Cosmo Anastasi
Cosmo Anastasi

Livro e peça bilíngue debatem libras no palco

Diferentemente da tradução simultânea para surdos, espetáculo tem ator-intérprete na cena em português e sinais

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2018 | 06h00

No Brasil, São Paulo é a cidade que tem relativa oferta de espetáculos com recursos de acessibilidade. Se a adaptação de prédios garante o acesso às salas, para cadeirantes, é função da tradução simultânea para surdos, ou da audiodescrição, para deficientes visuais, oferecer o mergulho na obra apresentada.

Mesmo assim, há barreiras que o ator e autor Wesley Leal deseja eliminar. Nesta terça-feira, dia 9, ele lança o livro Dança-Teatro e a Libras, pela Editora Giostri. Libras significa Língua Brasileira de Sinais. 

Na mesma noite, também estreia O Resto É Silêncio, espetáculo bilíngue (português e libras) que traz Leal ao lado de Rafael Anastasi. “Durante a criação, o objetivo era trazer a linguagem de sinais ao centro do palco, de modo que fosse uma fonte criativa nas cenas, mais que apenas utilizar sua função de traduzir”, conta Leal.  

+ Peças ganham um novo público com serviços de acessibilidade

Na peça, um jovem surdo narra seu sonho de ouvir os fogos de artifício no ano-novo. A saga passa por uma cirurgia e diversas barreiras. “A comunicação é a principal delas. Seja na família, com os amigos e na escola. Ainda é comum ser incompreendido.” A cada ensaio, a dupla dirigida por Sabrina Caires recebia surdos para obter retorno sobre a clareza da comunicação na cena. “Embora sejamos intérpretes, precisamos checar o gestual correto em diversos casos e a fusão dele no palco. Por outro lado, o espetáculo é bilíngue, então a preocupação foi não segregar, criando, por exemplo, uma peça apenas para surdos. Nesse caso, a música, com sua vibração, também percebida pelos surdos, une todos.”

O resultado, conta Leal, é uma peça bastante visual, sem tanto apelo ao texto, formato que ainda motiva a maioria das montagens em cartaz no Brasil. 

Sem negar a importância dos intérpretes que ficam ao lado dos palcos, em peças tradicionais, ele diz que a experiência nem sempre é estimulante. “No geral, o que acontece é você assistir a um tradutor, enquanto tenta ver alguma cena ou outra. Ainda faltam produções culturais na cidade que pensem nesse público e como se comunicar com ele”, acrescenta.

DANÇA –TEATRO E A LIBRAS. Autor: Wesley Leal. Editora: Giostri (120 págs., R$ 38)

O RESTO É SILÊNCIO. Espaço Parlapatões.  Praça Roosevelt, 158. Tel.: 3258-4449. 3ª, 21h. R$ 40 / R$ 20. Até 30/1. Estreia 3ª (9). 

Mais conteúdo sobre:
Libras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.