ZÉ PAULO CARDEAL/DIVULGAÇÃO
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‘I Love Paraisópolis’ se vale de boa dose de pastelão na estreia

Novela abre valorizando cultura da favela e reforça o bom ou mau

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

11 Maio 2015 | 20h57

Novela da Globo em São Paulo, com atores falando sem chiado carioca, já é algum avanço. Caio Castro, Bruna Marquezine, Tatá Werneck e Letícia Spiller fizeram o básico da lição de casa, pelo menos no capítulo de estreia de Paraisópolis. E se é verdade que novela das 7 tem de começar com uma dose de pastelão para cativar a audiência, a direção também fez a sua parte, até com certo exagero. Foi sanduíche na cara, soco na boca, dente de ouro voando, balde de tinta cobrindo o mocinho bem-nascido do Morumbi e até gente despencando do telhado – Alexandre Borges fracassa ao tentar fazer uma ligação clandestina de TV paga.

Responsável pela direção de núcleo, Wolf Maya nunca deixa de estragar um carro em primeiro capítulo. Desta vez, o prejuízo foi distribuído em várias frentes. A pirotecnia, especialmente em novela das 7, é um meio de entregar ao povo o que ele supostamente quer, sem correr riscos.

A ousadia está mais na proposta de Alcides Nogueira e Mário Teixeira de abordar a favela com o que ela tem de bom e de ruim. A novela valoriza o Gaudí de Paraisópolis no cenário recriado no Projac, com bela sequência de Bruna Marquezine e Tatá Werneck entre as pedrinhas edificadas da casa do artista que lá existe de verdade. Mas também apresenta o “chefe” do pedaço, figura que normalmente se impõe como autoridade máxima do local em comunidades do gênero, a quem a taxista tem de pedir licença para passar. 

Com clipe que dá movimento a belas obras de Berbela, outro personagem da Paraisópolis real, a abertura é mais um item que foge com louvor da mesmice. As próprias chamadas que antecederam a estreia fugiram do “mais do mesmo”. 

O melodrama da mocinha da favela e seus intempestivos encontros com o mocinho rico, no entanto, não fogem à regra da trilha sonora melosa. Novela, afinal, até quando ousa, é feita de clichês. Da mesma forma, a maldade é loira de olhos claros, como determina a madame vivida por Letícia Spiller, que há de causar repulsa de imediato – “Odeio tudo que vem dessa favela, menos o pão.” A audiência respondeu bem na prévia do Ibope na Grande São Paulo, com 28 pontos – 4 a mais que Alto Astral, que herdara o horário com ibope bem mais baixo.

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