Amy Sussman/Invision/AP
Amy Sussman/Invision/AP

Ator de 'Breaking Bad' revela fatos íntimos e incidentes em livro

‘Uma Vida em Partes’, recém-lançado, relata como a experiência artística e o casamento desastroso dos pais, também atores, o afetou

Entrevista com

Bryan Cranston

John Carucc / ASSOCIATED PRESS, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2016 | 04h00

Bryan Cranston parece tão distante do homicida Walter White que nos leva a pensar como conseguiu canalizar tamanha maldade com uma ferocidade que lhe valeu um Emmy por Breaking Bad.

Em seu novo livro de memórias, A Life in Parts, ele cita um incidente real que o ajudou a encarnar o personagem: uma ex-namorada transtornada que ameaçava sua vida e que despertou nele ideias violentas a respeito dela.

“Ela ameaçou me matar e era constante, houve momentos em que achei que ia enlouquecer”, disse Bryan. (Mais tarde ele se casou com a atriz Robin Dearden e estão juntos há 27 anos).

Esta é uma das muitas revelações no livro, publicado no início deste mês. Cranston, vencedor do Emmy e indicado ao Oscar, relata desde a sua infância até o papel que se tornou sua marca em Breaking Bad, além dos seus desafios pessoais. Hoje com 60 anos de idade, ele lembrou alguns desses momentos numa entrevista para a Associated Press.

Em seu livro, você diz que desejou matar sua ex-namorada. O que o levou a isso?

Estava com muito medo e me sentia um animal acossado e então percebi que era capaz de matar alguém. Essa experiência me ajudou a criar o personagem de Walter White na transição que ele fez, porque ele acabou se assumindo. Na verdade, White era um bom sujeito, mas nessa transição para alguém não tão bom... Ele conseguiu ser honesto consigo mesmo e dizer, “sim, posso ter outra vida”, algo difícil de afirmar para a pessoa que está diante de você no espelho.

O que o levou a escrever um livro neste ponto da sua carreira? 

Sei perfeitamente, de um ponto de vista objetivo, que a onda, o tsunami provocado por Breaking Bad foi uma tremenda oportunidade para mim, mas uma carreira tem altos e baixos e nisso se inclui a fama. Se você tem sorte de esta onda de fama chegar a um ápice, ela não vai durar. Penso que é apenas uma ética de trabalhador operário com base na qual fui criado.

No livro você fala que seu pai foi um homem insatisfeito como ator. Por que seguiu o caminho dele?

Estava no meu DNA. Tanto meu pai como minha mãe eram atores. Portanto se pensar a respeito, você sempre entra nos negócios da família, é algo muito comum. Meu pai mergulhou numa fase muito atormentada e, por extensão, os filhos também foram arrastados, foi algo profundo e desastroso para o casamento deles, para a família.

Na segunda temporada de Breaking Bad, Walter observa a namorada de Jesse Pinkman morrer. Por que a morte de Jane o afeta?

Tive esta experiência que me transformou que foi quase alucinógena – quando vi o rosto da minha filha na vida real, Taylor. Seu rosto assumiu o de Krysten Ritter e me fez hesitar. E cada vez que conto essa história ou quando a relatei no livro, sinto um desassossego, porque acho que é este o meu grande medo. Meu temor de algo do tipo ocorrer com um filho, o seu filho, é infinito.

Por quanto tempo você pretende trabalhar?

Enquanto tiver oportunidade, continuarei atuando. Quero esgotar tudo, quero ter realizado tudo e, parar de fato, tendo em mente que tive sucesso. Não tenho o que lamentar. Estou pronto para me afastar.

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