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Paulo Szot já se prepara para o papel de Higgins em 'My Fair Lady'

Espetáculo estreia só é em agosto

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Ubiratan Brasil,
O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 06h00

Paulo Szot, o barítono brasileiro que faz sucesso no Metropolitan de Nova York, mantém contato constante com o diretor Jorge Takla. “Em um dos últimos telefonemas, Paulo me contou durante meia hora suas observações sobre o professor Higgins, um interessante trabalho de análise”, disse o encenador. Seria uma conversa esperada entre o protagonista e o diretor do musical My Fair Lady se o espetáculo não fosse estrear apenas no dia 25 de agosto, no novo Teatro Santander - até lá, o cantor tem antes cinco apresentações operísticas em diversas cidades do mundo.

Não se trata, porém, de ansiedade, como bem define Takla. “Desde que iniciou sua carreira, Paulo Szot não se preocupa apenas com notas musicais e encenações. Ele pesquisa a fundo a origem de seu personagem para, ao entrar no palco, apresentar uma verdade pouco vista nas encenações.”

De fato, aos 46 anos, Szot notabiliza-se no universo da música clássica pela versatilidade e por conferir um toque especial às suas interpretações. Atributos tão bem definidos que o convenceram a cometer, em 2008, o que é considerado uma heresia pelos puristas da ópera: estrelar um musical. E foi com South Pacific que ele conquistou o prêmio Tony, o Oscar do teatro americano.

“Foi nessa versatilidade que pensamos ao convidar Paulo para o My Fair Lady”, conta Stephanie Mayorkis, coordenadora dos eventos teatrais e entretenimento familiar da empresa IMM, uma das produtoras do musical. “Como se trata de um espetáculo estruturalmente clássico, sua experiência em South Pacific comprovou que ele é muito qualificado para o papel.”

Audições. Com My Fair Lady, Paulo Szot estreia como ator de musical no Brasil, o que lhe aumenta a responsabilidade. “O papel do professor Higgins é desconhecido para mim, que só o conheço como espectador”, conta ele ao Estado desde a Malásia, onde fará duas semanas de concertos. “Mas sei de sua importância, pois o tom do personagem é o que muitas vezes acaba influenciando o resto do elenco.”

De fato, com Szot definido no papel principal, Stephanie e Takla promoveram audições na semana passada para escolher a melhor intérprete de Eliza, a mulher de poucos recursos sociais que será transformada em uma dama por Higgins. “Avaliamos candidatas que variavam de 19 a 40 anos”, conta Takla, que já dirigiu uma elogiada montagem nacional de My Fair Lady, em 2007. “Buscamos uma soprano com qualidades e que não tenha medo de ‘estragar’ a voz principalmente nos momentos em que Eliza canta mal.”

A protagonista deverá ser anunciada ainda nesta semana e, definido o elenco, os ensaios só começarão no final deste semestre - é que, assim como Szot, Takla também tem a agenda lotada até maio, com a direção de três óperas. My Fair Lady vai suceder We Will Rock You, musical inspirado na banda Queen e que vai inaugurar o Teatro Santander no início de março.

Dicção do cantor é necessária ao papel

Paulo Szot não fará uma complicada transição do South Pacific para My Fair Lady, no entender do diretor Jorge Takla. “São dois musicais dos anos 1950, ou seja, época em que os espetáculos tinham muita influência das operetas e, portanto, traziam papéis ótimos para cantores clássicos”, explica.

Na verdade, quando foi convidado, Szot se entusiasmou, mas questionou o diretor sobre as raras canções de seu personagem, professor Higgins. “Eu temia que seria como no cinema, em que o protagonista mais declama a letra que canta”, comenta o barítono, satisfeito ao ouvir de Takla que terá muitas canções.

Em South Pacific, Szot viveu Emile de Becque, que lhe impôs desafios. “Considero um papel talhado para um cantor de ópera, pois oferece uma linha dramática muito rica - como se trata de um personagem romântico, ele passa por vários estágios de sentimentos, como drama, raiva, conforto, desconforto, além de humor”, conta. “Como Higgins, acredito que a combinação encenação e cantoria terá de ser bem balanceada.”

Takla acredita que o barítono terá facilidade para enfrentar uma das principais dificuldades do papel: a dicção. “Higgins é o homem que quer ensinar Eliza a falar perfeitamente bem, o que exige um intérprete com a mesma qualidade”, observa. “E Szot sempre se destacou pela fala perfeita, por pronunciar todas as sílabas corretamente.”

Antes de iniciar os ensaios do musical, o barítono tem apresentações em Marselha, na França, Nova York e Pittsburgh, nos EUA, e, já no Brasil, em Belo Horizonte e São Paulo.

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