Assine o Estadão
assine

Cultura

Otaviano Costa

Maíra Charken fala dos desafios de substituir Monica Iozzi no 'Vídeo Show'

Apresentadora diz que já estava preparada para as comparações com antecessora

0

Adriana Del Ré,
O Estado de S.Paulo

23 Março 2016 | 03h00

Em seu primeiro dia no programa Vídeo Show, em 14 de março, Maíra Charken recebeu uma série de boas-vindas dos colegas da Globo, já devidamente acomodada na bancada ao lado de Otaviano Costa. Entre elas, a do ator Rodrigo Santoro, que cometeu uma gafe ao vivo e a chamou de Maiara. Rápida no gatilho, Maíra devolveu: “Você pode me chamar de qualquer coisa: de meu bem, de meu amor”. Maíra mostrava ali a que veio. Com a dura missão de substituir a elogiada antecessora Monica Iozzi, que se despediu da atração no dia 12 de fevereiro, a nova apresentadora passou pela prova de fogo da primeira semana de programa com leveza e bom humor. “Foi a melhor semana da minha vida. Sou uma pessoa ansiosa e, se estou vivendo uma coisa importante, minha cabeça não para. E perco tudo: a fome, o sono, porque só fico pensando naquilo. Mas agora tudo voltou ao normal”, garante a também atriz, humorista, bailarina e cantora, de 36 anos, em entrevista por telefone ao Estado, do Rio.

Sobre as inevitáveis comparações com Iozzi, Maíra diz que já estava preparada para isso. “Qualquer pessoa que sentasse ali ia ser apedrejada. Então, relaxei, não tem o que fazer, e não vou largar o osso, não vou voltar atrás, não vou me frear, me julgar sob o olhar do outro. Vou fazer totalmente no feeling.” Assim, sua preocupação com a nova empreitada foi - e continua sendo - a mesma de qualquer trabalho que a desafie: de querer agradar, de não decepcionar quem apostou nela. No caso do Vídeo Show, ela conta que não faz ideia de quem a tenha indicado para o teste para a vaga de apresentadora. A atriz palpita, no entanto, que talvez tenha chamado atenção após a boa repercussão que sua participação no programa teve em agosto do ano passado, quando ela ainda estava no ar na novela Babilônia, como a delegada Vera Morgado. À época, o folhetim estava na reta final e Maíra, bem-humorada, levou a Monica e Otaviano seu currículo, já que ficaria sem emprego, e aproveitou para invadir a bancada. 

Maíra fez o teste para o Vídeo Show em novembro e, desde que foi anunciada a saída de Monica Iozzi, seu nome já vinha sendo cogitado - mas não confirmado pela Globo -, assim como os de outras artistas, como Fernanda Souza e Dani Calabresa. Ela diz que ficou sabendo que tinha sido escolhida havia algumas semanas, mas achava que só iria entrar no ar em abril. Qual não foi sua surpresa quando foi avisada numa quinta-feira que, na segunda-feira seguinte, iria fazer sua estreia no programa. “Tive um dia útil só para organizar tudo. Era todo mundo fazendo tudo. Mas foi bom.”

Assim que a então apresentadora estreante surgiu na telinha, as redes sociais trataram de julgar seu desempenho. Houve quem a avaliasse como uma cópia de Iozzi, houve quem a cobrisse de elogios. Ela se preocupou em buscar um tom que a afastasse da imagem da antecessora? “Fui chamada por ser comediante, não posso mudar esse meu lado, e a linha do programa é essa. Não é a ideia mudar o programa, não tem o que inventar. Tem a coisa de pensar rápido, muitas coisas na hora, aí entra um convidado que a gente não sabia. Se me chamaram, sabem que aguento essa onda. 

Essa é a minha cara, eu vim de um grupo de improviso, de stand up, tudo acontecia na hora.” ‘Delegata’. Maíra Charken vem de uma trajetória artística eclética, exercitada ora no palco ora na telinha. A atriz nasceu na Holanda, no período em que seus pais, brasileiros, moraram por lá - o pai, engenheiro eletrônico, trabalhava numa empresa local. Sua família voltou ao Brasil quando ela tinha 2 anos. Eles moraram durante um período no Rio e, depois, se mudaram para Campinas. Maíra começou a fazer balé aos 3 anos. A dança lhe proporcionou muitas oportunidades de trabalho, mas, desde pequena, dizia para a mãe que queria ser atriz. Fez Dança na Unicamp e Jornalismo na PUC-Campinas. Chegou a atuar como jornalista em um canal fechado na TV a cabo, em uma espécie de Vídeo Show regional, só exibido para Campinas e imediações. E foi só. E foi por pouco tempo. 

Depois de se formar nas duas faculdades, entrou para o corpo de balé do programa Domingão do Faustão, que antes era formado por profissionais ligadas a academias de dança e aeróbica. “Foi quando abriram teste para bailarinas. Foi em uma academia em Copacabana e a fila já chegava em Ipanema.” Apesar da forte concorrência, ela garantiu sua vaga. “Fiquei no programa quase 3 anos.” Ela também é cantora. E foi justamente quando era bailarina no programa do Faustão que encontrou, por mero acaso, uma chance de entrar na banda Blitz, liderada por Evandro Mesquita. Ela acompanhou o grupo de 2000 a 2002. “Eles fizeram uma apresentação no programa e uma das meninas estava saindo - olha eu já substituindo (risos). Foram ao camarim e perguntaram quem cantava. Eu e mais uma menina nos manifestamos.” Mais um teste e mais uma aprovação. 

Após se mudar para o Rio, onde vive há cerca de 15 anos, Maíra investiu também em seu lado atriz. Mas, mais do que isso, no seu lado humorista. “Sempre tive essa veia de comediante. Eu queria sempre ser a amiga engraçada, não queria ser a mocinha, só que eu sempre fazia a mocinha. 

Essa coisa do stand up veio depois. Então, eu sempre ficava sentindo que não me encaixava.” Ela encontrou seu lugar no mundo ao integrar o grupo de humor Deznecessários, do qual faziam parte ainda Paulinho Serra, Eduardo Sterblitch, Marcelo Marrom, Rodrigo Capella e Miá Mello. Criada na cena carioca, a trupe acabou fazendo muito sucesso em São Paulo, lembra a atriz. “Era aquilo que eu queria fazer. O palco era nosso, não tinha direção, ali era nosso playground, nosso laboratório. Estávamos direto com o público, lidávamos com improviso. Foi uma escola.”

Dali em diante, ela passou a receber outros convites nessa linha, como na novela Dance Dance Dance (2007), na Band, e em Os Caras de Pau (2010) e Malhação (2011), ambos na Globo, entre outros programas. No ano passado, ganhou destaque como a delegada Vera, que foi apelidada de ‘delegata’, em Babilônia, que tinha direção-geral de Dennis Carvalho. Ele também era diretor de Elis, a Musical, cujo elenco trazia Maíra (no papel de Marília Gabriela), e a levou para o folhetim. “Com o Dennis, foi amor à primeira vista. A delegada Vera foi um presente que ele me deu. A novela já estava em andamento, mas ele disse: ‘preciso arranjar um personagem para você’. Foi meu primeiro papel dramático.” Agora, no Vídeo Show, Maíra Charken volta a exibir suas habilidades de comediante - e lá já se sente como estivesse na sala de sua casa.

NÚMEROS

10 pontos

É a média mensal de audiência alcançada pelo programa desde janeiro; assim, o ibope deste ano se manteve com Monica Iozzi ainda na bancada, depois com Joaquim Lopes (na fase intermediária) e agora com Maíra.

9 pontos

É a média de audiência obtida tanto por Monica Iozzi em sua primeira semana à frente do 

'Vídeo Show' quanto por Maíra Charken também em sua semana de estreia no programa.

Comentários