Aracy Balabanian transita entre o drama e comédia com maestria

Atriz está no ar como a italiana Geppina na novela das 6, 'Sol Nascente'

Entrevista com

Aracy Balabanian

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 07h00

Aracy Balabanian é uma atriz de muitos recursos. E transita entre o drama e a comédia com a mesma maestria com que cria sotaques para seus personagens estrangeiros. Entre eles, como se esquecer da memorável Dona Armênia, das novelas Rainha da Sucata (1990) e Deus Nos Acuda (1992), ou da matriarca italiana Filomena, de A Próxima Vítima (1995). Agora, no folhetim das 6, Sol Nascente, de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer, Aracy agregou outra italiana a seu rol de papéis. Interpreta Geppina, que, com seu amado Gaetano (Francisco Cuoco), sai da Itália, fugida da máfia, em direção ao Brasil. No novo país, o casal reconstrói sua vida e forma a família De Angeli, da qual ainda fazem parte o filho Vittorio (Marcello Novaes) e os três netos, Mario (Bruno Gagliasso), Peppino (João Côrtes) e Milena (Giovanna Lancellotti) – que não sabem do passado dos dois. “Geppina é uma mulher que, ainda muito jovem, na Itália, estava namorando com um cara da máfia. Mas, como se apaixona por outro, os dois são ameaçados e resolvem seguir para o Brasil, e estão aqui em constante susto, porque a máfia pode chegar a qualquer momento e liquidar com eles”, conta Aracy Balabanian, em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio, onde vive há quase 40 anos.

Aracy não tem ascendência italiana, mas, sim, armênia. Nascida em Matogrosso do Sul, mudou-se ainda criança para São Paulo, onde morou boa parte de sua vida – e conheceu muitos italianos. “São pessoas sempre adoráveis, muito generosas, como são os armênios também”, compara ela. “Há muita semelhança entre a mãezona italiana e a mãezona armênia, como reunir a família sempre em volta da mesa e tentarem manter a dignidade dela.”

O papel de Geppina também lhe proporciona momentos, digamos, mais afetivos. Aracy voltou a contracenar com o ator Marcello Novaes, e, pela terceira vez, eles fazem mãe e filho na TV. A primeira vez foi em Rainha da Sucata, quando Novaes viveu um dos três ‘filhinhas’ de Dona Armênia, personagem cômico de Aracy, que fez grande sucesso com bordões como ‘quero a prédio na chon’. “Eu e o Marcello nos amamos desde aquela época. Ele é um ator formidável, um profissional da melhor qualidade, uma pessoa muito íntegra”, elogia a atriz. Além disso, graças à novela, ela está contracenando pela primeira vez com Francisco Cuoco. Ambos ex-alunos da Escola de Arte Dramática, da USP, por um acaso de suas trajetórias, eles nunca tiveram oportunidade de trabalhar juntos antes. E Aracy lembra que era um sonho de suas irmãs mais velhas de vê-la contracenando com Cuoco, um dos grandes galãs da história da TV brasileira. “Elas já morreram e, infelizmente, não puderam ver, mas, na hora que me chamaram (para a novela), pensei muito nelas.”

Trágica. São 53 anos de carreira dedicados à atuação. Aracy Balabanian faz essa contagem a partir de sua estreia oficial, na peça Os Ossos do Barão, em 1963. Passou um período fazendo só teatro e foi lá, no palco, que a atriz foi vista pelo novelista Cassiano Gabus Mendes, que a chamou para fazer TV. “Fui convidada para fazer uma tragédia grega. Era Antígona, de Sófocles, na Tupi. Um espetáculo de TV feito no teatro”, recorda-se. “Foi aí minha estreia em TV e não saí mais.”

Aracy colecionou grandes papéis ao longo dessas décadas, mas ela acredita que o tal divisor de águas na carreira foi sua Dona Armênia. “Eu sempre fazia as mocinhas mais sofredoras. Acontece que o Silvio de Abreu (autor de Rainha da Sucata), que é muito meu amigo, disse: ‘vamos mostrar um pouco seu lado mais extrovertido’. Eu conhecia a língua armênia, sabia que o tom era aquele, porque eu vivi aquilo com minha família”, observa. “Dona Armênia deu oportunidade de mostrar um outro lado meu na televisão. Não sou só dramática, não sou só trágica – como me chamava o (crítico de teatro) Sábato Magaldi.”

Ela retomou Dona Armênia em Deus Nos Acuda, também de Silvio de Abreu, e, em 1996, fez nova incursão pela comédia como Cassandra, no programa Sai de Baixo, que ficou no ar, na Globo, até 2002 e ganhou episódios especiais em 2013. “Eu adorava fazer. E tínhamos duas plateias por dia. Então, era uma coisa viva para nós. Até hoje, por incrível que pareça, as pessoas falam comigo como se eu tivesse feito Sai de Baixo ontem”, conta. “Adorei trabalhar com Miguel (Falabella), Marisa Orth, Luis Gustavo, Claudia Jimenez e, depois, a Claudia Rodrigues. Por mim, eu estaria fazendo até hoje.”

Mais conteúdo sobre:
Televisão Aracy Balabanian

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.