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Catherine Zeta-Jones se desglamouriza em 'A Rainha da Cocaína'

Filme do canal pago Lifetime traz a atriz na pele da traficante Griselda Blanco

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

12 Abril 2018 | 11h01

Catherine Zeta-Jones, uma das maiores estelas da virada do século, com papéis em A Máscara do Zorro (1998), Traffic (2000) e Chicago (2002), pelo qual ganhou o Oscar de coadjuvante, andava meio desanimada com a carreira de atriz. “Constantemente pensava: ‘Quero realmente ficar longe dos meus filhos para fazer esse papel no Marrocos?’ Não?’. Então não fazia. Eu tinha perdido o medo, a paixão, a expectativa e o amor pela arte de atuar”, disse a galesa de 48 anos em entrevista em Pasadena, na Califórnia. “Griselda me devolveu tudo isso.” Griselda é a colombiana Griselda Blanco, a personagem principal de A Rainha da Cocaína, filme dirigido pelo mexicano Guillermo Navarro (diretor de fotografia de O Labirinto do Fauno) que estreou na quarta, 11, no canal pago Lifetime, com reapresentação no sábado (14), às 22h.

Zeta-Jones topou com Griselda Blanco ao assistir ao documentário Cocaine Cowboys, em que vários traficantes, muitos cumprindo prisão perpétua, falavam com adoração da "Madrinha", como a chefona do tráfico era conhecida. Criada em Medellín, onde Pablo Escobar se consagrou na mesma época, Blanco foi pioneira no transporte de drogas para Miami, que virou a capital da cocaína nos anos 1980. “Sou contra seus valores e sua moral. Mas como mulher tenho de admirá-la por ter sido capaz de fazer o que fez, sendo de Medellín, não a Medellín de agora, mas um lugar muito pior. Uma mulher que veio do nada, que sofreu abuso sexual, que

não tinha educação.”

Quase não havia imagens de Griselda, que passou boa parte de sua vida escondida. Nenhum vídeo. A atriz achou fotos dela mais velha, já de volta à Colômbia, um pouco antes de ser morta, em 2012. “Na imagem, ela era essa avozinha, ia à igreja. Mas eu não conseguia comprar aquilo”, disse Zeta-Jones. “Era tudo parte de sua mente sociopata, querendo mostrar que era boa agora. Era uma

manipuladora. Qualquer ator mataria para interpretar alguém assim.”

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Para vivê-la, Catherine Zeta-Jones despiu-se do glamour. Sem maquiagem, descabelada, envelhecida, está bem longe da imagem de diva que carrega. “Foi libertador”, afirmou. Mas Griselda Blanco, segundo ela, se achava glamourosa quando era mais jovem, usando maquiagem, unhas compridas e tudo o mais. “Acredito que em sua cabeça ela era a estrela de seu próprio filme”, contou.

“Ninguém dá a seu filho o nome de Michael Corleone se não estiver vivendo num filme. E isso mostra o cérebro sociopata desta mulher.” Vito Corleone da vida real, a traficante é acusada da morte de mais de 200 pessoas. Seu cachorro chamava-se Hitler. Para interpretá-la, Zeta-Jones disse ter seguido o conselho do marido, Michael Douglas. “Não faça muito. Você é mais aterrorizante

quando não faz nada”, contou a atriz, gargalhando.

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