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‘Better Call Saul’ retorna para segunda temporada com drama e humor

Novo ano da série que se passa antes de ‘Breaking Bad’ mantém confronto entre ética e malandragem

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Pedro Antunes,
O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2016 | 16h00

Afinal, quem é Saul Goodman, o adorável e canalha advogado que ciceroneou Walter White na sua transformação de professor de química a imperador da produção de metanfetamina. Alívio cômico em Breaking Bad, cujos temas soturnos e sombrios, como a presença constante da morte, eram dominantes, o personagem de Bob Odenkirk era capaz de irradiar um pouco de luz até nos momentos mais improváveis.

Era fácil seguir assim em uma série derivada de Breaking Bad, esmiuçando outros casos que passaram pelo escritório de Goodman. Comédia seria jogo ganho. A história de origem do personagem, contudo, decidiu ir por outro caminho. Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, ao lado de Peter Gould, trocaram o humor pelo drama. E, uma bem-sucedida primeira temporada, exibida nos Estados Unidos pelo canal por assinatura AMC (aqui, os episódios chegam pelo serviço de TV por streaming Netflix, semanalmente), reuniu indicações nas mais importantes premiações da televisão norte-americana, como Emmy e Globo de Ouro, e a confirmação para uma nova temporada.

É verdade que o fim do ano de estreia de Better Call Saul deixava tudo em aberto. O carro velho dirigido pelo personagem, ao som de AC/DC, seguiu em direção ao horizonte. Ou seja, poderia seguir direto para o início de Breaking Bad ou ao início da segunda temporada. Por fim (e para a sorte dos fãs conquistados por Saul nesse caminho), a última opção foi a escolhida.

Iniciada na última terça-feira, 16, a segunda temporada de Better Call Saul mostrou mais da genialidade de Gilligan em pôr na tela apenas o necessário. Logo na primeira cena, fica escancarado que algo fora escondido naquele capítulo final do ano anterior. Uma janela temporal definidora para o seguimento da história. Mas, afinal, quando o Saul Goodman que conhecemos vai surgir novamente?

Existem relances daquela personalidade, mas nada de substancial. Antes de existir o profissional canastrão, houve James “Jimmy” McGill, um aspirante a advogado cujo passado traz um gosto pelas trapaças e golpes. Assim como em Breaking Bad, Better Call Saul é a história de desconstrução do protagonista. White assume a atitude dura e cruel de Heisenberg, persona adotada por ele quando entra para o tráfico. O mesmo acontece com a transformação de McGilll. A série derivada, contudo, parte de um personagem mais complexo e destroçado.

E o fim da primeira temporada é daqueles de se contorcer por dentro. Jimmy, sempre prestativo, percebe que é boicotado pelo próprio irmão, advogado de sucesso. Surpreendente. Quando o fundo do poço já está próximo, Gilligan mostra que o telespectador estava enganado. Há mais escuridão para se perder, até o ressurgimento como Goodman.

Odenkirk não está mais sozinho debaixo desse holofote, contudo. Personagem querido dos fãs de Breaking Bad, Mike Ehrmantraut, interpretado por Jonathan Banks, ganha mais destaque neste ano. Em um episódio específico do primeiro ano de Better Call Saul, foi-nos apresentado o motivo pelo qual o policial Mike deixou de exercer sua profissão, evidenciou as cicatrizes que ele carrega no coração, com a morte do filho, também policial, e estabeleceu uma nova série de camadas a serem exploradas nos próximos episódios. A presença do personagem nas fotos clicadas para a divulgação da série, como essa ao lado, já entrega que a figura do atualmente guarda-costas será mais presente. Um novo acerto.

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