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Cultura

Palhaço

'O Palhaço e a Bailarina' é um musical dedicado ao público infantil

Não se trata, porém, de um espetáculo modesto

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Ubiratan Brasil,
O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2016 | 05h00

Quando surgiu a primeira caixinha de música que traz uma bailarina dançando? Quem teve a ideia de aprisionar a pobre moça, cujos raros momentos de liberdade só acontecem quando é obrigada a dançar? Foi a partir dessa reflexão em torno de um objeto decorativo, nascida durante uma conversa informal, que os atores Kiara Sasso e Lázaro Menezes tiveram a ideia de criar um espetáculo infantil.

“Inicialmente, pensamos em algo simples, com produção modesta”, conta Kiara. “Mas, à medida em que surgiam mais ideias, a empolgação cresceu, o projeto também, até chegarmos em um musical.” O resultado de tamanho entusiasmo é o espetáculo O Palhaço e a Bailarina, que estreia na tarde do próximo sábado, dia 27, no Teatro Porto Seguro.

Não se trata, de fato, de um espetáculo modesto - para reproduzir uma caixinha de música que abriga a bailarina, Kiara e Lázaro criaram uma enorme caixa, que se abre por meio de um potente maquinário. Lá, para maravilha das crianças (e, certamente, de muitos adultos), será possível ver onde vive trancafiada a pobre coitada.

Kiara vive Anabel, a graciosa bailarina que, depois de sérios problemas acontecidos no circo onde trabalha, é condenada a viver dentro da caixinha de música, onde passa o dia e a noite acorrentada. Ela só aparece quando a tampa é aberta por Tombo (Marcelo Goes), o antigo administrador do circo, também um carrasco e fracassado domador de leões, que a colocou ali e a transformou na estrela de espetáculos assistidos por pequenos públicos, artimanha criada por ele para faturar algum dinheiro.

O sumiço da bailarina agitou a vida do Palhaço, vivido por Lázaro Menezes, que, em meio a apresentações em praças e ruas, busca descobrir o paradeiro de sua amada. Depois de participar de muitas peripécias, ele finalmente reencontra sua amada. “Queremos mostrar a importância da liberdade para a criança”, conta Lázaro que, além de palhaço profissional, é multi instrumentista. “Quando Anabel consegue se livrar da prisão, ela decide perdoar Tombo, que tinha ficado preso em seu lugar. Pretendemos, assim, aguçar os bons sentimentos.”

Kiara e Lázaro conseguiram realizar seu sonho musical em um tempo relativamente curto, quando hoje se avalia o tamanho da empreitada. Apesar de a ideia do espetáculo ter nascido há alguns anos, eles decidiram ir para a prática em julho do ano passado, quando rascunharam o texto, e, depois de optarem por um projeto mais arrojado, a dupla foi à luta por investimentos.

“Entramos no crowdfunding, o financiamento coletivo na internet, e logo conseguimos o primeiro objetivo, que era arrecadar R$ 20 mil”, conta Kiara, cuja carreira no teatro musical brasileiro é uma das mais bem sucedidas - protagonizou, entre outros, os espetáculos A Noviça Rebelde, A Bela e a Fera, O Fantasma da Ópera, Mamma Mia!, e Miss Saigon. “Quando a produção do Teatro Porto Seguro decidiu entrar no projeto, decidimos não frear nossas ambições.”

O cuidado é perceptível nos detalhes, desde o figurino colorido baseado no branco de Ligia Rocha até a cenografia de Lázaro e sua gigantesca caixinha musical, estrutura que se divide em quatro partes e que, quando aberta, revela os mimos do quarto de uma menina. 

Ele também cuidou da concepção do texto. Desde o início, a meta era mostrar a importância de se preservar a liberdade em todos seus estados. “Ao mesmo tempo, pretendi também mostrar como as pessoas podem evitar o comodismo. Aliás, essa é a filosofia do palhaço: quando ele bate a cabeça em uma porta, é um ato engraçado, mas ele está mostrando que, enquanto a indicação é seguir para um lado, ele prefere ir para o outro.”

O ator observa que seu personagem não age tanto pela inteligência, por ser mais emotivo. “Para mim, a essência do Palhaço está no ser, o palhaço é um ser, embora na história ele esteja representado como um personagem.”

Já Kiara cuidou da criação das letras das canções, marcadas por um lirismo e uma ponta de melancolia. E a melodia, além da assinatura do casal de atores, tem também a de Adrian Steinway. “Os músicos farão parte do espetáculo, com figurino próprio e, em muitas cenas, com ação ativa”, explica a atriz.

A experiência de cuidar de todas as etapas da produção revelou-se enriquecedora para Kiara. “É fascinante - ao mesmo tempo que dá um certo medo - ter o controle total da criação. Mas eu precisava passar por esse momento que, por ser demorado, me fez recusar a proposta de participar de três musicais”, confessa.

Kiara e Lázaro nem bem estrearam seu primeiro trabalho juntos e já planejam outros três projetos. “Estamos negociando os direitos autorais”, conta a atriz que, sonhadora nata, vê a possibilidade de O Palhaço e a Bailarina chegar a lugares privilegiados. “Os responsáveis pela dramaturgia dos estúdios Disney deverão assistir ao espetáculo. Quem sabe não podemos chegar à Broadway?”

O PALHAÇO E A BAILARINA

Teatro Porto Seguro

Al. Barão de Piracicaba, 740. 

Tel.: 4003-1212. Sáb. e dom. 15h. 

R$30 / R$50. Estreia 27/2. Até 15/5

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