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Fábio Motta|Estadão

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Letícia Sabatella mostra lado cantora enquanto se prepara para gravar nova novela das 23h

A atriz e cantora está em cartaz no teatro Itália com o show 'Caravana Tonteria'

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Adriana Del Ré,
O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2016 | 05h00

A fala delicada de Letícia Sabatella ludibria os desavisados. Quando ela sobe ao palco para cantar, sua força vocal - de soprano - impressiona. Sua interpretação, por exemplo, de Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, já se tornou obrigatória quando ela se apresenta como cantora. Sim, Letícia, mais conhecida como atriz de televisão, teatro e cinema, também canta. E bem. Essa sua faceta ganha protagonismo no espetáculo Caravana Tonteria, que faz curta temporada, aos sábados e domingos, no Teatro Itália, em São Paulo, até 28 de fevereiro. 

Letícia deixa claro: trata-se de um show. Seu lado atriz até se espreita, dando contornos mais performáticos à intérprete, mas é a Letícia cantora que impera. Ela integra um quarteto, formado ainda por seu marido, o ator e multi-instrumentista Fernando Alves Pinto (serrote, trompete, violão e voz) e pelos músicos Paulo Braga (piano) e Zéli Silva (contrabaixo). Criado há dois anos e com uma atmosfera de cabaré, Caravana Tonteria já foi apresentado em São Paulo em outras ocasiões, mesclando no repertório composições da própria Letícia com canções de Chico Buarque - Geni e o Zepelim, claro, está bem preservada no set list - Duke Ellington, Carlos Gardel, entre tantos outros. Mas, desta vez, o show conta com a direção artística de Arrigo Barnabé. 

“Experimentamos muita coisa, e é interessante o que conseguimos com essa dinâmica, mas agora era hora de vir um supermestre do teatro, da música, que é Arrigo Barnabé”, afirma Letícia, em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio. “Ele tem sugerido coisas para trabalharmos, inserirmos, algumas coisas voltarem.” Arrigo brinca que pegou a caravana andando. E elogia a atriz: “Ela canta muito bem”. Arrigo conta que conheceu esse talento de Letícia quando ela participou de seu programa de rádio, Supertônica, e cantou. “Já vi que ela tinha um domínio grande do material vocal”, diz o músico, cuja atuação em Caravana Tonteria está em processo. 

O canto cunhou a formação de Letícia Sabatella como artista, assim como o teatro, o balé e a ópera. “Canto é de mãe, que a gente aprende. No meu caso, vó e mãe. Meu pai também cantava comigo. Desde pequena. Cantar era praxe”, lembra a atriz mineira de 43 anos. “Eu cresci ouvindo ópera, fazendo coro de ópera. Ópera era algo muito familiar. Foi tudo misturado, mas a música é primordial, você começa cantando no colo da mãe”, completa. 

Ela também canta no filme Chatô - O Rei do Brasil, dirigido por Guilherme Fontes. Isso 20 anos atrás. O filme foi lançado só no ano passado - e estará disponível no Netflix a partir de fevereiro. Aliás, como foi, para ela, se ver em uma produção rodada há tanto tempo? “Não me gosto no filme Chatô”, confessa ela. “Acho meu personagem ruim, eu não gosto, não, mas o filme é bom.” No longa, ela vive Maria Eudóxia, uma das mulheres do magnata das comunicações Assis Chateaubriand (papel de Marco Ricca). “Eu estava torcendo muito para o filme sair, eu sabia que ia ser bom, que tinha boa intenção. Tudo tinha uma excelência de qualidade. Guilherme fez um filme ousado, à la Chatô. Ele entrou nesse espírito e ousou.”

Tiradentes. Na televisão, Letícia Sabatella foi cogitada para integrar o elenco de Velho Chico, próxima novela das 9 da Globo, de Benedito Ruy Barbosa, mas, segundo ela, por problemas de agenda, não pôde assumir o papel de protagonista, que ficou com Camila Pitanga. Mas a atriz se prepara para gravar cenas de sua personagem na próxima novela das 11, Liberdade, Liberdade, que tem início no período da Inconfidência Mineira. Com direção de Vinícius Coimbra, a produção deve estrear em abril. Ela fará Antonia, mulher de Tiradentes (Thiago Lacerda) e mãe de Joaquina (Andreia Horta). “Fizemos leituras e preparação com fonoaudiólogo”, conta ela, que está rodando o País, ao lado das atrizes Denise Del Vecchio e Miwa Yanagizawa, com a peça Trágica.3, uma releitura das tragédias gregas Medeia, Electra e Antígona. 

Ela pode ser vista ainda na novela Caminho das Índias (2009), de Gloria Perez, reexibida nas tardes da Globo, no Vale a Pena Ver de Novo, como a psicopata Yvone. “Gloria escreveu brilhantemente uma vilã, que vivia aprontando, inventando. Peguei na mão dela e ela me levou para aprender o que era um psicopata. Foi assustador para mim no começo.” 

Letícia é conhecida também por seu engajamento. Em outubro do ano passado, ele aderiu ao movimento #PrimeiroAssédio, do coletivo feminista Think Olga. E, assim como muitas mulheres, revelou no Facebook a sua história: ela foi assediada aos 12 anos. “Foi uma conversa que tive com minhas amigas do balé também logo em seguida do evento, e já havia acontecido algo parecido com quase todas”, conta. “Às vezes, você fica com complexo de culpa depois de algo semelhante e fica uma coisa silenciosa.”

A atriz já se manifestou publicamente ainda em relação a questões indígenas, à transposição do Rio São Francisco, entre outros temas. O que move a atriz a abraçar uma causa? “O amor pelo ser humano”, responde Letícia. “Pela vida, pelo modo de vida mais integrado, equilibrado com a natureza, mais próximo de valores, mais igualitário também.”

CARAVANA TONTERIA

Teatro Itália. Av. Ipiranga, 344, Edifício Itália, tel. 3255-1979. Sáb., às 21h; dom., às 19h. R$ 80 (sáb.) e R$ 70 (dom.). Até 28/2

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