MAURICIO FIDALGO/TV GLOBO
MAURICIO FIDALGO/TV GLOBO

Depois de longa, 'Sob Pressão', de Andrucha Waddington, vira seriado

Nova série se aprofunda nos dramas da dupla central

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 06h00

Quando se fala em série médica, é muito comum se buscar como referência produções americanas como ER, Grey’s Anatomy, House, Chicago Hope, entre outras.

Mas esqueça de todas elas ao assistir à nova série Sob Pressão, prevista para estrear na Globo em julho. A realidade retratada no seriado brasileiro, que tem direção geral de Andrucha Waddington, é bem diferente das americanas ao ter como cenário um hospital público da periferia do Rio – mas que poderia ser de qualquer grande cidade do País. 

“As pessoas têm uma noção do que seja uma série médica americana, mas não tem nada a ver. Essa é a grande surpresa. É tudo diferente: os problemas são outros, a realidade é outra. É diferente não só pela precariedade, como pela solução criativa, pelo tipo de doença”, observa Jorge Furtado, que assina a redação final da série e escreve os episódios com Lucas Paraizo, Antonio Prata e Márcio Alemão. 

Andrucha reforça essa ideia. “O dr. Evandro (Júlio Andrade) é um MacGyver (personagem de TV famoso por resolver problemas usando objetos comuns). No primeiro episódio, ele usa uma mangueira de jardim para fazer um dreno, porque acabou o dreno no hospital”, conta o diretor. “A série é um retrato da situação da saúde pública brasileira através do olhar dos médicos. Essa é a toada da série: de dificuldade e jeitos que eles dão para lutar pela vida dos pacientes. São histórias trágicas, tristes, bonitas, de tudo um pouco. Aqui o desafio era esquecer o que se viu em série americana e fazer a série brasileira. A referência nossa era a pesquisa de campo”, completa o diretor, que, com a série, faz seu primeiro trabalho de ficção na TV aberta. 

Na teledramaturgia brasileira, constam poucas produções do gênero, como Mulher (1998-1999), com Patrícia Pillar e Eva Wilma, e S.O.S. Emergência (2010), com Bruno Garcia e Marisa Orth, ambas na Globo; e, mais recentemente, Unidade Básica, com Caco Ciocler vivendo também um médico que atua na periferia, exibida no canal Universal. Com 9 episódios, Sob Pressão é um desdobramento do filme homônimo, dirigido por Andrucha, que estreou nos cinemas no ano passado. 

No longa, a trama se desenvolve durante um dia de tensão para a equipe médica liderada pelo dr. Evandro (Júlio Andrade), após um tiroteio numa favela próxima do hospital. Trabalhando ali há anos, Evandro enfrenta as condições precárias do local com devoção. Chega então a dra. Carolina (Marjorie Estiano), que trabalhou no Haiti. E logo os dois mostram ter modos diferentes de pensar.

Em Sob Pressão, a série, Evandro e Carolina estão de volta – assim como os atores que os interpretam –, mas, agora, com seus dramas pessoais aprofundados. A história de seus pacientes também será revelada. “Os pacientes trazem um drama para cada episódio. Então, sempre tem de dois a quatro dramas por episódio, que fecham um arco vertical, e o arco horizontal ao longo dos 9 episódios são as histórias do elenco fixo”, explica Andrucha. “É muito legal você poder trazer para a reflexão do espectador questões que passam por fatos pessoais que vão parar naquele hospital. Então, se fala de abuso, de aids, de violência doméstica. É um universo rico para você abordar essas questões humanas.”

A série é uma coprodução da Globo com a Conspiração Filmes, criada por Luiz Noronha, Claudio Torres e Renato Fagundes a partir de uma ideia original de Mini Kerti, livremente inspirada no livro Sob Pressão – A Rotina de Guerra de um Médico Brasileiro, do médico Márcio Maranhão. Com ampla experiência nessa área, Maranhão, assim como no longa, é consultor na série e levou a equipe de roteiristas liderada por Jorge Furtado a campo, por hospitais públicos. “As histórias são baseadas em fatos reais. Todas são modificadas, mas aconteceram de algum jeito”, diz Furtado.

Algumas são tão inacreditáveis que parecem ficção, constata ele. Como o caso da senhora que foi de ônibus ao hospital sentindo uma pontada nas costas e lá descobriu que tinha uma bala de fuzil no coração. 

Furtado não participou do roteiro do longa, que foi assinado por Renato Fagundes e Leandro Assis. Mesmo assim, a equipe de roteiro da série partiu do seguinte ponto: não desmentir em nada o filme. “Tínhamos liberdade total para fazermos o que quiséssemos, mas a gente partiu do pressuposto que o filme vai passar na TV e as pessoas vão ver a série”, explica ele. “Mas, com esse limite de não desmentir, a gente inventou todo o resto, coisas que não tinham no filme.” Ainda não há confirmação da 2.ª temporada, mas Furtado diz que eles já estão trabalhando na ideia dela. 

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