Jordan Strauss/Invision/AP
Jordan Strauss/Invision/AP

James Spader ainda vive pela surpresa de 'The Blacklist'

Quinta temporada da série começa nesta quinta, 8, no canal AXN

Entrevista com

James Spader

Kathryn Shattuck, New York Times

08 Fevereiro 2018 | 10h07

Apenas três dias antes que The Blacklist estivesse prestes a uma interrupção para o final de ano, James Spader parecia estar, digamos, um tanto quanto longe desse mundo.

“Estou péssimo, desculpe-me”, disse ele, tentando desenredar a trama do enredo que levava o drama da NBC ao 100º na quarta-feira, 17 de janeiro - um testemunho da longevidade da série em uma era de pouca atenção na qual seu leal público, que chega a 8,7 milhões de espectadores todas as semanas, que assistem ao vivo ou o gravam. “Mantenho muitos episódios na minha cabeça ao mesmo tempo, e você poderia até me arrancar e deixar em um planeta diferente.”

A perplexidade de Spader dificilmente surpreende, uma vez que a série é conhecida por sua história bizantina e frenéticos horários de filmagem. Então, eis onde estamos agora: quando a quinta temporada foi retomada no início deste mês, o gênio do crime, Raymond Reddington (Spader) estava dando um tempo à analista de perfis de criminosos do FBI, Elizabeth Keen (Megan Boone), depois do ataque no final de outono. Os acontecimentos desta semana introduzem Nathan Lane no esconderijo como Abraham Stern, um esperto manipulador para recuperar, a qualquer custo, a fortuna que é sua por direito de primogenitura.

Em um telefonema durante uma pausa de um tiroteio, Spader, de 58 anos (completou essa idade esta semana, dia 7, junto com Reddington, os dois do mesmo dia), falou sobre os prazeres de interpretar um provocador e por que agora é hora de as pessoas ficarem quietas e ouvir. Aqui estão os trechos editados da conversa.

O que é necessário para manter uma série por tanto tempo?

Isso depende de quantas idas e vindas alguém consegue criar. Quando terminei de ler o roteiro pela primeira vez, acabei percebendo que sabia menos sobre o personagem do que quando comecei a leitura. E pensei: “que grande jogada é essa - manter um certo aspecto enigmático. Achei que a premissa era perfeitamente engendrada para ir para a qualquer direção e, de alguma forma, encontrar o caminho de volta”.

Como Nathan Lane acabou na série?

Com o passar dos anos, tive uma proximidade grande com Nathan porque compartilhamos um agente. Sou um grande fã dele, e ele tem sido um fã amável e fiel meu. Eu o tinha visto em The Iceman Cometh (num teatro da Broadway em 2015) e Nathan mencionou que adoraria entrar na série. Então, quando seu nome foi sugerido, eu mencionei que eu, pessoalmente, gostaria muito disso. Eu estava sendo tão egoísta quanto podia.

Existe uma mudança que você gostaria de ver no Red?

Uma que seja surpreendente. Vou lhe dizer algo engraçado. Eu não assisti muita televisão enquanto crescia, e antes de fazer Boston Legal, não compreendia o que significava para um espectador aguardar a descoberta do que aconteceria na próxima semana. Há episódios de The Blacklist que são apenas divertidos e outros muito intensos e depois um outro bastante implacável e brutal. Ainda adoro o elemento de surpresa, mesmo para mim.

Muitas vezes você interpreta o provocador, e as pessoas tendem a imaginar que você é seus personagens.

Minha carreira tinha sido dividida de forma bastante equilibrada entre bons e maus personagens até que eu finalmente me desenvolvi o suficiente para interpretar um anti-herói decente, onde você pode combinar os dois lados. Os protagonistas que interpretei tendem a ser pessoas que criam problemas. Ou mesmo que não o façam, certamente perturbam as coisas. É divertido fazer isso na vida também. Mas eu não acho que jamais tenha interpretado a mim mesmo.

Você ficou surpreso ao ler que Charlie Rose foi acusado de pedir a uma funcionária que assistisse com ele Secretária, seu filme sobre um relacionamento sadomasoquista?

Alguém me enviou isso, e eu não sei se eles acharam estranho ou engraçado ou algo assim, mas não estou achando nada engraçado. Não acredito que ninguém na indústria do entretenimento ou na política esteja surpreso com o fato de que esses mundos estão repletos de promiscuidade e irresponsabilidade – e certamente uma falta de responsabilização. Mas o nível de agressão e exploração tem sido imenso. Eu raramente pergunto a um homem sobre o assédio sexual em Hollywood. É um pouco como perguntar a alguém sobre sua perspectiva quando essa pessoa está no meio de uma inundação, você entende? Percebo que as enchentes estão aumentando. E estou um pouco envergonhado de dizer que descobri que são as mulheres que estão dizendo as coisas mais importantes sobre esse assunto, não os homens. Eu acho que os homens devem pensar no tema e ouvir atentamente e talvez aprendamos uma ou duas coisas.

Algum próximo projeto que seja digno de nota?

Oh, céus, não. Não tenho no momento. Ouça, tive muita sorte de trabalhar em todas as condições como ator e adorei. Mas trabalhar em um programa de televisão de uma hora é certamente um trabalho que te engole e se recusa a cuspir.

Então você está gerando um gargalo em algum lugar do trato intestinal dessa coisa?

Eu ainda não estou nem no intestino inferior. Ainda estou sendo consumido pelo ácido do estômago. Se alguém pudesse simplesmente jogar aqui alguns antiácidos, isso seria muito bom./ Tradução de Claudia Bozzo

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