Ator Nando Cunha já foi atacado nas redes sociais

Intérprete de sambista é avesso à internet em 'Geração Brasil'

João Fernando , O Estado de S.Paulo

21 Junho 2014 | 07h00

Enquanto metade dos personagens de Geração Brasil tenta fazer fortuna em cima da tecnologia, um deles nada contra a corrente. Dante, sambista interpretado por Nando Cunha, tem antipatia pela modernidade ao ver o pagamento de seus direitos autorais ir embora por causa do público que baixa suas músicas ilegalmente pela rede na trama das 7 da Globo.

"Não é que ele seja contra a internet, pois ela ajuda a divulgar o trabalho e pegar outro público. Um empresário tem bens para deixar como herança. O único bem que o música tem é sua obra", defende o ator, que tem recebido comentários de artistas sobre o papel. "Fui a um show do Zeca Pagodinho, pois conheço os músicos que tocam com ele. Eles disseram que sou a voz deles. Achei legal ouvir isso de um sambista de verdade."

Para a novela, Nando compôs duas canções com parceiros de cantores como Maria Rita. As letras, entretanto, não entram na trilha, apenas na boca do personagem. O ator jura nunca ter baixado música na internet. "Sou analfabeto nessas paradas. Internet para mim é só para ler e-mails. Faz um tempão que não mexo no computador."

Apesar de Geração Brasil girar em torno da tecnologia e da web, o carioca de 48 anos se distanciou das redes sociais após reações ruins de internautas. "Nas ruas, você é abraçado. Na internet, ficam xingando. As pessoas são carentes, se você não curte (os comentários), ficam chateados”, analisa Nando, que diz ter recebido mensagens racistas. "Já me chamaram de macaco", relembra. Por isso, ele decidiu encerrar suas contas. "Não tenho fã-clube. Não sou galã nem a Ivete Sangalo. Não quero chegar em casa e me aborrecer nem perder tempo deletando pessoas."

O ator reclama do blablabá e das mobilizações nas redes sociais. "Hoje, todo mundo se acha formador de opinião. Antes, a gente colocava as pessoas nas ruas sem a internet. A gente queria mudar o País, não queria destruir nada. Agora, é a rebeldia pela rebeldia. Quem quer tanto lutar, que entre para a política, se candidate", ensina.

Confusão. No ano passado, Nando chamou a atenção do público com o Pescoço, de Salve Jorge. Morador do Complexo do Alemão, o personagem enganava a mulher, Delzuite (Solange Badim), e todos que lhe arranjavam serviço, pois não gostava de trabalhar. Mesmo com uma situação diferente em Geração Brasil, em que Dante não vive em uma favela controlada pelo tráfico, mas é um artista de um bairro de classe média baixa controlado por uma milícia, o ator conta que o público ainda o associa ao papel antigo.

"Como ele é músico e não o veem trabalhando, acham que ele é preguiçoso como o Pescoço. Mas o trabalho dele é dentro de casa, compondo. Perguntam se a mulher é a mesma atriz”, revela ele, que divide a cena com Gisele Fróes, que encarna Rita, mulher do compositor. Segundo o carioca, há também uma dificuldade dos telespectadores de separar sua imagem da ficção com a real. “As pessoas me veem como malandro porque tenho envolvimento com o samba", confessa.

A reação só muda quando ele sai às ruas para sua nova função no SporTV, canal em que tem gravado reportagens. No período de Copa, Nando vai em busca de torcedores estrangeiros para convencê-los a trocar brindes da emissora por camisas de times e outros objetos de estimação. “Não falo inglês e o espanhol eu arranho. Já chego perguntando se eles falam português. A gente brinca com o que querem trocar. Por incrível que pareça, os argentinos têm sido os mais receptivos."

Este ano, Nando estará em três filmes. Em Lascados, faz uma espécie de bruxo. Em Trinta, sobre Joãosinho Trinta, interpreta um compositor do Salgueiro. Em Tim Maia, encarna o líder da seita que marcou as letras do cantor, morto em 1998.

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