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Rafael Arbex | Estadão

‘Wicked’, um dos musicais mais esperados da temporada, dá os primeiros passos em São Paulo

Wicked chega a São Paulo cercado de expectativa: trata-se de um dos mais originais musicais recentes da Broadway, onde já foi visto por mais de 9 milhões de pessoas desde o início de suas apresentações, em outubro de 2003

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Ubiratan Brasil,
O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2016 | 04h00

O sorriso indestrutível da atriz Fabi Bang resumia a satisfação e a expectativa que se espalhava pela sala – na tarde de quinta-feira, 14, ela e os outros 33 atores que formam o elenco brasileiro do musical Wicked foram oficialmente apresentados, dando a largada para a produção de um dos espetáculos mais esperados da temporada nacional.

Com produção da T4F e estreia prevista para 4 de março, no Teatro Renault, Wicked chega a São Paulo cercado de expectativa. Afinal, trata-se de um dos mais originais musicais recentes da Broadway, onde já foi visto por mais de 9 milhões de pessoas desde o início de suas apresentações, em outubro de 2003. “Um fenômeno cultural”, vaticinou a revista especializada Variety.

De fato, o fascínio está em justamente tratar dos antecedentes de uma história clássica, O Mágico de Oz. Muito antes de Dorothy chegar, duas outras garotas se conheceram na Terra de Oz. Elphaba, nascida com a pele cor verde-esmeralda, é esperta, ardente e incompreendida. Glinda é bela, ambiciosa e popular. Os caminhos que levarão Elphaba a se tornar uma bruxa má e Glinda a ganhar a simpatia dos habitantes da Cidade das Esmeraldas é o fio condutor de Wicked.

“É uma história com muitos recheios, o que a torna atraente tanto para os mais jovens como também para os adultos”, disse Lisa Leguillou, codiretora da montagem original da Broadway, ao Estado há alguns meses. Ela estava na apresentação do elenco brasileiro, com o qual vai trabalhar nas próximas semanas, baseada na direção original de Joe Mantello e coreografia de Wayne Cilento.

Fabi Bang viverá Glinda, a futura fada que vai ajudar Dorothy. Trata-se de um momento especial para a atriz – há muitos anos trabalhando em musicais, ela só conseguiu um papel de destaque no ano passado, em Kiss Me Kate, no qual exercitou seu talento para o humor. “Minha oportunidade demorou para chegar, mas veio da melhor forma possível”, vibrava ela que, como Glinda, terá nova chance para a comicidade. “Essa veia cômica é um traço muito forte da minha personalidade.”

O entrosamento com Myra Ruiz, que vai viver Elphaba, será decisivo. “É um processo árduo, difícil, pesado”, acredita. “Elphaba é um dos papéis mais icônicos da Broadway, muito exigente, mas me preparei a vida inteira para enfrentá-lo, ao menos 10 anos.”

Com experiência em espetáculos como o recente Nine – Um Musical Felliniano, de Charles Möeller e Claudio Botelho, Myra revela uma forma visceral de preparação. “Eu era muito tímida quando mais jovem e agora tento aprender a ser uma pessoa mais aberta, ainda que continue reservada”, conta. “Mas Elphaba não sabe fazer isso, pois fala o que lhe vem à cabeça, o que lhe provoca muitos problemas. Durante o espetáculo, no entanto, ela percorre uma curva que a torna mais madura, apesar das dificuldades. É algo que também aprendo na minha vida.”

A versão brasileira de Wicked terá uma novidade: dois atores, Jonatas Faro e André Loddi, dividindo o papel de Fiyero, o galã que vai se transformar em espantalho. “Como não decidimos qual seria o escolhido, preferimos ficar com os dois”, explica Lisa Leguillou.

“É o primeiro galã da minha carreira, pois sempre interpreto o estranho ou o idiota, ainda que Fiyero não tenha cérebro por ser um espantalho”, diverte-se Loddi, que se destacou pelo fino humor e ótima interpretação em Como Vencer na Vida Sem Fazer Força, delicioso musical montado em 2013, mas encenado apenas no Rio. Confortável na voz e na interpretação, ele se preocupa, porém, com a dança. “Não sou bailarino, mas vou investir nisso, pois Fiyero tem números exaustivos, subindo escada e em estátua e, lá de cima, ainda solta uma nota aguda.”

Mais conhecido pelos papéis que interpreta na TV, Jonatas Faro não é novato em musicais – participou de Hairspray, em 2010. E, ao contrário de Loddi, a dança não é uma grande preocupação, apesar de não desconhecer o desafio. “A maior dificuldade em interpretar o Fiyero é manter o pique, porque ele é o único personagem que tem uma coreografia detalhada. Ele já entra numa vibe, dançando e cantando muito, assim, a dificuldade está em manter a energia alta.”

O fato de ambos dividirem o mesmo papel não preocupa os atores. “Mesmo que a gente tenha a mesma direção para interpretar – afinal, há um protocolo que determina uma única coreografia e apenas uma linha vocal a seguir –, não tem como ser igual porque somos atores diferentes. Assim, ele faz um Fiyero e eu faço outro”, comenta Faro. “Jonatas e eu fomos muito bem no teste, mas, como temos personalidades diferentes, a diretora percebeu ali duas propostas artísticas muito distintas, porém muito válidas. Daí a decisão de dividir o papel”, observa Loddi. / COLABOROU GRAZY PISACANE

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