Mauro Baptista Vedia
Mauro Baptista Vedia

Peça de Marcelo Mirisola une corpo e mente livres no Cemitério dos Automóveis

Ao lado de Nilo Oliveira, comédia traz aventuras sexuais entre amigos, com direção de Mauro Baptista Vedia

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 06h00

Depois de muitos diretores torcerem o nariz ao lerem a dramaturgia de Paisagem em Campos do Jordão, o diretor uruguaio Mauro Vedia e “sua intuição” confirmaram o interesse de montar a peça de Marcelo Mirisola, escrita a quatro mãos com Nilo Oliveira.

Em cartaz no Cemitério de Automóveis, não haveria melhor lugar para essa comédia que retrata dois amigos de longa data recordando suas memórias sexuais e as do presentes, numa narrativa capaz de por a imaginação da plateia para trabalhar. “É um mergulho na sexualidade brasileira, no que foi a Boca do Lixo e a pornochanchada no Brasil, além de ter uma certa escatologia na poesia”, aponta o diretor. 

Para Mirisola, a ideia é buscar estranhamento na plateia, no papo entre os parceiros que recordam da última visita a uma casa de swing, que terminou com a filha de um deles flagrando o pai transando com uma travesti. “Basta imaginar a conversa entre um corretor de imóveis e um advogado formado numa dessas Uniesquinas da vida, e voilà”, diz o autor. “O que esses brutamontes falam chega no limite e surpreende porque a invenção toda cabe na mesa de um boteco”, explica o diretor. “Apesar do tema, não tentamos buscar o humor em primeiro lugar, caso contrário ficaria uma comédia fraca, caricatural”, completa. 

Na segunda parte da montagem, a esposa (Patrícia Vilela) de um deles aparece e o medo de que o segredo seja descoberto atiça o casal para uma conversa franca. “Há um lado muito positivo ao discutir tabus, o formato possível dos relacionamentos e o ciúmes”, diz Vedia. 

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Além da Boca do Lixo, Mirisola conta que a Praça Roosevelt, lugar onde morou e assistiu as peças de Mario Bortolotto, diretor do espaço do Cemitério de Automóveis, é um lugar que povoa suas obras, tal qual seu último romance Como Se Me Fumasse (2017), uma mistura de ficção com memórias, que percorre a cidade de Espírito Santo do Pinhal e Florianópolis. “Assistia a três ou quatro peças diariamente, e devo ter visto todas as do Bortolotto pelo menos umas 50 vezes cada uma.” Muito embora não tenha escrito mais dramaturgias, o autor revela que guarda Mesa 5, um texto inédito.

PAISAGEM EM CAMPOS DO JORDÃO. Cemitério dos Automóveis. R. Frei Caneca, 384; 2371-5743. 4ª, 5ª, 21h. R$ 40 / R$ 20. Até 28/2.

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