TV Globo / Kiko Cabral
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Morre a atriz Marcia Cabrita aos 53 anos

Ela ganhou fama ao interpretar a faxineira Neide, no humorístico 'Sai de Baixo', da Globo

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2017 | 09h08
Atualizado 10 Novembro 2017 | 22h08

RIO - Depois de sete anos tentando debelar um câncer de ovário, a atriz Márcia Cabrita morreu nesta sexta-feira, 10, no Rio, aos 53 anos. Ela trabalhou na última novela das 18 horas da TV Globo, Novo Mundo, até o meio do ano, mas teve de se afastar das gravações para cuidar da saúde. Amigos contaram em depoimentos compartilhados em redes sociais que a atriz mantinha a disposição e o senso de humor mesmo na adversidade.

Márcia, que deixa uma filha de 16 anos, Manuela, estava internada no Hospital Quinta D’Or, na zona norte do Rio. A causa oficial da morte divulgada pelos médicos foi câncer em estado avançado. A família pediu para que não fossem detalhadas mais informações. O velório será velado neste sábado, a partir das 10 horas, no cemitério Parque da Colina, em Niterói, cidade natal de Márcia, e, em seguida, o corpo será cremado.

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Em Novo Mundo, ela era Narcisa, mulher do ministro Bonifácio, o patriarca da Independência (Felipe Camargo), escudeiro de d. Pedro (Caio Castro). A ideia da direção da novela, que estreou em março, era que Marcia se afastasse temporariamente. Esperava-se que retornasse até o fim de Novo Mundo, no fim de setembro, mas não foi possível.

Márcia trabalhou principalmente como comediante, e iniciou sua trajetória artística no teatro. Com os amigos Aloisio de Abreu e Luiz Salem, despontou para o sucesso com o espetáculo Subversões, que estreou em 1990. O espetáculo trazia paródias cômicas para músicas de sucesso, como Meu nome é Creuza, versão de O amor e o poder, sucesso dos anos 1980 da cantora Rosana.

Na TV, a popularidade chegou quando entrou no elenco da segunda temporada do humorístico Sai de baixo. Fez a empregada doméstica Neide Aparecida até 2013. Ela também esteve em dois outros programas de humor da emissora, A Grande Família e Pé na Cova, e do Multishow, Vai que Cola e Treme Treme. A atriz também participou de novelas, como Desejo de Mulher (2002), Beleza Pura (2008) e Morde & Assopra (2011). No cinema, fez filmes infantis com a apresentadora Xuxa. 

Márcia descobriu o câncer em março de 2010, aos 46 anos, quando estava em cartaz com a peça Tango, bolero e cha cha cha. Foi hospitalizada já no Quinta D’Or, onde continuou os atendimentos nos anos seguintes.

O ator Aloisio de Abreu compartilhou um relato emocionado no Facebook, em que disse que ela o ensinou muito, e levou consigo uma parte dele próprio: “Hoje minha amiga querida, guerreira, parte do que eu sou se foi. Muito de mim foi junto. Tantos anos, tanto tempo, tanta vida juntos... É muita coisa que essa onda ‘tá’ levando... Mas ficou o que é bom. Márcia me ensinou muita coisa, muita mesmo. Humor, pragmatismo, senso de justiça, simplicidade, alegria e um profundo amor pelo ofício. Que atriz! Que timing espetacular."

Outros amigos ressaltaram sua paixão pela profissão, sua leveza na vida cotidiana, e como conseguiu conviver com as dificuldades do tratamento do câncer durante tantos anos. No Facebook, Miguel Falabella, ator e um dos autores de Sai de baixo ressaltou a “fibra inquestionável” da “companheira admirável”.

“Vai ser difícil entrar no Teatro Procópio Ferreira, onde durante todos aqueles anos brincamos como crianças num playground (lá era gravado o Sai de baixo). É essa a lembrança que viverá para sempre naquelas coxias. Lembra que eu costumava dizer que, após a passagem, nós ficávamos sentados nas varas de luz, no urdimento, observando os colegas no palco lá embaixo? Pois é... Hoje você ocupa o seu lugar ao lado de outros comediantes que alegraram a vida desse povo tão sofrido e maltratado”.

Em 2011, num texto publicado no jornal O Globo durante uma fase de remissão da doença, Márcia falou sem pudores sobre o câncer, os ciclos de quimioterapia e a expectativa gerada pelas pessoas quanto ao seu modo de encará-lo. “Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra.”

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