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Mario Anzuoni|Reuters

ENTREVISTA: Lori Loughlin

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Atriz Lori Loughlin está no melhor momento da sua carreira

Ela atua em 'When Calls the Heart' e 'Full House'

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Ian Spelling - THE NEW YORK TIMES

28 Fevereiro 2016 | 19h31

Lori Loughlin anda em alta: está em When Calls the Heart, série do Hallmark Channel, cuja terceira temporada começou em 21 de fevereiro, e repetirá o papel de Tia Becky, em Fuller House,que Netflix lançou no dia 26. Além disso, é produtora e estrela do sexto filme para a TV, Garage Sale Mystery, ainda inédito, também para o Hallmark.

É mais um período agitado de uma carreira de 35 anos com sucessos que incluem uma participação longa na novela The Edge of Night (1980-1983), além de papéis em filmes, seriados e especiais para a TV como Admiradora Secreta (1985), De Volta À Praia (1987), Três É Demais (1988-1995), Casos de Família (1992), Seinfeld (1997), Summerland(2004-2005) e 90210 (2008-2012).

“Eu me lembro de chegar a dizer para a minha mãe que, quando chegasse aos 50, não estaria trabalhando muito; já estaria começando a pensar na aposentadoria e ela retrucava, tentando me garantir que sempre teria trabalho”, conta a atriz, hoje com 51, casada e com duas filhas, por telefone, de um hotel em Vancouver.

“Bom, minha mãe é uma otimista inveterada e sempre foi minha fã número um, mas nunca deixou de acreditar que eu estaria sempre sendo requisitada e me dando bem. Não sei por que achava isso; já eu sempre pensei o contrário. Estranho, mas a verdade é que ainda parece um sonho. E está sendo ótimo, claro, em todos os aspectos.”

When Calls the Heart se passa no Canadá, no início do século 20, e traz Lori como Abigail Stanton, mulher que perdeu o marido e o filho num acidente em uma mina. É a melhor amiga da protagonista, Elizabeth Thatcher (Erin Krakow), professora que saiu da cidade grande para morar e trabalhar na cidadezinha de Coal Valley.

A série não é um sucesso estrondoso, mas a atriz garante que tem fãs fiéis e sinceros.

“O número de seguidores está crescendo; já criaram até uma hashtag, #Hearties, e agitam bastante. A primeira temporada foi mais complexa, tinha muito detalhe e tal, então demorou para decolar, mas acabou conquistando o pessoal, que é superativo nas redes sociais. Escrevem cartas para o Hallmark, fazem cordões de corações e mandam também. Tudo o que os fãs podem fazer para mostrar apreço. Na verdade, em grande parte foi por causa deles que seguimos para a segunda temporada.”

“Entendo perfeitamente essa devoção. Sou do elenco e vejo a série. Não sei nem direito como explicar, mas tem alguma coisa em When Calls the Heart que toca fundo na gente, no coração, na alma mesmo. Vejo e me acabo de chorar. Sou superemotiva.”

“Mas também dou risada, principalmente quando me lembro que ali são atores, gente que eu conheço e com quem bato papo entre uma cena e outra.”

“A verdade é que a trama atrai vários tipos de público; tem um pouco de tudo, para a criançada, os pais, os mais velhos. É um projeto maravilhoso.”

A terceira temporada abre com Abigail se aproximando cada vez mais do pastor Frank (Mark Humphrey), mas uma revelação sobre o passado dele vem à tona, ameaçando não só acabar com a relação dos dois como lhe custar o emprego e o prestígio que goza na cidade.

“Adoro essa coisa de o pastor não ser quem parece que é e todo o conflito que isso gera; mostra que as pessoas podem virar a página. O seriado é muito legal por causa disso, aborda a redenção, a segunda chance - e a comunidade, batalhando junta, oferecendo apoio e amor.”

“Acho que é por isso que o público se identifica. Naquela época tudo era muito difícil, as pessoas tinham que se ajudar umas às outras, e é o que está acontecendo hoje também. A vida é complicada. Nada é perfeito. Todo mundo comete erros e merece uma segunda chance. É esse um dos pontos que queremos passar.”

Menos de uma semana depois de When Calls the Heart voltar ao ar, o Netflix vai lançar os treze episódios de Fuller House.

O seriado é sequência de Três É Demais, que foi ao ar de 1987 a 1995. Lori entrou para a comédia na segunda temporada e não demorou a conquistar o público graças à sua atuação como a espoleta Rebecca, que fazia par romântico com Jesse Katsopolis (John Stamos).

Durante vários anos se especulou o ressurgimento da série, mas nunca deu certo - e a coisa chegou a tal ponto que mesmo os envolvidos começaram a duvidar que um dia os planos saíssem do papel.

“Eu sei que tentaram vender a ideia para vários canais, mas nunca conseguiram fechar um acordo. O John Stamos era um que não se conformava com a dificuldade de comercializar um programa tão popular.”

“No fim, a coisa saiu na hora certa. O Netflix está bombando e representa o futuro, principalmente em termos de programação. E também queria investir na família, então, quer jeito melhor de entrar nesse segmento do que com um clássico como esse?”.

A maior parte do elenco de Três É Demais volta na nova versão - a única grande ausência será a das irmãs Ashley e Mary-Kate Olsen, gêmeas que interpretaram Michelle - mas Lori garante que a série será o canal perfeito para Candace Cameron Bure e Jodie Sweetin, que voltam como as irmãs Tanner, D.J. e Stephanie, e Andrea Barber, na pele da amiga amalucada Kimmy. A série mostra D.J., que perdeu o marido recentemente, e procura Stephanie e Kimmy para ajudá-la a criar os filhos, além de contar com o apoio de toda a família.

“O foco é todo nelas, ou seja, estão em todos os episódios. Os outros personagens aparecem no primeiro e depois cada um tem o seu destaque, para voltar no final, reunindo todo mundo de novo.”

“O tempo passa, claro, mas quem cresceu vendo Três É Demais e curtia a série não vai se decepcionar porque o clima é basicamente o mesmo; até o cenário é igual. A sensação é muito parecida com a de volta para casa.”

“Eu também senti essa coisa de 'retorno ao lar', claro. No começo foi meio surreal, como se estivesse voltando no tempo. Sob vários aspectos, parece que nada tinha mudado.”

“Depois que superamos o choque da realidade de estarmos todos ali, reunidos de novo, a coisa foi supernatural. É claro que as meninas estão mais velhas, mas agora entendem o humor doido de Bob (Saget) e Dave Coulier, principalmente as piadas escrachadas do primeiro.”

Lori garante que adorou dividir a tela com Stamos, mas que ficou chocada mesmo ao ver Blake Tuomy-Wilhoit e Dylan Tuomy-Wilhoit, os irmãos gêmeos que repetem os papéis de filhos de Becky e Jesse, Nicky e Alex.

“Quando a série acabou eram uns pititicos. Acho que não tinham nem cinco anos; agora estão com vinte e poucos. Fiquei de queixo caído.”

“Foi ótimo voltar a trabalhar com o John. A gente continuou se falando todo esse tempo, a química continua a mesma. Nosso relacionamento é maravilhoso na tela e fora dela. Sempre nos divertimos juntos e acho que isso fica bem claro no nosso trabalho.”

Embora tenha demorado uma eternidade para Fuller House se concretizar, a atriz acha que o público não vai ter que esperar muito mais por novos episódios, talvez muitos mais.

“Acho que os fãs vão cair de cabeça na temporada, sem dúvida. Vai ser surpresa se não rolar uma segunda, até terceira temporada. Estou apostando num sucesso enorme. Foi tão gostoso fazer parte dessa série! Por isso é que está todo mundo de volta, disposto a reviver o antigo clima por um bom tempo.”

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