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Farrell Meisel afirma que novelas não vão acabar

No País para debater TVs emergentes, executivo afirma que baixa audiência não dará fim às tramas no cenário brasileiro

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João Fernando,
O Estado de S.Paulo

04 Junho 2014 | 02h00

A queda de audiência contínua das novelas tem sido motivo de dor de cabeça para as emissoras brasileiras. “Mas não vão acabar. Na vida, há algumas certezas como a morte, o pagamento de impostos e as novelas”, afirma Farrell Meisel, que há 20 anos dá expediente como executivo em canais dos EUA, Alemanha, Singapura e até Afeganistão e fala hoje, às 14h30, no Fórum Brasil de Televisão, no centro de convenções WTC.

O norte-americano, que atualmente faz parte da The Global Agency, empresa que exporta formatos para mais de 40 nações, veio ao País para contar a experiência em mercados de TV emergentes, como Israel e Turquia. Admirador da produção nacional, ele reconhece uma mudança nos hábitos dos telespectadores. Entretanto, não vê o fim da novelas.

"Elas fazem parte da cultura desde a época do rádio. O público está envelhecendo, sim, mas é preciso prestar mais atenção na fragmentação dos canais. As novelas brasileiras são fortes como a seleção de futebol de vocês. Há muita gente criativa trabalhando nesse mercado. Talvez, passem a produzir menos”, aponta. Para Meisel, de 58 anos, as tramas andam mais bem cotadas no exterior. "Vocês têm uma indústria dinâmica, que todos nós (estrangeiros) respeitamos. Têm reputação, já ganharam o Emmy. Eu já estive no Projac. Vocês competem com os melhores do mundo. O desafio agora é cumprir a cota de programação nacional e fidelizar os telespectadores”, diz ao Estado, por telefone.

O xodó do norte-americano são as produções turcas, que, segundo ele, vêm ganhando espaço no mundo. Por serem feitas em uma nação de maioria muçulmana, são bem recebidas em outros territórios com a mesma religião. "As novelas e séries deles competem hoje com as latinas. Estão para aquele país assim como o chocolate para a Suíça. Estamos tentando vender uma para o Chile, agora", conta ele, que negocia dramas da Turquia em sua agência.

Egresso de canais como a HBO, no EUA, Farrell Meisel aprendeu mesmo a fazer televisão quando fundou emissoras do zero na Rússia pós-comunismo e no Afeganistão, para onde foi quando o regime talibã acabou. "As pessoas queriam ficar em casa. Era perigoso sair na rua à noite. E eles queriam entretenimento. Com algo local é melhor, pois elas se identificam", explica ele, cuja carreira se iniciou em uma emissora pequena em Nova Orleans. “Minha base é toda de TV local”, reforça.

Com a ideia de que o telespectador quer ver seu reflexo na programação, ele não tem a visão pessimista de que serviços de vídeo sob demanda vão acabar com a TV linear. "O Netflix vai salvar a TV e não as operadoras com multicanais. Dessa maneira, você pode ver as caras locais em outro lugar. É só uma outra maneira de assistir."

Meisel observa que a complicação vem dos DVRs, que gravam os programas para que a pessoa assista depois, pulando os comerciais, principal fonte de renda das emissoras. "Eu estou tão acostumado que outro dia estava vendo um programa ao vivo e fiquei tentando passar os anúncios”, diverte-se. "Talvez, por isso, haja tanto product placement (anúncio inserido em produções de ficção). Essa é uma questão internacional que nós da TV temos de pensar juntos."

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