A vitalidade atrás da falsa fraqueza

O filme 'As Chaves de Casa' trata da difícil relação entre um pai e seu filho excepcional

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2008 | 23h19

Gianni Amelio é um dos melhores diretores do atual cinema italiano. É dele, por exemplo, Ladrão de Crianças e América. Mas seu filme mais tocante é certamente As Chaves de Casa, lançado agora pela DreamLand.   Trata-se de um terreno minado, pois conta a história de um pai ausente que tenta se redimir e assumir o cuidado do filho excepcional. O pretexto para os dois se encontrarem é que alguém precisa acompanhar o garoto a uma clínica especializada em Berlim, onde irá se tentar alguma melhora. Mas, despreparado, o pai força uma aproximação que o menino, por conta de suas deficiências, tem dificuldade em aceitar.   Eis uma trama que, nas mãos de um cineasta abrutalhado, fatalmente culminaria em um tedioso melodrama. Não é o caso de As Chaves de Casa - especialmente por conta de Andrea Rossi, um garoto realmente deficiente e cuja capacidade especial de pensar e agir traz uma espontaneidade única ao filme. No papel de Paolo, o filho abandonado pelo pai, ele participa de momentos tocantes. E é a partir da fragilidade do menino que Gianni Amelio revela uma visão otimista da vida, na qual até aqueles aparentemente fracos têm uma força descomunal.

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