AMANDA PEROBELLI
AMANDA PEROBELLI

Votação sobre torres de Silvio Santos é adiada

Orgão municipal de defesa do patrimônio vai aguardar decisão do Iphan sobre terreno no entorno do Teatro Oficina

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 20h29

Após ser adiada na semana passada, 27, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) Conpresp, suspendeu nesta segunda-feira, 4, a sessão que decidiria sobre o pedido de construção de duas torres residenciais do Grupo Silvio Santos no terreno ao lado do Teatro Oficina, no Bexiga, de Zé Celso.

A proposta do conselheiro Ronaldo Bressane foi a de que o conselho aguardasse a decisão até que o Iphan (orgão federal de patrimônio) desse seu parecer.

O debate veio após o Condephaat, orgão estadual, reverter a decisão de tombamento que proibia a construção das torres. O empreendimento precisa passar por aprovação nas esferas municipal, estadual e federa de defesa do patrimônio. Segundo o Teatro Oficina, as torres iriam "encaixotar" o terreno com o teatro projetado por Lina Bo Bard e considerado o melhor teatro do mundo pelo The Guardian.

Teatro Oficina. Os mais polêmicos deles são dois processos do Grupo Silvio Santos para construir dois prédios residenciais de 28 andares no terreno ao lado do Teatro Oficina, que é tombado. No mês passado, o apresentador e empresário obteve uma importante vitória no órgão estadual de proteção ao patrimônio, o Condephaat. Por 15 votos a favor e 7 contra, o conselho acolheu um recurso apresentado pela Sisan Empreendimentos, braço imobiliário do grupo, contra uma decisão de setembro de 2016 que proibia a construção dos prédios na Rua Jaceguai, no bairro do Bixiga. O IAB se manifestou contra a decisão do Condephaat.

Agora, o Grupo Silvio Santos precisava obter aval do Conpresp, órgão municipal, e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão federal, para pleitear o alvará da Prefeitura para executar a obra. O diretor do Oficina, José Celso Martinez, é contra a construção e defende equipamentos culturais no local. Uma manifestação feita por artistas e políticos no último fim de semana pede a instalação de um parque no local.

A disputa entre o Grupo Silvio Santos e o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa teve início em 1980, quando o empresário e apresentador quis comprar o terreno onde estava o teatro, vizinho do escritório de sua empresa. Zé Celso resistiu e iniciou uma mobilização para abrir o processo de tombamento do local, que ocorreu em 1983. Em agosto deste ano, Zé Celso e o apresentador Silvio Santos se reuniram com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), na sede do SBT para discutir uma solução para o imbróglio. O dramaturgo é contra a construção das torres e defende a instalação de equipamentos culturais no local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.