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Teatro de Narradores completa 18 anos com mostra de solos

‘Cenas Insurgentes' traz uma série de quatro trabalhos que convidam a se imaginar os caminhos que podem existir no palco

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 20h10

Há três anos, o que marcava a trajetória do Teatro de Narradores era a apresentação de Retrato Calado, espetáculo criado a partir da obscura autobiografia homônima de Luiz Roberto Salinas Fortes, sobre as torturas que o escritor sofreu durante a ditadura militar.

Naquela ocasião, o grupo fundado por José Fernando de Azevedo e Teth Maiello completava 15 anos. A partir desta quinta-feira, 21, a companhia ocupa o Sesc Ipiranga com a mostra Cenas Insurgentes – Solos Para Um Coletivo

É primeira experiência do grupo em montagens que levam apenas um único ator no palco, explica Azevedo. Ele conta que o que motivou esse trabalho foram percepções nos 18 anos de estrada. “Como as individualidades influenciam o coletivo?”, questiona. “E em que medida isso pode interferir nesse coletivo?” As questões serviram de guia para os artistas que concretizaram quatro solos, apresentados um por noite. 

A peça que abre a série se chama Maneiras Trágicas de Matar Uma Mulher e reflete sobre a mulher em situação de guerra, representada pelo assassinato da figura mitológica de Polixena, princesa de Troia, pelas mãos de Neoptólemo, filho de Aquiles. A cena interpretada por Teth pretende imaginar as possibilidades de ação provocas pela decisão da princesa. 

Na segunda noite, um jogo de mentiras é conduzido por Renan Tenca Trindade. O episódio trazido em A Guerra Não Tem Ensaio retrata o episódio em que o mesmo Neoptólemo tem que mentir para roubar as armas do antigo guerreiro Filoctetes. Na cena, o grupo utiliza um dispositivo convencionado como “deslizamento”, explica o ator. “É uma forma de apresentar os diversos pontos de vista desses personagens”, que, além do jovem e do velho guerreiro, incorpora a voz de Ulisses, da tragédia de Sófocles. 

Um outro convite à imaginação se faz no terceiro solo, desta vez com Azevedo no palco. Em Estamos Todos em Perigo, ele vive um ator que conversa com o público sobre o espetáculo que ele teria acabado de apresentar. Para isso, Azevedo retoma o último discurso do cineasta Pier Paolo Pasolini antes de ser assassinado, em 1975. “É um jogo de imaginação. O que eu e a plateia podemos imaginar juntos. É uma forma de pensar dramaturgia no ato”, conta. 

O solo que encerra a série se concretiza na instalação sonora de Efeito Sala – Primeiro Movimento. “O objetivo é dar protagonismo para o som e experimentar caminhos para inscrever uma dramaturgia sonora”, conta Rafael Souza Lopes, que dirige o trabalho. “Por meio de sons concretos, como barulhos do cotidiano e sons oníricos, mais abstratos, queremos explorar como imagens podem estar atreladas a esses sons.”

CENAS INSURGENTES – SOLOS PARA UM COLETIVO. Sesc Ipiranga. R. Bom Pastor, 822, tel.: 3340-2000. 5ª e 6ª, 21h30; sáb., 19h30; dom., 18h30. R$ 6 / R$ 20. Até 21/2.

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