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As mais variadas faces do ator Paul Giamatti

Em 2015, ele estrelou a série 'Billions', além de 2 filmes

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Bruce Fretts,
THE NEW YORK TIMES

30 Janeiro 2016 | 16h00

Quando Paul Giamatti é visto pela primeira vez no novo seriado do Showtime, Billions, seu personagem, um advogado norte-americano linha-dura chamado Chuck Rhoades, aparece amarrado e amordaçado, como parte de um ato sexual sadomasoquista.

A cena, rodada no ano passado, teve um efeito curioso no ator. “Fiquei morrendo de sono, todo relaxado. Imagino que os caras que vão nessa querem o efeito contrário; ou será que é por isso que enfaixam os bebês?”, questiona ele, bebericando um cappuccino no Lambs Club de Times Square.

De qualquer forma, não dá para culpar esse ator de 48 anos por querer uma soneca, muito menos um cappuccino, pois vem trabalhando sem parar. Só no ano passado, estrelou Billions, assumiu papéis coadjuvantes em duas cinebiografias elogiadas – Straight Outta Compton: A História do N.W.A. e Love & Mercy – e fez uma aparição indicada para o Emmy como um jurado em um episódio de Inside Amy Schumer a famosa versão de 12 Homens e Uma Sentença. “Foi um ano bom. Fiz umas coisas interessantes”, afirma ele, com a modéstia que lhe é peculiar.

Para o papel na nova série (da qual Andrew Ross Sorkin, editor do DealBook do New York Times, é um dos criadores e produtor executivo), Giamatti bebeu em diversas fontes. “Ele é parecido com Javert (de ‘Os Miseráveis’); a diferença é que o cara que persegue não roubou só um pedaço de pão”, conta ele sobre seu personagem, que fica obcecado para pegar um corretor de fundo de cobertura bilionário (Damian Lewis, de Homeland). “Tem uns caras bem marcantes que se viram nessa situação: Rudy Giuliani e Eliot Spitzer são dois sujeitos interessantes que me vêm à mente.”

Giamatti deixou crescer a barba para o papel. “Dá um visual mais intenso. As regras dos pelos faciais me fascinam. O problema é que nenhum político norte-americano tem barba ou bigode, mas acho que, de uma forma estranha, funciona bem. É como se fosse a marca registrada do cara”, comenta.

“No comecinho, deixei o bigode para fazer um policial, mas os caras pediram para eu tirar. Pensei: ‘O negócio é meio como Vovó... Zona; quem vai ligar se uso bigode ou não?’. Mas tirei. Acho que diz muito sobre meu sucesso poder usar a influência para decidir se deixo o bigode no personagem ou não”, ironiza.

Ele tem uma voz mansa, aveludada, escolha de um ator que sabe e gosta de usá-la de várias formas. “Nunca fui muito fã da minha voz, por isso mudo com frequência. Espero que consiga passar a ideia de que esse cara é um mestre da manipulação e, para isso, precisa ser sedutor e charmoso. É uma forma diferente de exercer poder. É interessante como sendo calado e falando pouco você pode atrair as pessoas”, analisa o ator nascido em Nova York.

O Showtime renovou Billions para sua segunda temporada e isso aconteceu depois da exibição de apenas dois episódios do drama sobre Wall Street, que teve a maior audiência de estreia da história do canal americano. O terceiro episódio será transmitido neste domingo, dia 31.

Liberado no começo do ano em todas as plataformas, o piloto de Billions foi visto por 6,5 milhões de pessoas, média 7% superior que o recordista anterior, Ray Donovan (6,1 milhões).

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