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Nordeste é o cenário da trama da série de TV 'Amores Roubados'

Trama que sai em DVD é inspirada em 'A Emparedada da Rua Nova'

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2014 | 03h00

Um sertão nordestino marcado pelas contradições, com vaqueiros tradicionais portando telefones celulares e casas humildes repletas de eletrodomésticos. Esse retrato contemporâneo, ligeiramente distante da imagem clássica de seca e pobreza, é o cenário para a minissérie Amores Roubados, exibida pela Globo em janeiro e que agora ganha edição especial em Blu-Ray - o que ressalta a bela e cinematográfica fotografia em HD de Walter Carvalho -, acompanhada de um livro com fotos dos bastidores, lançamento da Globo Marcas.

Livremente inspirada no livro A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela, a série acompanha as desventuras de Leandro Dantas (Cauã Reymond), um Don Juan que volta à sua cidade natal, à beira do Rio São Francisco, para trabalhar como um sofisticado sommelier. Bonito e conquistador, Leandro morou por muito tempo em São Paulo ao lado da sua mãe, Carolina (Cassia Kis Magro), uma prostituta.

Com a prisão dela, o jovem volta ao Nordeste onde trabalha na vinícola de Jaime Favais (Murilo Benício), casado com Isabel (Patrícia Pillar), com quem Leandro vai ter um de seus diversos casos amorosos, que incluem ainda Antônia (Isis Valverde), filha de Jaime, e Celeste (Dira Paes), casada com Roberto (Osmar Prado), grande exportador de mangas.

Dirigida por José Luiz Villamarim, a série não reforçou os clichês nordestinos ao contar ainda com atores locais (como Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa), que trouxeram a musicalidade típica do falar da região. Sobre o trabalho, Villamarim respondeu as seguintes questões.

Os atores parecem adequados aos seus papéis, encaixando-se em seus personagens. Como foi o processo de escolha?

Para mim, o princípio básico da escalação é reunir atores que sejam apaixonados pelo seu ofício. Em Amores, o elenco encarou pesquisas, ensaios, estudos e todos os processos necessários para entender o arco dramático dos seus personagens na trama. Outro ponto que também levei em consideração na escalação foi o lançamento de atores novos, principalmente aqueles vindos do Nordeste, onde a trama se passa. Eles trouxeram a prosódia e uma vivência local que foi muito importante para todo o elenco. O que favoreceu a credibilidade das interpretações. Eu busco uma interpretação mais próxima da realidade, que beira o documental. A junção dos atores nordestinos com os outros da minissérie contribuiu para esse objetivo.

A trama começou com impacto, contada do fim para o começo, algo nem sempre comum nas séries e novelas brasileiras. Por que essa opção?

Queríamos deixar o mistério no ar desde a primeira cena. Foi uma narrativa que eu e (o roteirista) George Moura escolhemos para fugir do formato linear e criar esse suspense. Tínhamos ciência do risco, mas sempre acreditamos na inteligência do espectador. Por isso, apostamos nesta ousadia.

Outro recurso foi o uso do silêncio, em que os atores contracenavam muitas vezes apenas com o olhar. Como você planejou o uso desse silêncio?

O silêncio, assim como as expressões faciais e corporais, quando utilizado em momentos oportunos, é capaz de passar mensagens profundas, por vezes mais bem captadas do que as transmitidas em longas conversas. Desta forma, o ator também pode usar outros elementos para a interpretação, que fica mais rica. Acredito muito no subtexto.

A fotografia de Walter Carvalho, como sempre, trouxe bons frutos. Você diria que se constrói hoje, na televisão, uma linguagem específica para as séries brasileiras, algo que as diferenciem das novelas?

O Waltinho é um grande parceiro, um profissional especial e um grande artista. Ele sempre preza pela qualidade em tudo que faz. Tem uma maneira de ver, de perceber a fotografia que é a favor da história e do que estamos propondo. Acredito que o diferencial mais importante está na história, e não no formato.

Finalmente, a trilha sonora: como foi a seleção de cada música? Como funciona o ajuste entre determinada canção e um personagem?

A música ajuda a compor a caracterização do personagem. Tivemos, entre outros nomes, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Fagner, Amelinha e The XX, que inclusive foi meu filho que indicou achando que tinha todo o perfil da minissérie. Tudo foi planejado com detalhe. Foi uma tacada que deu certo, foi bacana. Tive novamente a parceria do maestro Eduardo Queirós, com quem trabalho desde Avenida Brasil

AMORES ROUBADOS

Direção: José Luiz Villamarim

Elenco: Cauã Reymond, Murilo Benício

Distribuição: Globo Marcas (cinco discos, R$ 79,90 (DVD) e R$ 164,90 (blu-ray)

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