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BBC desconhecia crimes sexuais de ex-apresentador, mas eram acobertados por medo

Funcionários sabiam de denúncias de que Jimmy Savile abusava sexualmente de fãs mas não as levavam adiante

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REUTERS

25 Fevereiro 2016 | 18h23

LONDRES - A rede de televisão britânica BBC falhou muito em relação a Jimmy Savile, o falecido apresentador que mais tarde se descobriu ser um dos maiores molestadores sexuais da Grã-Bretanha, afirmou o relatório de uma ex-juíza divulgado nesta quinta-feira.

O documento diz que membros do alto escalão da rede não foram informados do que ele fazia por causa de uma cultura empresarial que leva os funcionários a temerem fazer queixas, especialmente a respeito de astros conhecidos internamente como "O Talento".

Em 2012, a polícia britânica disse que Savile, uma das maiores celebridades do país nos anos 1970 e 1980, abusou de centenas de vítimas, a maioria meninos e meninas, ao longo de seis décadas, até sua morte em 2011, aos 84 anos de idade. Os abusos ocorreram nas dependências da BBC e em hospitais onde Savile era louvado por suas ações de caridade.

O relatório desta quinta-feira, elaborado por Janet Smith, ex-juíza da Corte de Apelações, e encomendado pela BBC, que é financiada com dinheiro público, concluiu que Savile abusou de 72 vítimas ligadas à sua atuação na BBC ao longo de quase 50 anos. Entre seus crimes estão o estupro de um menino de 10 anos e de uma menina de 13 anos.

"Estes acontecimentos serão uma fonte de tristeza e vergonha profundas para sempre", disse Rona Fairhead, presidente da BBC Trust, o organismo que administra o canal, em um comunicado no qual acata todas as conclusões do relatório e pede desculpas às vítimas.

Rona disse que, embora os eventos estejam no passado, despertaram sérios questionamentos sobre a cultura da BBC que continuam relevantes. Ela anunciou medidas para reformar a cultura interna da empresa.

Janet Smith disse que, embora alguns funcionários tenham falado sobre a conduta de Savile, esses relatos nunca foram levados adiante devido a uma cultura de "não se queixar sobre nada". Os empregados relutam em dizer qualquer coisa à administração que possa "abalar as estruturas" por medo de que isso prejudique suas perspectivas profissionais ou até cause sua demissão.

Existia uma cultura ainda mais enraizada de deferência em relação ao "Talento". "Os indícios que ouvi dão a entender que o Talento era tratado com luvas de pelica e raramente era questionado", afirmou a juíza.

"A BBC precisa mostrar ao público que está levando as críticas atuais a sério e que fez, ou está fazendo, as mudanças necessárias e apropriadas para que estes acontecimentos terríveis não possam mais ocorrer."

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