Cesar Alves|Divulgação TV Globo
Cesar Alves|Divulgação TV Globo

Na nova novela das 7, 'Rock Story', ídolo tenta reconstruir sua vida

Elenco terá Vladimir Brichta e Alinne Moraes

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 06h00

Um roqueiro que chegou ao auge e viu o sucesso lhe escapar. Isso poderia resumir a história de Guilherme Santiago, o protagonista vivido por Vladimir Brichta na próxima novela das 7, Rock Story, que estreia na Globo, no dia 9 de novembro – em plena quarta-feira, uma estratégia de programação, segundo a assessoria –, substituindo Haja Coração. Mas a autora Maria Helena Nascimento usou esse mote, tão comum na biografia de grandes rock stars da vida real, para, na verdade, mostrar a transformação de Guilherme ao longo do folhetim. “Eu queria um personagem que errasse muito, mas que tivesse bom coração, boas intenções, mas que ele fosse a pessoa que mais atrapalhasse ele mesmo. Eu queria contar uma história dessa, de como a gente conserta as coisas que a gente faz de errado”, explica a autora carioca, de 55 anos. “Ele perde um monte de coisa por causa de seu temperamento, das besteiras que faz, e vai atrás tentar recuperar.”

Maria Helena conta que seu protagonista não é inspirado em nenhum ídolo em específico, mas em “várias coisas que estão no ar”. “Eu queria ver a mudança desse cara ao longo da novela, era isso que interessava”, diz. Gui, como é mais conhecido, é uma estrela do rock brasileiro nos anos 1990 que tenta retornar às paradas. Só que, nos bastidores, suas atitudes irresponsáveis e descontroladas só o prejudicam. E quase vai à ruína absoluta após agredir publicamente o jovem Léo Régis (Rafael Vitti), ídolo pop do momento e, naturalmente, o antagonista do roqueiro.

“Construí Léo para ser o rival artístico e sentimental do Gui, porque ele começa a novela tendo um caso com a mulher do Gui, a Diana”, detalha a autora. “Pensei nele ser esse tipo de cantor, porque ele seria um cara que o Gui desprezaria, ele é rock de raiz, despreza música pop. O Léo foi feito para ser o oposto dele: enquanto o Gui é um cara autêntico, desleixado, à moda antiga, o Léo é construído, com marketing enorme atrás, sabe se vender, sabe lidar com as fãs.” Mulher de Gui e diretora artística da gravadora Som Discos, a bela Diana (Alinne Moraes), aliás, é uma das causas da desestabilização do roqueiro. Segundo a autora, Diana “puxa o pior dele” enquanto são casados. “Esses dois são intensos”, completa ela.

O ponto de mudança na vida de Gui ocorre justamente depois que seu mundo começa a desmoronar: ele acusa seu rival Léo de lhe roubar a música Sonha Comigo, uma balada com a qual ele acreditava que reergueria a carreira; se separa de Diana; se vê obrigado a assumir a guarda do filho problemático Zac (Nicolas Prates), de 16 anos, que ele teve com uma fã e não o via desde que era um bebê. Tudo ao mesmo tempo. Mas após a tempestade, o roqueiro encontra a chance da guinada. E o espectador acompanha, como planeja a autora, a transformação de seu mocinho cheio de imperfeições. Gui, que abomina o mundo pop, abre-se para uma nova possibilidade: montar uma boyband, a Quatro Ponto Quatro, e retomar, novamente, o sucesso. Essa ideia se vislumbra na mente de Gui quando ele percebe que o filho tem talento para a música. “Eles têm uma relação muito difícil no começo, mas vão aprendendo a se gostar, a conviver. Um dia, quando ele vai à gravadora, deixa o menino cantar e percebe que o filho pode derrotar Léo, pode virar um astro pop.”

O roqueiro tem ainda uma segunda chance no amor quando a jovem professora de balé Júlia (Nathalia Dill) surge em sua vida. E ela também. Duas pessoas que terminaram seus relacionamentos anteriores de forma traumática. Ele, por causa da traição da mulher; ela, enganada pelo ex-namorado, Alex (Caio Paduan), que tenta usá-la para transportar drogas para os Estados Unidos – ela é pega pela polícia no aeroporto, mas consegue escapar e vira foragida. Júlia é outra que vai ao fundo do poço. E o fato de a moça ser uma delicada bailarina, no início da novela, foi proposital para fazer o contraponto com a fase mais pesada pela qual ela vai passar. “Com ela, eu também queria fazer essa trajetória de acompanhar a mudança, porque ela começa como uma mulher muito ingênua, vivendo num mundo cor de rosa e, de uma hora para outra, a vida dela vira um pesadelo, e ela vai ficar mais forte.”

Inter. Com Rock Story, Maria Helena Nascimento faz sua estreia como autora solo. Com formação em Jornalismo, ela conta que nunca exerceu a profissão. Sempre trabalhou em TV, mesmo antes de se formar. Primeiro em produção e, depois, começou a escrever. Em 1994, entrou para a Globo como colaboradora em Pátria Minha. Depois, participou de muitos outros trabalhos, como Suave Veneno (1999), Celebridade (2003) e Alto astral (2014). “(Como colaboradora) trabalhei com Gilberto Braga, Aguinaldo (Silva), Antônio Calmon, e foi espetacular. Fui aprendendo um pouco a cada trabalho que eu fazia com eles. Fui me preparando aos poucos para chega a esse momento.”

E a ideia dessa sua primeira novela surgiu depois de ela folhear a biografia de Harry Styles, da boyband pop inglesa One Direction. A princípio, Maria Helena achou engraçado. Afinal, tratava-se da biografia de um garoto de 17 anos. Mas, depois, foi ficando interessada. “Me deu um estalo: nunca vi essa história na TV, tem potencial”, lembra. Começou a pesquisar sobre o universo das boybands, procurou outros personagens de outras idades, “já que é uma novela que fala com muita gente”. “Fui pensando nessa boyband e em outros personagens: pais e mães, dono de gravadora”, diz a autora. “É algo que está na vida de qualquer pessoa, de qualquer classe social, de qualquer idade. A música está na vida de todo mundo. Então, colocar uma história nesse universo me pareceu algo promissor.”

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