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Cultura

Leo Gandelman

Músico Leo Gandelman toca e conversa com cantores e compositores

Edu Lobo e Frejat participam do programa no Canal Bis

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Roberta Pennafort,
O Estado de S.Paulo

19 Março 2016 | 16h00

RIO - Músico há mais de 40 anos, fotógrafo profissional, com passagens pela imprensa e pelo cinema, Leo Gandelman não concebe “música sem imagem nem imagem sem som”. A amálgama não lhe serve só ao compor seus temas instrumentais. O saxofonista já apresentou programas na TV Manchete, nos anos 1980, e, mais recentemente, no Multishow, ambos com foco no jazz, além de um sobre música instrumental na rádio MPB FM. Dia 3 de abril, ele estreia Vamos Tocar, no Canal Bis. Pela primeira vez, não vai só comentar atrações musicais: ele próprio, com convidados, é a atração.

O cenário é o estúdio de seu apartamento, em Laranjeiras, zona sul do Rio, bairro onde Gandelman, filho de músicos, nasceu. Os convidados, amigos com quem já trabalhou e/ou tem afinidade musical. Em cada programa, Edu Lobo, Alcione, Moraes Moreira, Fagner, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Frejat, o trio Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancellotti cantam/tocam quatro ou cinco músicas e conversam sobre seu fazer artístico.

“O prato principal é a música. As entrevistas são sucintas, mas reveladoras. É uma situação muito próxima, de troca, olhar, feeling; é importante que todos se sintam confortáveis de serem quem são ali”, conta Gandelman, que foi quem propôs a produção ao Bis.

“O audiovisual faz parte de mim. Foi pela fotografia que eu enxerguei a questão da criação, do papel em branco. Quando conheci o sax, tive vontade de compor, porque o instrumento permite a improvisação. Tudo fez sentido”, diz o saxofonista, que, em agosto, faz 60 anos e, na juventude, era flautista e pianista – chegou a solista da Orquestra Sinfônica Brasileira aos 15.

Gandelman tem estúdio em casa desde 1997. O atual, elogiado pelos convidados por sua acústica, importou dos Estados Unidos – ele morou em Nova York até 1995, e trouxe os equipamentos num contêiner. Frejat, que tocou “guitarra baixinho” (foi o único instrumento amplificado), ficou tão impressionado com o resultado que já visualizou um trabalho conjunto a partir dali. “Ele criou um conceito estético-musical bem interessante, com rearmonizações. Daria para fazer um disco inteiro, pegando canções minhas e de outras pessoas.”

O repertório foi escolhido por cada artista e por Leo, que, em parceria com o pianista Eduardo Faria, fez os arranjos. “Cada música recebeu um tratamento especial, uma pré-produção. É um caminho bem original na TV, um trabalho fotográfico, retrato daquele momento”, considera Gandelman, que está sendo dirigido por Pedro Von Krüger. “Depois de 30 anos de carreira solo, eu me sinto voltando um pouco a um lugar que já tive, que é de colaboração com grandes artistas. Está me fazendo um bem enorme.”

Com piano (Eduardo Faria), bateria (Antonio Neves) e baixo (Alberto Continentino) e Gandelman ao sax, Frejat fez releituras de Puro Êxtase, Por Você (ambas do Barão), de Só Você (Fábio Jr.) e Adivinha O Quê? (Lulu Santos). Ney Matogrosso focou em seu repertório (Balada do Louco, Negue, Sangue Latino e Último Desejo) e inovou em Sonífera Ilha (Titãs).

Zélia Duncan escolheu músicas que vêm cantando, Cabelo Duro, Alameda do Sonho, Olha O Dia Vem Aí e Antes do Mundo Acabar, e achou o som do estúdio “um luxo”. “Devia se chamar oásis! Leo é carismático e emocionado, faz muita diferença. O programa será sempre original e surpreendente.”

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