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Jack Bauer está de volta em novo cenário e formato

Clarice Cardoso e Renato Vieira - O Estado de S. Paulo

02 Maio 2014 | 19h 40

Em retorno como minissérie, ‘24 Horas’ se atualiza ao abordar espionagem feita por governos e drones militares

Jack Bauer é mais que um herói, é o símbolo dos anos 2000. Tornou-se um marco da era Bush e das políticas beligerantes dos EUA, especialmente pós-11 de Setembro. Quatro anos depois, o protagonista de 24 Horas precisou se reinventar em mais de um sentido para retornar à televisão.

24 Horas: Viva Um Novo Dia, que estreia na Fox na próxima terça, dia 6, às 22h30, com dois episódios exibidos um dia após terem ido ao ar nos EUA, mostra o personagem vivido por Kiefer Sutherland agora em Londres, anos após fugir de seu país por ter causado uma crise internacional em busca de vingança.

A diferença é que, em vez de ser uma nova temporada, o que temos é uma minissérie de 12 episódios que mantém o formato que ajudou a celebrizar o herói: cada episódio se passa em tempo real. A diferença é que, agora, haverá lapsos de tempo entre os capítulos.

Planos para um retorno de 24 Horas sempre existiram: em 2011, Sutherland e seus colegas negociavam com a 20th Century Fox para levar Bauer ao cinema. Depois de meses em disputa por conta do orçamento, o projeto foi enterrado. "Sempre tivemos a sensação de que a história não havia terminado", afirmou o produtor executivo Manny Coto em entrevista coletiva por telefone de que o Estado participou.

"Com as conversas sobre o filme, era sabido que teríamos mais 24 Horas. Quando a oportunidade de fazer a minissérie surgiu, tínhamos um reservatório de ideias do que teria acontecido a Bauer. O homem que salvou os Estados Unidos várias vezes viu seu país dar as costas para ele."

A escolha da minissérie ressalta a importância que o formato ganhou, especialmente este ano, com as mudanças nos hábitos dos espectadores. De emissoras a serviços sob demanda, todos apostam nas produções com número limitado de episódios, que têm mais chances de engajar a audiência. A safra recente demonstrou padrão de qualidade tão alto que a Academia de Televisão Norte-americana, que promove o prêmio Emmy, voltará a separar as minisséries numa categoria própria, separando-as dos telefilmes. "É uma forma de pegar esse novo público", confessa Manny.

Se os fãs estão felizes com a notícia, quem deve estar exultante é Kiefer Sutherland, que não recebeu boas propostas para a televisão desde o fim de 24 Horas, e não conseguiu emplacar a série Touch, cancelada após duas temporadas. Assim como Bauer, o ator também tem sua chance de redenção.

Da última vez que vimos Jack Bauer (Kiefer Sutherland) no ar, ele fugia por conta de crimes que cometeu contra o Estado e contra os russos. Ao descobrir uma ameaça ao presidente James Heller (William Devane), secretário de Defesa em temporadas anteriores, ele é capturado pela CIA em Londres e, ao escapar, reencontra a parceira Chloe O’Brian (Mary Lynn Rajskub), agora uma hacker trabalhando contra o governo - situação declaradamente inspirada em Edward Snowden.

É assim, tentando se adaptar aos novos tempos, que reencontramos, em 24 Horas: Viva um Novo Dia, o homem que fez fama numa das séries de ação mais aclamadas dos últimos tempos. Mas seu estilo macho-alfa, que busca fazer justiça com as próprias mãos, é algo que pode ter sido superado, preocupam-se fãs e os até os roteiristas e produtores, entre eles o antigo showrunner Howard Gordon, que hoje está em Homeland, mas retoma o trabalho na produção.

"O curioso desta minissérie é que, na verdade, Jack não se encaixa mais neste mundo. É um desafio para ele encontrar seu novo lugar, e é parte do que abordamos nos episódios", explica o produtor executivo Manny Coto. "Jack pode voltar ao que era antes? Ele é um homem que não só foi exilado, mas passou por algo nos últimos quatro anos. Há um mistério em relação ao que ele fez nesse tempo. Houve uma fase em que não era um herói? Ele foi para o lado negro? Não sabemos", completa.

Além de aproximar a personagem Chloe O’Brian da trajetória de Edward Snowden, a produção também incluirá novas questões, como o uso de drones por militares, na tentativa de se adaptar aos novos tempos.

"Muitos desdobramentos políticos aconteceram ao longo dos últimos anos e nos debruçamos sobre eles antes de começar a conceber a minissérie. Especialmente a ideia dos governos espionando seus cidadãos e a questão da tecnologia, e consequentemente, dos indivíduos que tentam lutar contra isso", prossegue Coto. "Queríamos dar à série um sabor de seus velhos tempos, mas também reconhecer as mudanças que aconteceram desde então."

Mais do que as peças no jogo da política internacional, o próprio mercado de TV mudou muito, impulsionado pelas novas formas como consumimos séries. Com isso, as produções com episódios limitados se tornaram a grande aposta do ano. "As séries limitadas são um sucesso, o que nos inspirou. Esperar que a audiência devote 24 semanas consecutivas para uma produção é muito mais arriscado hoje que há dez anos. A minissérie é mais convidativa", explica o também produtor executivo Evan Katz. Por outro lado, explica, isso ajuda a evitar que tramas se estiquem demais, causando cansaço nos fãs.

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"O formato em 12 horas permite realmente condensar o storytelling. Antes, tínhamos que esticar as histórias o máximo possível para preencher os espaços. Agora, estamos comprimindo a ação, e não é raro sentirmos que falta tempo para terminar essas tramas e dar fim à série, o que é muito desafiador. É certamente um modo mais acelerado de contar histórias", relata Coto.

Isso demonstra que 24 Horas: Viva um Novo Dia não quer depender só dos fãs de antigamente para formar seu público. "Não é preciso ter assistido a 24 Horas para entender a nova minissérie, estamos tomando o cuidado de explicar tudo", adianta Katz (leia abaixo fatos essenciais para seguir a série). "Esperamos que esta reestreia crie comentários sobre Jack Bauer, que é em si só um ícone cultural. Se você não conhece 24 Horas, pode ver Viva um Novo Dia para entender porque ele fez tanto barulho", completa.

Ao mesmo tempo, a série quer recompensar os fãs que retornam agora: "Não estamos recomeçando do zero, mas apresentando a fase seguinte na vida de Jack Bauer. E, com o formato de 12 episódios, esperamos que isso se torne algo atraente, um evento único", diz Coto.

QUEM É JACK BAUER

Mortes

Bauer faz o que é necessário em nome do que julga ser o bem comum. Inclusive matar colegas inocentes

Desfecho

Não espere por finais felizes. Bauer quase sempre sofre ou se sacrifica no último episódio

Ocultos

Alguns personagens podem sumir sem que se saiba o que aconteceu com eles ou se foram punidos por seus crimes

Dinâmica

As telas divididas são essenciais no formato da série e trazem reações de vários personagens a um fato

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