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Inspirado por lei, Curta! faz equação de qualidade na TV

Canal que cresceu no bojo da Lei da TV Paga completa 3 anos com uma fila de documentários originais

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Cristina Padiglione,
O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2015 | 05h00

Nascido há três anos, com uma pré-história na internet e breve teste no Now, plataforma sob demanda da Net, o canal Curta! se tornou o mais bem-sucedido resultado da Lei 12.485, a Lei da TV Paga. Com 31 projetos originais aprovados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para os próximos dois anos, já recebeu aporte de R$ 23 milhões do Prodav (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro) e se tornou um espaço de crédito para abrigar documentários, gênero que mal tinha onde se apresentar neste país até muito pouco tempo atrás.

Com produções dedicadas a música, artes plásticas, cinema, literatura, filosofia e fotografia, o Curta! ostenta entre seus próximos títulos créditos como Betse de Paula e Jacques Cheuiche (com a série Luz e Sombra: Fotógrafos do Cinema Brasileiro), Silvio Tendler (Caçadores de Alma, sobre a arte de fotografar) e Alma Imoral; Daniel Augusto (Incertezas Críticas II), Bruno Levinson (série As canções da Minha Vida, sobre as mais importantes músicas brasileiras), Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno (Grandes Cenas, com memoráveis cenas do cinema brasileiro e latino comentadas por seus realizadores) e Philippe Barcinski (Brasil Judaico).

“Dois meses depois que o canal nasceu, em janeiro de 2013, a gente já tinha um formulário online para as pessoas e produtoras submeterem projetos de programas”, conta ao Estado Bibiana Sá, curadora-geral do Curta!. Resultou daí um banco de projetos com mais de 800 títulos. “A Bibiana dirige uma equipe de sete curadores, especialistas em música, artes visuais, arquitetura e design, cinema e metacinema, pensamento e filosofia, antropologia, psicanálise, sociedade (política e história)”, conta o diretor-geral do canal, Júlio Worcman. Cada área tem sua vaga cativa em um dia da semana, na faixa nobre.

No início, o formulário online parecia tentador para qualquer tipo de proposta. Mas esse não seria um YouTube, pronto para abrigar do luxo ao lixo. Logo o filtro se estabeleceria, com um campo importante a ser preenchido, onde o produtor deve argumentar por que aquele projeto é bom para o Curta!.

Como o Fundo Setorial do Audiovisual, da Ancine, pede que o produtor tenha um canal já destinado àquele projeto, o Curta! assina um pré-contrato de licenciamento, caso haja interesse na ideia. Some a isso a obrigatoriedade das operadoras de TV paga em incluir em seus pacotes ao menos 1/3 de canais qualificados brasileiros – aqueles com 12 horas diárias de produções nacionais, sendo metade disso independente –, e a carência do mercado em canais que honrem tais exigências. A legislação que faz do Curta! um canal atraente às operadoras acabou por coloca-lo nos pacotes básicos, o que o leva hoje a uma plateia potencial de 12 milhões de assinantes. Recente pesquisa recente da Net sobre o hábito do assinante em ver novos canais credita ao Curta! um público de 2,5 a 3 milhões de espectadores frequentes.

Sem intervalos comerciais, o canal vive de verba de incentivo da Ancine e assinaturas. Entre os projetos em vias de chegar à tela estão produtoras de renome, como Giros, Raccord e Camisa Listrada. Para a temporada a seguir, a lista inclui Braguinha, de Darcy Burguer; Arquitetos do Brasil, de Herbert Henning; Designers Brasileiros, de Helder Aragão; Estudos da Arte, de Eduardo Goldestein; Por um Triz, de Eduardo Zunza; Imortais da Academia, de Belisário Franca, que também assina No Caminho do Bem e Latitude, Longitude; Encontro com os índios Ipicura, de Mariana Oliva e Renata Terra; Os Programas de Auditório na Televisão, de Darcy Burger, também diretor de A História da Indústria Fonográfica no Brasil, Sua História, Minha Versão, da Giros; Quem Se Importa?, de Mara Mourão; Bike Lovers, de Michelle Chevrand; Retorno à África, de Maria Pereira; e Colecionadores, de Paulo Leônidas.

Muito do que foi ao ar no primeiro ano já chegou pronto. Os primeiros frutos de produções originalmente feitas para o Curta!, até em função dos longos prazos entre a inscrição de um projeto e sua aprovação pela Ancine, vieram a partir de 2014. Hoje, o canal tem 215 horas originais.

O fato de as assinaturas viabilizarem o canal, aliado às leis de incentivo, permite que a programação não descambe para produções irrelevantes. “Isso nos dá uma liberdade de curadoria, que faz com que um canal absolutamente focado em cultura não só sobreviva, como consiga angariar, num tempo muito curto, esse nicho do mercado que estava descoberto”, celebra Bibiana.

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