Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Teatro Oficina: Fernanda Torres lança livro ao lado de Zé Celso e Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro e Antônio Fagundes leram trechos de ‘A Glória e Seu Cortejo de Horrores’

Pedro Rocha, Especial para o Estado

14 Novembro 2017 | 22h16

O início do evento seria às 20h desta terça-feira, 14, mas desde a abertura da casa, o Teatro Oficina respirava um clima de festa e protesto. O lançamento do novo livro de Fernanda Torres, A Glória e Seu Cortejo de Horrores, foi um ato de apoio da autora e seus convidados ilustres - Fernanda Montenegro e Antônio Fagundes - ao encenador José Celso Martinez Corrêa, que trava há 37 anos uma batalha contra Silvio Santos pelo destino do terreno ao lado do teatro. 

O apresentador quer construir ali um empreendimento, liberado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em outubro. Celso, fundador do Oficina, alega que a contrulção obstruiria a relação do prédio, projeto de Lina Bo Bardi tombado pelo Condephaat desde 1982, com o bairro do Bixiga. “Tem que se tirar os entulhos e deixar o gramado crescer, para instalações de teatro, circo, música e exposições de arte.” Antes do início da leitura de trechos do livro, Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Antônio Fagundes e o próprio Celso, já com os microfones ligados, protagonizaram uma conversa pública. 

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No palco, Torres, a estrela do evento, que em seu livro se refere à Celso como o “Pajé do Oficina”, limitou-se ao papel de coadjuvante. Recebia os convidados e autografou alguns volumes. Sua mãe conversava com o público e ressaltou a importância do teatro. “Presença cultural do teatro para o Bixiga, para São Paulo e para o Brasil.”

Ao fim da leitura, a atriz, bastante emocionada, homenageou a filha e o teatro. “Amo ser mãe. Na vida, eu quis ser mãe. Estar com minha filha e todos vocês é um momento muito especial na minha vida, que nunca mais vai acontecer”, disse, porém, afirmando não falar com tristeza. Ao fim da fala, Fernanda Montenegro lembrou que, nesta terça, Fernando Torres completaria 90 anos. “Nessa casa estão pessoas que querem manter a cultura deste País viva”, completou. “Não tenho como agradecer a Zé Celso por ter cedido o espaço”, falou em seguida Fernanda Torres. 

Para Fagundes, que iniciou a leitura, era esperado o lançamento do novo trabalho de Torres no local. “O livro fala de teatro e cita o Oficina. Tem tudo a ver”, declarou o ator. “Há uma pressão para que teatros, exposições e museus fechem, então tem um significado importante estarmos aqui hoje.”

Até o início do evento, quatro homens, que segundo a equipe do Oficina seriam membros da Sisan, empresa imobiliária do Grupo Silvio Santos, circulavam pelo terreno ao lado. Ao longo da noite, um segurança particular tomava conta da área. 

Além do lançamento de A Glória e Seu Cortejo de Horrores, Zé Celso planeja outro evento em apoio ao Oficina e à manutenção do projeto de Lina Bo Bardi, que conta, em mais da metade da sua extensão, com um janelão com vista para o terreno. Em 26 de novembro, um “grande abraço” ao teatro vai reunir artistas de vários locais do País, representantes religiosos e políticos, como Guilherme Boulos, do MTST. “Boulos vai trazer o pessoal. Eles sabem que esse terreno não é para acampar, é para estar numa praça do Bixiga.”

O vereador de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), apareceu já do evento ter início, mas também discursou ao final. “Quero mandar uma mensagem para Silvio Santos”, disse o vereador, representante do Oficina nas negociações com a Prefeitura de São Paulo. “Um homem de televisão, que convive com tantos artistas, precisa perceber que é fundamental chegar a um acordo com João Dória. Temos que fazer do Oficina um Anhangabaú da Felicidade.” 

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