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3ª temporada de 'Tá no Ar' estreia no dia 19

- Atualizado: 18 Janeiro 2016 | 17h 58

Programa mantém o mesmo formato ágil

RIO - O programa Tá no Ar: a TV na TV, com elenco liderado por Marcelo Adnet e Marcius Melhem, volta à grade da Globo, na próxima terça-feira, 19, depois da estreia do BBB16, cumprindo sua terceira temporada. As duas primeiras trouxeram uma linguagem dinâmica, com uma sucessão ágil de esquetes como se telespectador estivesse mudando de canal. Um sopro de novidade na seara dos humorísticos da TV brasileira.

Para essa nova temporada, Adnet, Melhem e o diretor Maurício Farias prometem o mesmo formato de programa, mantendo quadros que fazem sucesso como Jardim Urgente - do bordão ‘foca em mim’, com o ótimo Welder Rodrigues - e Balada Vip, com Adnet e Melhem, em um mix de rei do camarote e Amaury Jr. Há ainda novidades, como Domingo Pesado, com pegadinhas que extrapolam os limites.

As participações especiais também estão garantidas. Nesse quesito, as outras temporadas reservaram ótimas sacadas, entre elas o Encontrão com Fátima Bernardes, em que a apresentadora cai (nesse momento, uma dublê dela, é claro) escada abaixo após um esbarrão, e, talvez o melhor de todos, Antônio Fagundes fazendo um Menudo. Para Adnet, a participação de Fagundes foi “o ápice do ‘descabimento’”. “O cara veio, brincou, se divertiu, o público adorou ver ele fazendo. Aí a galera começa: ‘queria ir lá fazer também’”, conta ele, em encontro de elenco e equipe com a imprensa, no Projac, no Rio.

Em cena. Referências à própria TV; programa traz ainda convidados especiais
Em cena. Referências à própria TV; programa traz ainda convidados especiais

“Desde a primeira temporada, começou a aumentar o número de colegas que pediam para brincar com a gente. Até porque a gente fala do universo da televisão, então eles queriam se desconstruir um pouquinho ali”, completa Melhem. Entre os novos convidados, estão Vera Fischer, Tiago Leifert, Lília Cabral, Paulo Betti, Débora Bloch e outros.A ideia é manter o programa nesse formato de temporadas. “Isso permite melhorar a qualidade dos programas de maneira incrível. Fiz dois programas que ficaram no ar vários anos, A Grande Família e Tapas & Beijos. Os dois eram ótimos, só que você tem limite muito claro de produção, realização, criação”, diz Maurício Farias. A quarta temporada ainda não está confirmada, mas eles querem levar o projeto adiante. Mesmo que Adnet emplaque seu programa solo na emissora, garante o próprio. “Se eu for fazer outro projeto, gostaria de continuar também, acho que o Tá no Ar não fica ameaçado por causa disso.” 

Farias e Melhem cuidam de outra produção na casa. No ano passado, eles receberam a missão de repaginar o humorístico Zorra Total, que, sob nova direção, virou Zorra (leia mais na entrevista com Melhem ao lado). Enquanto Zorra entra em férias - com nova temporada prevista para abril - e Amor & Sexo ocupa seu horário nas noites de sábado, eles se dedicam a essa terceira temporada de Tá no Ar. 

E trabalham no roteiro do programa com total liberdade, sem restrições por parte da emissora ao tratar de marcas, canais concorrentes, religião, entre outros temas. Diante desse cenário tão amplo, até que ponto o humor pode avançar? “Acho que o limite no humor, assim como tudo na vida, começa com você mesmo. Até onde você vai ficar em paz com aquilo que está fazendo”, responde o diretor. “Acho que o humor, como qualquer conteúdo, é responsabilidade direta do autor. Todos nós temos uma noção exata dessa responsabilidade.” Segundo eles, tudo é discutido à exaustão na equipe. “Não podemos pegar essa liberdade e sair fazendo qualquer coisa, chutando o balde”, diz Adnet. “Quando a cena sai da redação escrita, todo mundo concordou. É o bom senso de todos atuando juntos.” 

ENTREVISTA - 'Brincando, brincando, a gente vai dizendo' - Marcius Melhem

Em entrevista exclusiva ao Estado, Marcius Melhem fala sobre Tá No Ar, Zorra e o humor nos dias de hoje. 

Na sua opinião, que tipo de inovação o Tá no Ar trouxe para o humor?

Essa análise do que mudou, para onde o humor avançou com esse programa tem de vir muito mais de fora do que aqui de dentro. A gente sabe onde quer chegar com esse programa. Quando o criamos, queríamos repactuar o diálogo com a sociedade no sentido de que quem visse nosso programa entendesse que estamos restabelecendo um diálogo com as questões que estão aí. Que o humor não seja morno. Sempre falo na redação que nosso grande gol será daqui a alguns anos: olhar esse programa e ele ficar velho, o que significa que a gente falava para nossa época. 

Programas como TV Pirata e Casseta & Planeta também falavam para suas épocas. São referências para vocês?

Sim, é um caldeirão muito grande. Se pegar programas de fora: Monty Python, Saturday Night Live. E aqui dentro: Chico Anysio, Jô Soares, a gente tem uma pegada Satyricon. Olhamos muito para frente e muito para trás. Não adianta fazer um novo TV Pirata. O programa falava como se via TV na década de 1980, pré-controle (remoto), pré-TV a cabo. Tentamos reproduzir o hábito e a velocidade de se assistir à TV de hoje, com essa variedade imensa de canais e com esse jeito acelerado de trocar de um para o outro. 

Você e o Maurício Farias encararam o desafio de reformular o Zorra Total (agora só ‘Zorra’). Como chegaram à nova fórmula?

Vimos horas de programas de humor que são exibidos pelo mundo hoje, para tentar entender como está a velocidade, a forma de fazer, se mais realista ou menos, se mais caricato ou menos. E misturando isso com uma visão nossa, que é fazer mais realista, câmera por dentro, caracterização mais vida real. Fora isso, a gente estudou muito: quem estava no horário, quem assistia e por que, quem não assistia e por quê. Nisso tudo, a gente chegou a esse conceito. Achamos também que podíamos romper com o personagem-bordão. Renovamos um pouco o público, mas tem uma retenção muito grande do público antigo.

 

Ainda no Zorra, vocês ousaram com cenas de beijo de duas mulheres, de homens. Como levar isso para um público mais conservador no horário?

A sociedade mudou. Acho que o grande objetivo é reforçar isso na 2.ª temporada do Zorra, não só reproduzir o que a sociedade é, mas para onde ela deve avançar. Há hoje muitas configurações familiares, formas de amor e a gente acha que isso tem de ser reproduzido. Isso é a vida. Se o conceito do programa é que a vida tem de ir ali para dentro, isso é uma coisa importante. Por exemplo, em esquete, normalmente você vê o marido chegando em casa e a mulher está lá. Por que não o contrário? E por que não chegam os dois do trabalho? São coisas que a gente vem discutindo e, aos poucos, vai avançando. 

Mas nas novelas isso é mais...

Sensível, porque a novela é muito real. Com humor, você vai dizendo sem nem as pessoas notarem que você está dizendo. O humor não pesa. Brincando, brincando, a gente vai dizendo.

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