Leekyung Kim/Divulgação
Leekyung Kim/Divulgação

Inteligência artificial intriga cientistas em ‘O Teste de Turing'

Peça retoma ideia do ‘pai da computação’ de provar a capacidade de uma máquina simular o pensamento humano

Leandro Nunes, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2016 | 04h00

No panteão dos cientistas contemporâneos, o britânico Stephen Hawking é um dos que já alertaram que o desenvolvimento de máquinas pensantes pode destruir a raça humana. O principal motivo é que esses sistemas poderiam se reprojetar em ritmo frequente. Diferentemente de nós, os seres humanos, dada a evolução biológica lenta. Isso não quer dizer que somos inferiores. 

O cérebro humano é uma estrutura fascinante e, atualmente, é capaz de desbancar qualquer grande computador. Será? Esse é um dos questionamentos de O Teste de Turing, que estreia nesta sexta-feira, dia 15, no Centro Cultural São Paulo. 

O texto de Paulo Santoro recupera parte do legado do cientista britânico Alan Turing (1912-1954), responsável, entre outras coisas, por criar a Bombe, uma máquina capaz de desvendar as mensagens criptografadas da frota naval alemã, durante a Segunda Guerra Mundial. Na peça, o foco é no chamado Teste de Turing, um tratado sobre o desenvolvimento do conceito da inteligência exibida em mecanismos ou softwares. “Ele queria tentar provar que uma máquina poderia manifestar pensamentos similares ao do ser humano”, conta o dramaturgo. 

No espetáculo dirigido por Eric Lenate, o esquema do teste é reproduzido no palco: três cientistas são convidados a testar uma máquina desenvolvida por uma empresa de tecnologia. Os atores estão fora do palco e conectados por meio de câmeras, vividos por Jorge Emil, Rodrigo Fregnan, Felipe Ramos. Suas imagens são projetadas em um telão, enquanto conversam com Gabriela (Maria Manoella), uma suposta funcionária da empresa. Os cientistas vão dialogar com a máquina e entre si para concluir, pelas respostas dadas, quem é humano e o que é máquina. “Existe um clima de vigilância”, afirma também o diretor. “Eles também estão sendo avaliados.” 

Antes do procedimento começar, um dos cientistas desafia os colegas: “E se nós afirmássemos para a máquina que aquele homem é um touro?”, diz ao sugerir a comparação da força de um sujeito com o vigor físico do animal. “Ela seria capaz de compreender metáforas e comparações?”, questionam. A conversa envereda para uma livre divagação pelas ciências exatas, humanas e da comunicação. O trio está cético e julga que a máquina não estará qualificada para tal demanda. 

Se no poema de Fernando Pessoa, “o poeta é um fingidor...”, quem sabe, fingir também não faça do computador um poeta?

O TESTE DE TURING. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000. Tel.: 3397-4002. 6ª, sáb. 21h; Dom., 20h. R$ 10. 

Estreia 15/7.  Até 7/8. 

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