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Paraisópolis real espera benefícios da ficção

Projeto que pode dar novo status à comunidade está na nova novela das 7

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

09 Maio 2015 | 17h30

Favela em novela da Globo não é feito inédito. Mas I Love Paraisópolis, folhetim que estreia nesta segunda-feira, 11, na faixa das 19h, põe a região não só no título da trama de Alcides Nogueira e Mário Teixeira, como também em vaga de protagonista. Incrustada no abastado Morumbi, a comunidade emprestou para a Globo até o projeto de urbanização que vem sendo desenvolvido por lá há onze anos – embora esteja paralisado há dois. Daí a expectativa, para os seus 100 mil moradores, que a novela da Globo seja um outdoor para um futuro melhor por lá.

“Acho que a novela vai reforçar essa luta que Paraisópolis tem pela transformação da nova Paraisópolis, de favela em bairro”, diz Gilson Rodrigues, presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, durante a visita do Estado aos pontos que dão boa fama ao local. “A gente está vivendo um programa de urbanização que é o asfaltamento de ruas, a construção de unidades habitacionais. O programa de urbanização é uma parceria entre o poder estadual, o municipal e o federal, fruto de organização da comunidade.” Segundo ele, 1.700 unidades habitacionais foram entregues, mas há ainda 6 mil pessoas em regime de aluguel social (bolsa de R$ 400 para quem foi removido de áreas de risco).

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Na ficção, as mocinhas que sonham com uma vida melhor estão personificadas em Bruna Marquezine, a Marizete, e Tatá Werneck, a Danda. O valentão da favela está mais para bad boy do que para miliciano e é vivido por Caio Castro. E o mocinho que luta pela transformação da comunidade em bairro está do outro lado da “faixa de Gaza”, como brincam os moradores da região, no rico Morumbi: arquiteto, Benjamin é representado por Maurício Destri, uma nova aposta da Globo. 

Ele mora no edifício Penthouse, o prédio com piscinas e sombras individuais em forma de espiral, habitado por Nathália do Valle, a “bonitona do Morumbi, na novela A Próxima Vítima (1995). Na época, a Globo esbanjava closes da construção, sem permitir que o foco das câmeras resvalassem para sua vizinhança, onde está distribuída a favela.

Benjamin desenvolve o projeto de urbanização de Paraisópolis com a namorada, papel de Maria Casadevall, mas vai se encantar pela mocinha da comunidade, Mari (Bruna Marquezine). “Benjamim sonha em transformar Paraisópolis num bairro, e ele constrói um grande programa de urbanização. Dentro desse programa, fizemos aqui uma discussão muito grande, mostramos o nosso projeto, levamos os mapas e tudo”, conta Gilson. Se é verdade que toda novela tem final feliz, o pessoal de Paraisópolis pode esperar pela realização de suas metas – ao menos na ficção. Um dos sonhos da comunidade já estará contemplada na novela: o monotrilho que promete cruzar o local, com duas estações.

A Globo gravou cenas iniciais lá e há de inserir planos gerais da favela real entre uma imagem e outra da Paraisópolis cenográfica, construída sobre 10 mil metros quadrados no Projac, no Rio. De Mário Monteiro, a obra é anunciada como a maior cidade cenográfica já feita pela emissora, e tenta reproduzir um espelho mais estético do cenário real. A poluição visual provocada pela intensa fiação elétrica da Paraisópolis real, por exemplo, ganhou versão bem mais clean no Projac. Mas a riqueza cultural do local há de marcar presença na ficção e, para quem não conhece a comunidade do Morumbi, poderá até parecer exagerada. Não é.

Berbela, como é conhecido o pernambucano Antonio Ednaldo da Silva, teve várias de suas obras, belas peças feitas a partir de sucata de autopeças, compradas pela Globo. “Eles vieram aqui, viram o que queriam e me encomendaram”, conta-nos. Estevão Conceição, conhecido como o Gaudí de Paraisópolis, dono de uma casa feita de pedrinhas em constante construção, também terá seus feitos representados na novela. 

Responsável pelas realizações do Balé de Paraisópolis, que conta com 300 alunos e outros 800 na fila de espera, Mônica Tarragó será representada por François Forton na ficção, Paraisópolis tem ainda uma orquestra, 52 times de futebol e um time de Rugby – dois de seus jogadores estão na seleção brasileira da modalidade, que volta a contar com o Brasil na próxima Olimpíada. Uma das padarias do local, que costuma atrair a classe AB da vizinhança, também estará na história, tendo Ilana Kaplan e José Rubens Chachá como proprietários. A maior parte dos projetos sociais – 26 no total, entre cultura e esporte – é tocada graças ao interesse da iniciativa privada e a recursos da Lei Rouanet. Se o poder público não se mobilizar para retomar as demandas locais, a Globo pelo menos cria aí um cartão de visitas para atrair outros interessados em aparecer bem na fita. Ou melhor, no HD.

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