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‘Here and Now’ estreia com personagens cheios de traumas e dores

Nova série da HBO acompanha um casal progressista, Tim Robbins e Holly Hunter, branco, que tem quatro filhos - três deles adotados em outros países

Mariane Morisawa  , Especial para O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2018 | 06h00

LOS ANGELES - Alan Ball, criador de séries como A Sete Palmos e True Blood, lembra-se bem de como foi o dia depois da eleição presidencial americana em novembro de 2016. “Muita gente estava chorando. Muito álcool foi consumido”, disse ele em entrevista ao Estado, em Los Angeles, referindo-se a seu novo trabalho para a HBO, Here and Now, que estreia neste domingo, 11, à meia-noite, no Brasil, simultaneamente aos Estados Unidos. 

A vitória de Donald Trump provocou mudanças na série, algumas pequenas, como alguém dizer que não existia mais machismo porque uma mulher era presidente. Outras foram mais profundas. “Vimos que havia uma oportunidade de falar disso, escrever sobre como isso afeta as pessoas, especialmente os progressistas e os que se consideram guerreiros da justiça social. O que fazer quando se perde? Como continuar? Como encontrar sentido na vida? No fim, como estar aqui e agora?”, completou, referindo-se ao título da série. Tim Robbins se apaixonou pelo roteiro assim que leu. “Alan Ball escreve sobre uma família, mas também sobre nós, quem somos enquanto país”, disse. 

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Here and Now sempre foi uma série sobre um casal progressista, branco, que tem quatro filhos, três deles adotados em outros países. Greg (Tim Robbins) é um professor de filosofia deprimido. Sua mulher Audrey (Holly Hunter) é advogada. Os dois idealistas adotaram o vietnamita Duc (Raymond Lee), a liberiana Ashley (Jerrika Hinton) e o colombiano Ramon (Daniel Zovatto) e têm uma filha biológica, a adolescente Kristen (Sosie Bacon, de 13 Reasons Why e filha de Kevin Bacon e Kyra Sedgwick). A família mora em Portland, que não foi escolhida por acaso. “A cidade é considerada um bastião do progressismo. E é”, disse Ball. “Mas também não é uma cidade muito diversa em termos de etnias, tem uma história feia em termos de relações raciais. Achei que seria bom explorar essa dicotomia.”

Para a atriz Jerrika Hinton, era uma oportunidade de explorar coisas diferentes. “Nunca tinha visto uma personagem como ela, que cresceu nessas circunstâncias e nunca viu reflexo de si mesma na família ou na comunidade. Isso é fascinante, por que como formar sua identidade?” Já Ramon lida com o fato de ser considerado latino e às vezes não ser por não se encaixar no estereótipo.

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“Discutimos isso: o que significa ser latino?”, questionou Zovatto, que nasceu e foi criado na Costa Rica. Já Kristen se acha menos bacana por ser branca. “Ela fica perturbada de não ser de outra raça sem entender o que significa ser de outra raça”, disse Bacon. “É uma maneira muito interessante de discutir o privilégio branco. Porque se você é branco não tem ideia da vantagem que tem só por ser branco.” 

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Ramon também começa a ter visões. O que elas significam é algo que a série vai explorar, mas o produtor Peter Macdissi esclarece que não se trata de um fenômeno sobrenatural. “É místico”, ele disse. Ball completou: “As coisas não estão acontecendo na realidade. Ramón viu, é verdade, mas é algo que está acontecendo na sua mente ou na sua alma”.

A série também aborda vários outros assuntos, de supremacistas brancos a depressão. “Fiquei pensando muito no que é ser alguém como Greg, tão desiludido, neste momento”, disse Robbins, ele próprio um ativista. Em seu discurso de aniversário de 60 anos, Greg demonstra toda sua desilusão com o atual momento. “Me fez pensar muito em raiva e se isso é produtivo ou não. Ele está num nível profundo de frustração e impotência. Sinto que há duas maneiras de lidar com esse desafio: opor-se completamente, e esse sentimento toma conta da sua vida, ou saber que sua oposição não vai mudar tudo e encontrar maneiras de transformar as coisas na sua vida ou na sua comunidade”, acrescenta. 

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