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Análise: Terceira temporada de 'Black Mirror' mantém o bom nível das anteriores

Até os episódios mais fracos merecem ser assistidos com atenção

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 16h00

Embora haja um certo consenso de que os seis episódios da nova temporada de Black Mirror, do Netflix, são irregulares, ninguém se entende na hora de elencar os melhores e piores.  É difícil encontrar alguém que tenha gostado muito de todos, mas até os fracos merecem ser assistidos com atenção. Quem entrou na onda, sente uma vontade enorme de falar sobre assunto.

As histórias de realismo distópico não têm conexão entre si. Começam em um ponto indeterminado do futuro e abordam os aspectos mais perturbadores da tecnologia. Nosedive, o primeiro da atual temporada, é um dos melhores já apresentados até aqui. 

Nele, o vício narcisista das redes sociais é exposto de forma inquietante. No capítulo é como se o Facebook tivesse dominado de vez a vida das pessoas. Os personagens vivem colados em seus celulares fazendo avaliações dos outros.

O status social é definido por uma pontuação que vai de 1 a 4,5. Esse critério de popularidade é o que define tudo na vida das pessoas. Quanto mais próximo da pontuação máxima, mais acesso a bens de consumo, produtos e serviços.  A história acompanha a saga de uma mulher em busca de aumentar sua pontuação para conseguir comprar uma casa nova. O episódio é ao mesmo angustiante e desesperador e mostra o quanto patético podemos ser.

Outro que é muito bom e prende do começo ao fim é o terceiro, Shut Up and Dance. Nesse caso, não há devaneios tecnológicos. A história de uma chantagem praticada por hackers com usuários de pornografia na rede aborda a falta de privacidade, mas também explora o lado obscuro da internet.

A terceira temporada de Black Mirror também tem espaço para uma saborosa história de amor entre duas mulheres que cruza gerações no capítulo San Junipero. Sexto e último, Hated in the Nation é quase unanimidade entre os fãs da série. Mais uma vez as redes sociais protagonizam a narrativa. Nesse caso, porém, não é a popularidade que está em jogo, mas o ódio. 

O sucesso da atração levou o HBO a apresentar em seu cardápio a série Westworld. Principal aposta do canal pago, a série poderia ser um spin-off de Black Mirror. Também em um futuro não determinado há um parque temático onde endinheirados pagam caro para viver uma cidade de faroeste cercado por robôs que imitam os humanos com perfeição. Se você gostou de Black Mirror, que tem a quarta temporada garantida para 2017, vale a experiência. O único problema é esperar uma semana para cada novo episódio. 

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