Astrid desembarca com novas histórias

De volta ao 'Chegadas e Partidas', em sexta temporada, apresentadora ainda é confundida no vaivém de aeroporto

João Fernando, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2014 | 02h05

Enquanto os passageiros observam atentamente o painel de informações com os horários dos voos, os olhos de Astrid Fontenelle miram em outra direção enquanto ela caminha pelo saguão do aeroporto internacional de São Paulo. Em meio à expectativa dos outros, que esperam pousos e descolagens, a apresentadora do Chegadas e Partidas, cuja sexta temporada estreia quarta, dia 3, às 21 horas, no GNT, só quer saber de encontrar histórias para ouvir.

"Na rua faço a brincadeira de adivinhar o que a pessoa é de acordo como ela está vestida. Aqui, a gente não está olhando o figurino, se é gordo ou magro, está procurando a alma", diz a carioca. Ela divide com a equipe a tarefa de começar o papo com os anônimos que circulam pelo aeroporto. "O operador de áudio ouve se tem alguém chorando muito. Eu já abordei várias vezes. As pessoas começam a responder e perguntam: 'E você? Está esperando quem?'. Outros ficam desconfiados", conta Isabella Ponce de Leon, diretora da atual temporada. O entourage inclui ainda o maquiador, que não sai de perto porque Astrid nem sempre consegue conter as lágrimas.

Não há uma regra para identificar possíveis bons entrevistados. "São pequenas coisas, alguém segurando uma flor, um semblante. O jeito pelo qual a pessoa olha para mim até como está sentada. É um programa que exige sensibilidade. Esse é o nosso grande material"

A apresentadora usa técnicas diferentes. "No embarque, chego chegando. Se é um casal se beijando muito, fico pertinho. Tenho de ser delicada, sem interferir muito para não ser um programa de TV invadido a sua vida. Peço desculpas, licença e agradeço muito quando termino", detalha ela, que faz questão de entrar no saguão com o pé direito. Apesar do sucesso do reality, que terá uma sétima temporada, Astrid relata que quem a procura é a minoria. "Não sou reconhecida no País inteiro, não arrasto multidão. Essa é a vantagem de estar em um canal pago. As pessoas vêm com menos pressão", analisa ela, que recebeu um troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo programa.

As reações variam. "Tem gente que está chorando e ri quando me vê. Outros falam: 'vai ali'. Uns dizem que não têm uma boa história", relembra. Há fãs que se mobilizam. Nas últimas semanas, uma jovem prestes a entrar no avião descobriu que estavam gravando e saiu da sala de embarque. "Falei para ela para de bater papo e ir embora." A carioca também passa despercebida. "Sempre tem alguém perguntando se estamos esperando algum famoso. Fora os que vêm pedir autógrafo achando que sou a Márcia Goldsmith."

Por conta do dia a dia no aeroporto, a equipe é reconhecida por funcionários e até ganha desconto nos restaurantes. Na quinta passada, quando o Estado acompanhou a gravação, Astrid sabia até falar sobre as novidades de uma lanchonete com diferentes tipos de pipoca. "Pena que hoje não estou com meu celular para tirar uma foto", disse uma atendente. "Não tem problema, estarei aqui amanhã", rebateu a apresentadora.

Mesmo com mais de 70 edições gravadas - cada programa leva três dias para ser rodado, ela afirma sentir um frio na barriga quando está a caminho de Guarulhos. "A gente entra falando: 'Tomara que encontre uma história de amor'."

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