Brasileiro faz trilha da nova série americana 'Halt and Catch Fire'

Gabriel Dib tem música original no piloto do novo show da rede americana AMC, que retrata revolução do computador pessoal

Clarice Cardoso, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2014 | 07h00

São vários os fatores para prestar atenção em Halt and Catch Fire, série que estreia neste domingo, 1º, nos EUA. A começar pelo canal que a produz, o AMC, que também esteve por trás de nada menos que Breaking Bad e Mad Men. Segundo, pelo seu protagonismo: apesar de só ir ao ar na tevê tradicional agora, a produção estreou no último dia 19 na rede social Tumblr, algo inédito no meio.

A ligação com a tecnologia faz-se óbvia já no enredo da produção, que se passa nos anos 1980 e retrata o início da revolução causada pelo computador pessoal. É nesse contexto que um trio curioso assume riscos pessoais e profissionais no anseio de construir o primeiro PC que mudará o mundo – o título é uma referência a um comando que pode fazer com que o processador pare de funcionar. 

E, para os ouvidos atentos, há uma curiosidade a mais: composições do brasileiro Gabriel Dib, que está na equipe responsável pela música da série – caso de que pouco se ouve por aqui. 

“Apareço num momento curioso do piloto, ao fundo de uma cena de sexo de dois importantes personagens”, adianta Dib, que trabalha com o reconhecido compositor Paul Haslinger. Foi graças ao supervisor musical Thomas Golubic (de The Walking Dead e Breaking Bad) que sua canção foi parar ali. “Ele por acaso soube que eu tocava piano, e me pediu uma peça de Chopin. Gravei, mandei para ele e ele usou, para depois pedir uma de Beethoven. Foi assim que uma música original minha acabou na série.” 

Hoje com 33 anos, Dib mudou-se para os EUA em 2011 para fazer um mestrado no Columbia College de Chicago com experiência em comerciais e o sonho de entrar na indústria do cinema. Graças ao trabalho com compositores, vai traçando seu caminho no mercado. “É muito comum a relação mestre e aprendiz entre os compositores de cinema e televisão. Você se torna uma extensão de pessoas já estabelecidas e o aprendizado é enorme. Trabalhei com outros quatro músicos antes do Paul”, diz. 

Mas como a música vai parar exatamente na cena que vemos? “Os episódios passam por uma bateria de aprovações e chegam para a gente quando estão muito próximos do que irá ao ar. Aí, desenvolvemos as composições e as enviamos para os produtores, que fazem seus comentários e pedidos”, esclarece o músico, ao relatar como perdeu sua primeira ilusão: a de que há muito tempo para trabalhar em grandes produções. Isso porque a equipe teve apenas de fevereiro a maio para fazer os dez episódios de Halt and Catch Fire, o que dá cerca de 150 minutos de música. “Quando trabalhei com o compositor de The Walking Dead, às vezes ele tinha três dias para criar 40 minutos.” 

“Você passa de três a seis semanas desenvolvendo a música para o primeiro episódio, porque é ela que dará o tom, a identidade sonora, o estilo do que virá a seguir. A partir do momento em que isso está criado, você depois vai elaborando e redesenhando aquilo nos próximos episódios. Não é como se fosse preciso criar algo do zero para cada capítulo”, explica. 

Além do privilégio colateral de já ter visto toda a temporada de Halt and Catch Fire – sobre a qual ele nada revela –, Dib diz que seu trabalho permite desfrutar o melhor lado da série. “Vim para cá fazer cinema, e o nível de uma produção como essas é equiparável a ele. Além disso, são profissionais que estão envolvidos nas duas indústrias”, diz ele, que participará agora de um filme sobre um treinador de um time de futebol. 

Outro projeto dele que veremos em breve é a música de The Messengers, que será produzido no segundo semestre deste ano. “Escrevi 15 minutos de música para o primeiro episódio. Gosto de pensar que fui um dos responsáveis por a temporada e ter sido comprada pelo canal.”

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