André Schiliró
André Schiliró

Caio Castro fala do filme ‘Travessia’, da novela ‘Novo Mundo’ e das polêmicas na sua carreira

"Encaro leitura como um escopo de estudo", diz o ator em entrevista ao Estado

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2017 | 04h00

Em 2012, o ator Caio Castro – que vive dom Pedro I na novela Novo Mundo, na Globo, e é coprotagonista em Travessia, filme dirigido por João Gabriel – tirou um ano sabático para viajar para fora do País. Ele não sabia o que era tirar férias desde que entrou na televisão em 2008, quando participou de um concurso para ator no Caldeirão do Huck. “Fiquei cinco anos trabalhando sem parar. Sem férias, quase sem folga, ralando todos os dias. Vieram novela, comerciais, reconhecimento na rua, cobrança, início de uma estabilidade financeira, certezas e dúvidas”, conta ele no livro É Por Aqui Que vai Pra Lá – Viagens Por um Ano Sabático, lançado ano passado pela Globo Livros.

E foi durante o turbilhão de compromissos com a carreira – que abraçou meio que por brincadeira – que Caio Castro se envolveu em algumas polêmicas que o marcaram desde então. A última aconteceu no ano passado, na véspera do réveillon em Trancoso, na Bahia, quando agrediu um fotógrafo que entrou na Justiça pedindo uma indenização de R$ 100 mil por danos morais.

“Às vezes, damos respostas curtas para perguntas rápidas e sem muita intenção e talvez tenha sido isso que caracterizou uma má interpretação desse comentário”, explica ele, em relação a uma dessas polêmicas na entrevista exclusiva ao Estado, por e-mail.

Na dramaturgia, alguns atores já fizeram dom Pedro I: Tarcísio Meira, Gracindo Júnior e Marcos Pasquim. Você chegou a ver algum destes trabalhos? Qual Pedro I você está compondo? 

O personagem foi criado a partir de um consenso entre mim, Vinícius (Coimbra, diretor geral), Thereza e Alessandro (Marson, escritores). O sotaque foi um ponto bastante relevante e cuidadosamente escolhido. O conhecimento mais atilado sobre os monarcas, achei em dois livros que me deram suporte nessa pesquisa... Um deles é o 1822, de Laurentino Gomes. O outro é A Carne e o Sangue, de Mary Del Priore, que relata em ricos detalhes o triângulo amoroso entre dom Pedro, Leopoldina e Domitila (Marquesa de Santos). Fiz a opção de não assistir a nenhum dos trabalhos.

O diretor de Travessia, João Gabriel, ficou bastante inseguro, quando já o tinha escalado para o filme, por causa do seu envolvimento em polêmicas na época. Pensou em sair do filme? O que aprendeu com o convívio com João Gabriel?

Nunca pensei em sair do filme. Durante o processo de Travessia, eu e João já falávamos de outros projetos juntos no futuro. Aprendi e aprendo com ele até hoje, existe uma troca boa na nossa relação. 

Você tinha declarado que não gostava de ler, mas, para interpretar dom Pedro I, teve que ler alguns livros. Então, tomou o gosto pela leitura?

Às vezes, damos respostas curtas para perguntas rápidas e sem muita intenção e talvez tenha sido isso que caracterizou uma má interpretação desse comentário. Honestamente, encaro a leitura como um escopo de estudo.

Por que você se envolve em tantas polêmicas, como a última, no final do ano passado, em que agrediu um fotógrafo em uma festa em Trancoso, na Bahia?

Sobre a confusão na Bahia, expliquei exatamente o que aconteceu em minha página no Facebook durante um ao vivo de 40 minutos.

Você foi agredido nas redes sociais com comentários homofóbicos, por postar fotos com seus amigos no Instagram: “Sou hétero, mas se fosse homo?”. Mas também fez declarações dizendo que gosta de sua fama de “pegador” para não ser “taxado de veado”. Afinal de contas, o que pensa a respeito?

Acho que esse é o problema do ser humano, pensar que a opção sexual diferente da sua é uma anomalia. Quando respondi o comentário do seguidor na minha rede social, foi realmente para saber qual seria o problema, eu sou hétero, mas, se fosse homossexual, ele se sentiria melhor do que eu? 

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