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ESPN mantém transmissões à beira-mar em Copacabana

João Fernando - O Estado de S. Paulo

26 Junho 2014 | 21h 00

Emissora aposta em estúdios com estrutura trazida dos EUA

RIO - Em meio aos cariocas e turistas que caminham com roupa de banho em direção à Praia de Copacabana, um grupo de gringos tem cruzado o calçadão munido de casacos. São os funcionários estrangeiros dos canais ESPN dos EUA e países latinos, que passam o dia em uma gelada sala de controle, de onde monitoram em dezenas de telas na parede tudo o que é transmitido por uma das estruturas de 600 m² montada à beira-mar.

"É quase um frigorífico, por isso venho com a minha jaqueta", confessa o vice-presidente de produção da emissora, Jed Drake. O norte-americano é o responsável pelo comando dos cerca de 300 produtores, apresentadores, cinegrafistas e outros profissionais que vieram ao País para a cobertura da Copa.

ESPN/Divulgação
O apresentador Ciro Procuna e o ex-jogador Santiago Solari entram ao vivo de Copacabana

Dezenas de programas em inglês, espanhol e português entram no ar ao vivo de estúdios suspensos, montados sobre andaimes de ferro rentes ao prédio do Clube Marimbás, um dos pontos disputados para quem assiste à queima de fogos no réveillon. Há ainda câmeras a postos no topo da construção e em um píer próximo ao grupamento marítimo, onde há um campo pequeno de futebol que serve apenas de cenário, cujo fundo é o Pão de Açúcar. De lá, apresentadores e repórteres abastecem a programação dos canais ESPN e até o Good Morning America, uma das atrações de mais audiência da rede aberta ABC, pertencente à Disney, do mesmo grupo que a emissora esportiva.

O prédio temporário levou 44 dias para ser erguido antes de a Copa começar. "E vai acabar dez dias depois de o mundial terminar. Esta construção foi desenvolvida e feita em Los Angeles. Colocamos todo o equipamento para ver se daria certo. Desconstruímos e colocamos em um navio para trazer para cá", contou Drake ao Estado.

ESPN/Divulgação
A sala de controle da ESPN em Copacabana de onde são geradas imagens para EUA e América Latina

O acesso ao clube teve segurança redobrada. Os sócios continuam a circular, porém, perderam temporariamente a vista para o mar de Copacabana. É raro ouvir alguém conversar em português pelos corredores e intermináveis degraus da filial carioca da ESPN, devidamente sinalizada com placas em inglês.

"Ih, não estou andando pelo lado certo", desculpa-se o britânico Michael Davies por não seguir a recomendação de manter-se à direita na escada. Com o conterrâneo Roger Bennett, ele comanda o Men in Blazers, exibido nos EUA, em que a dupla tira sarro das figuras da Copa - incluindo Neymar - com seu humor inglês. Os dois ancoram a atração em um estúdio com menos de 4 m², usado para locuções de outros programas.

Diferenças na dinâmica de trabalho do brasileiro e a fama da falta de organização no País não foram um problema. "Fazer uma Copa aqui não é tão diferente quanto em outros países. É preciso lembrar de nossos recursos mais importantes: paciência e tempo. A infraestrutura no Brasil deixa as coisas mais difíceis, mas não impossível. Você tem de ficar focado, não deixar as emoções tomarem conta. E, assim, as coisas acontecem. Talvez não no cronograma que nós americanos temos de fazer tudo imediatamente. Mas nada é simples, há muitos detalhes e negociações", afirma Jed Drake.

ESPN/Divulgação
Os estúdios ficam suspensos sobre andaimes trazidos de Los Angeles

As manifestações tampouco assustaram o canal, que havia escolhido Copacabana para montar os estúdios em 2011. "Não tivemos medo. Sentimos que conseguiríamos fazer nosso trabalho. O protestos têm questões legítimas e as pessoas querem ser ouvidas. Isso deve ser respeitado. Não chegou o nível que pensei que fosse nos afetar nem o campeonato."