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'Estado' acompanha o ensaio do musical 'Wicked'

- Atualizado: 22 Fevereiro 2016 | 16h 54

Musical, que estreia em março, fala sobre a origem das bruxas de Oz

A mágica surge depois de 50 minutos, quando a atriz Myra Ruiz tem seu rosto completamente maquiado de verde. Com o figurino já vestido, ela assume o papel de Elphaba, a menina que, depois de lamentar a destruição dos sonhos, se transforma em uma bruxa. O rosto verde de Myra está espalhado em espaços publicitários pela cidade, anunciando a chegada do musical Wicked, que estreia dia 4 de março no teatro Renault, um mês repleto de novidades.

É um espetáculo há muito aguardado - fãs acompanham ansiosos as novidades que surgem a conta-gotas nas redes sociais. Tamanha expectativa se justifica pela importância de Wicked, um dos mais bem-sucedidos musicais recentes da Broadway, onde estreou em 2003. Visto por mais de 48 milhões de pessoas no mundo e com um faturamento superior a US$ 3,9 bilhões, Wicked tem atualmente cinco produções ao redor do planeta - Nova York, Londres, Austrália, uma turnê no Reino Unido e uma turnê nos EUA.

O motivo de tanto interesse está na trama, inspirada no romance do mesmo nome, publicado em 1995, por Gregory Maguire. Fã do livro e do musical O Mágico de Oz, ele se interessou em saber o que se passava na terra mágica antes da chegada da garotinha Dorothy. Assim, a história se concentra em duas meninas que acidentalmente cruzaram seus caminhos: uma bonita e popular e a outra, esperta e... verde-esmeralda. A primeira se transforma em Glinda, a fada boa, e a amiga, em Elphaba, a Bruxa Má do Oeste.

“São duas moças muito diferentes, mas uma necessita da outra para evoluir - a história gira em torno da relação entre elas”, reconhece Fabi Bang, que vive Glinda. “E elas passam por tantas transformações que, no final do espetáculo, já são duas mulheres amadurecidas”, completa Myra.

Produção. Cenário é o maior da história do musical
Produção. Cenário é o maior da história do musical

O Estado acompanhou a preparação das atrizes antes do ensaio de quarta-feira, 17. Enquanto Myra ganhava camadas de maquiagem verde, Fabi completava os retoques em torno dos olhos. “O entrosamento entre elas é essencial para o espetáculo”, atesta a americana Lisa Leguillou, codiretora da montagem original da Broadway e agora responsável pelas versões montadas ao redor do mundo. “A peça fala de tolerância e a trajetória tortuosa de Glinda e Elphaba aponta para isso.”

Lisa está há dois meses em São Paulo, comandando seis dias de ensaio por semana. De origem porto-riquenha, tem fluência na língua espanhola, o que facilita um pouco o entendimento com os 34 atores. “Sem querer agradar, confesso estar muito bem impressionada com o elenco e a equipe técnica daqui. Wicked só funciona se existir uma dedicação apaixonada. E esse sentimento eu encontrei em São Paulo.”

Myra e Fabi relembram o início do trabalho com Lisa. “Ela detalhou todos os personagens, mostrando como cada um sofria modificações ao longo da história”, observou Fabi, que aproveitou para falar sobre Glinda, personagem no qual conseguiu colocar preciosos toques de humor. “Minha primeira impressão era de uma pessoa concentrada, com falas pausadas, mas logo descobri que era uma estabanada. Glinda é a mocinha que faz coisas erradas, mesmo se julgando uma pessoa perfeita - nem percebe que é ligeiramente corcunda. Mas é uma mulher nobre, pois reconhece os próprios erros.”

Fabi Bang e Myra Ruiz
Fabi Bang e Myra Ruiz

Já com o rosto inteiramente maquiado, Myra aproveita a deixa para falar sobre Elphaba e os segredos que a levam a se tornar uma bruxa má. “Ela é forte, mas não passa de uma menina - seu grande desejo é conhecer o mágico de Oz. Ao final do primeiro ato, quando descobre que nenhum de seus sonhos se realizou, Elphaba tenta acertar seu caminho, mas suas tentativas de fazer o certo dão errado e ela se firma como uma bruxa.”

As duas se divertem com a expectativa dos fãs. “Muitos pedem que postemos no Facebook determinadas cenas com canções que eles amam”, conta Fabi. “Na Broadway, as personagens são tão queridas que as atrizes eram obrigadas a ter segurança pessoal”, completa Myra.

Despertar a paixão pelo personagem é também a intenção de Jonatas Faro, que divide com André Loddi a tarefa de interpretar Fiyero - a montagem brasileira é a primeira no mundo a ter dois atores que se alternarão no papel. “Eles se revelaram tão diferentes, mas tão complementares que decidi escalar os dois”, conta Lisa. “Isso ajuda também ao resto do elenco, especialmente as atrizes principais, a não se acomodarem, pois cada um oferece um tipo diferente de exigência em cena.”

Assim como Myra e Fabi, Jonatas e André compartilham a experiência da criação do personagem. “Percebo detalhes na forma de ele atuar que podem me ajudar e André faz o mesmo”, conta Jonatas, conhecido pelo detalhismo com que cria o perfil de seu personagem. “Há um determinado passo em uma coreografia que eu não conseguia acertar. Passei a madrugada ensaiando até exibir no dia seguinte, com perfeição”, orgulha-se ele que, em particular, dá notas para o próprio rendimento nos ensaios.

O ator conta, aliás, que o primeiro número de Fiyero exige um potencial atlético. “Não bastasse uma coreografia exigente, as notas musicais são altas e é preciso segurá-las durante um bom tempo.”

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O espetáculo de Pedro Brício estrelou com o ator Ícaro Silva

O trabalho de construção do elenco é acompanhado de perto por Rachel Ripani, que atua como diretora residente, ou seja, é a assistente direta de Lisa Leguillou. “Ela sempre buscou a verdade na atuação, evitando os maneirismos do musical”, conta ela, revelando os toques nacionais que serão vistos na montagem: uma inevitável cena com samba e uma brincadeira com beijinho no ombro.

Rachel conta ainda detalhes da produção. “São Paulo terá o maior cenário da história de Wicked por causa do tamanho do teatro Renault. Também os mais de 600 figurinos foram confeccionados à mão.” 

WICKED

Teatro Renault.

Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 411. Tel.: 4003-5588. 

5ª e 6ª, 21h. Sáb., 16h e 21h. Dom., 15h e 20h. R$ 50 / 

R$ 280. Estreia 4/3. Até 31/7

Temporada terá nove estreias de musicais em SP

A Time For Fun (T4F), produtora de Wicked, foi a primeira a consagrar o mês de março como ideal para a estreia de musicais. A data coincide com a passagem do carnaval, época em que a temporada teatral floresce. Neste ano, porém, a risca foi levada à sério demais e, a partir do dia 27 de fevereiro, São Paulo vai receber nove novas produções, a maioria inédita.

A temporada começa com um apaixonado projeto de Kiara Sasso, grande atriz do musical brasileiro, e Lázaro Menezes, multiartista: O Palhaço e a Bailarina, espetáculo infantil com uma arrojada produção.

No mesmo dia, chega Estúpido Cupido, vindo do Rio de Janeiro e que comemora os 50 anos de carreira da atriz Françoise Forton. A referência é a novela que ela protagonizou nos anos 1970, mas a história é atual, pontuada por 20 canções.

Depois de Wicked estrear em 4 de março, será a vez, no dia seguinte, de Meu Amigo Charlie Brown, a esperada montagem que vai trazer Tiago Abravanel no papel do emblemático cachorrinho Snoopy.

Cinderella, majestoso musical de Rodgers & Hammerstein que terá a sempre competente direção de Charles Möeller e Claudio Botelho, será um dos três espetáculos que deverão estrear no dia 11 de março.

A lista prossegue com o divertido Ou Tudo Ou Nada, que cumpriu temporada de sucesso no Rio ao apresentar os trabalhadores desempregados que aceitam fazer strip-tease para ganhar dinheiro. E se completa com O Musical Mamonas, terna lembrança dirigida por José Possi Neto sobre o grupo anárquico que morreu precocemente há exatos 20 anos. 

No dia 18, será a vez de outro nome marcante da música: Gilberto Gil - Aquele Abraço, que pretende prestar uma homenagem à obra de um dos grandes nomes da história da MPB.

Finalmente, no dia 24 de março, estreia a fabulosa homenagem ao Queen, um dos reis do rock, We Will Rock You, espetáculo que vai ainda estrear uma nova casa teatral em São Paulo, o teatro Santander.

Será apenas o início de uma temporada que, apesar da crise, promete ser promissora - no final de maio, será a vez Gabriela, o Musical, inspirado na obra de Jorge Amado e com direção de João Falcão; e, em 25 de agosto, chega a nova versão de My Fair Lady, com a assinatura de Jorge Takla e Paulo Szot no papel principal. 

MARÇO O MÊS DO MUSICAL

Estúpido Cupido 

27 de fevereiro, Teatro Gazeta

O Palhaço e a Bailarina 

27 de fevereiro, Teatro Porto Seguro

Wicked 

4 de março, Teatro Renault

Meu Amigo Charlie Brown 

5 de março, Teatro Frei Caneca

Cinderella 

11 de março, Teatro Alfa

Ou Tudo Ou Nada 

11 de março,Theatro NET SP

O Musical Mamonas 

11 de março, Teatro Raul Cortez

Gilberto Gil - Aquele Abraço 

18 de março, Teatro Procópio Ferreira

We Will Rock You 

24 de março, Teatro Santander

 

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