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Agora produzida pela Netflix, 'Black Mirror' volta em escala maior

Nova temporada da série surpreende até o telespectador mais desatento

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

29 Outubro 2016 | 16h00

LOS ANGELES - Black Mirror não chega a ter a audiência de Game of Thrones ou The Walking Dead. Mas, na conturbada realidade política brasileira recente, foi comum ouvir: “Isso parece Black Mirror”. Seu criador, Charlie Brooker, faz uma ficção científica tão surpreendente quanto realista e, por isso, aterrorizante. O anúncio de sua terceira temporada, que entra no ar nesta sexta-feira, empolgou fãs no mundo inteiro. Agora produzida pela Netflix, que também exibe a primeira e a segunda temporadas, fora o episódio especial White Christmas, originalmente feitos pelo Channel 4, a série volta mais vitaminada. “Acredito que temos mais ambição desta vez”, disse Brooker em entrevista ao Estado, em Los Angeles. “Como se trata de uma plataforma de streaming, não há intervalos, nem foi preciso se preocupar com a duração. Uma de nossas histórias tem duração de um longa-metragem, porque foi assim que saiu.” Fora isso, em vez dos três episódios por ano, a terceira temporada vem com seis. “Isso representou um desejo maior de variedade do que antes. Sua mente acaba viajando mais. Você pensa numa escala maior. Não busco o espetáculo pelo espetáculo, ainda é a mesma série, mas em uma escala maior.”

Em termos de gênero, há de tudo um pouco: uma história de detetives (“Hated in the Nation”), uma sátira social sobre a busca incessante de “likes” nas redes sociais (Nosedive), um terror em torno dos videogames (Play Test), um thriller (Shut up and Dance), uma ficção científica mais militarista (Men Against Fire) e até um romance na década de 1980 (San Junipero). Há dois episódios que se passam nos Estados Unidos, e outros dois com americanos nos papéis principais. Nosedive foi escrito por Michael Schur (do The Office americano) e pela atriz e roteirista Rashida Jones e estrelado por Bryce Dallas Howard. “Como cada história é independente, filosoficamente quando estamos escrevendo, e em termos práticos, quando estamos produzindo, tratamos cada episódio como um filme”, explicou Brooker. “E enxergamos a temporada inteira como um festival de cinema em que somos curadores.” Tanto ele quanto a produtora Annabel Jones acreditam que as fronteiras entre cinema e televisão foram borradas. “Nunca conseguiríamos fazer seis longas num ano. Quem consegue? E haveria muito mais restrições. Aqui estamos lançando seis filmes de uma vez no mundo inteiro, o que é fantástico. E aterrorizante”, afirmou Brooker.

Black Mirror atraiu diretores de cinema como Joe Wright (de Desejo e Reparação) e Dan Trachtenberg (Rua Cloverfield, 10).

Com a realidade cada vez mais estranha do que a ficção, Brooker admite que não está fácil arrumar material original – até a história aparentemente absurda de um dos episódios de 2011, sobre a chantagem de um primeiro-ministro do Reino Unido envolvendo um porco, parece ter um fundo de verdade, segundo uma biografia do ex-ocupante do cargo David Cameron. “Muita gente diz que 2016 deveria ser cancelado – para mim, qualquer ano que começa com a morte de David Bowie e Prince deveria ser cancelado”, disse Brooker. “Se você assiste ao noticiário, tem alguma coisa grande acontecendo a cada dez minutos. Tem a ver com o volume de informação que chega até nós. Mas graças à tecnologia acontece um fenômeno global que é a divisão. Estamos recuando para os cantos da sala, ideologicamente. Espero que melhoremos e consigamos nos unir novamente. Vamos ver. Claramente o mundo está atravessando uma época de grandes mudanças.”

DESTAQUES NAS OUTRAS TEMPORADAS

The National Anthem 

(1º temporada)

O capítulo de estreia é o mais impactante. O primeiro-ministro do Reino Unido é obrigado a manter relações sexuais com um porco para evitar a morte da princesa enquanto o país acompanha pela TV.

Be Right Back 

(2ª temporada)

Um dos episódios mais completos da série. Conta a história de uma mulher que usa um protótipo para substituir um amor perdido.

The Waldo Moment 

(2ª temporada)

O capítulo ironiza a construção política de consenso por meio da opinião pública. Bom para ver em tempos de Donald Trump e Hillary Clinton.

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