele já disse que o documentário ignora a maioria das evidências físicas. As omissões incluem o fato de que o DNA de Avery foi encontrado no trinco do capô do SUV de Halbach, que estava escondido no ferro velho. Kratz também disse que uma bala disparada da arma de Avery foi encontrada em sua garagem com o DNA de Halbach.

PERGUNTA: O que as diretoras dizem?

R: Laura Ricchardi e Moira Demos se mantiveram firmes. Elas disseram em um e-mail para a AP, via representantes do Netflix, que os críticos que dizem que elas omitiram ou desvalorizaram evidências importantes de maneira intencional, para fazer a série mais divertida ou dramática, estão errados. “As acusações não são verdadeiras ou infundadas”, diz o comunicado.

PERGUNTA: E a petição online? Vai funcionar?

R: Parece que não, por várias razões. Primeiro, ela começou direcionada ao presidente Barack Obama, que não tem autoridade neste tipo de caso, já que não é uma instância federal. O pedido postado no Change.org, que gerou aproximadamente 305 mil assinaturas, foi recentemente editado para incluir o governador do Wisconsin, Scott Walker, e remover a palavra “presidencial” do texto. Entretanto, Walker não concedeu nenhum perdão desde que assumiu o cargo, há cinco anos. O porta-voz de Walker, Laurel Patrick, disse na terça-feira, 5, que o governador não assistiu ao seriado e que “desde o começo de sua administração, o governador Walker tomou a decisão de não liberar perdões. Aqueles que se sentirem injustiçados podem procurar instâncias jurídicas superiores".

PERGUNTA: E as vítimas?

R: O irmão de Halbach, Mike, não aceitou comentar desde que emitiu um comunicado da família antes de o documentário se tornar público. “Passados 10 anos da morte da nossa filha e irmã, Teresa, estamos entristecidos em saber que indivíduos e corporações continuam a criar entretenimento e buscar lucros com a nossa perda”, diz o comunicado. “Nós continuamos a acreditar que a história da vida de Teresa traga bondade para o mundo.” A vítima do caso de estupro em 1985 não quis se pronunciar.

PERGUNTA: Como está sendo a reação?

R: De várias formas. Celebridades tuítaram sobre o quão avançadas estão nos episódios, o apresentador Seth Meyers brincou com a reação, e contas falsas do Twitter foram criadas para as principais pessoas envolvidas no caso. O xerife Hermann disse que alguns de seus oficias receberam ameaças pela internet e por telefone. Ele disse que uma das ameaças partiu de um criminoso condenado que disse que um oficial deveria “tirar a sua própria vida, senão ele faria isso por ele”. Hermann disse que a ameaça foi encaminhada para investigação por autoridades na Flórida.

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