Assine o Estadão
assine

Cultura

Pimentinha

Em 'Rabisco', Laila Garin faz show com toque intimista

Consagrada em 'Elis – A Musical', ela faz apresentação experimental

0

Ubiratan Brasil,
O Estado de S.Paulo

08 Março 2016 | 05h00

O estrondoso sucesso de Elis – A Musical gerou uma montanha de convites para a atriz Laila Garin, que interpretava a Pimentinha com raro apuro cênico e vocal, seguir carreira como cantora. “Empresários me ofereciam a oportunidade de protagonizar shows enormes, como se eu já estivesse pronta para cantar profissionalmente”, conta ela. “Recusei todos, pois queria continuar minha formação no meu próprio ritmo.”

E o primeiro passo nesse trabalho de evolução criativa é o show Rabisco, que Laila apresenta apenas hoje, no Teatro Porto Seguro, como parte da programação do Dia da Mulher. Ali, ela está à vontade em sua experimentação. “O espetáculo nasceu despretensiosamente no ano passado, no Beco das Garrafas, no Rio, onde cabiam no máximo 80 espectadores”, conta. “Eu queria um espaço íntimo, com a proximidade da plateia.” E o que seria apenas um punhado de apresentações se transformou em um sucesso de dois meses, com muitas pessoas voltando para casa sem ter conseguido ingresso.

Rabisco é fruto da colaboração constante entre Laila e os músicos Ricco Viana (guitarra e violão), Rick De La Torre (bateria) e, agora também, Marcello Müller (baixista), que formam a banda A Roda. “Como era uma fase de experimentação, mudávamos a ordem das músicas, além de acrescentar novas, sempre à espera da reação do público”, conta ela, que descobre agora a diferença que é cantar sem estar a serviço de uma dramaturgia.

O repertório inclui os compositores da nova geração Dani Black (Sonhos Pintados), Moyseis Marques (Juntando Cacos), Renato Luciano (Vamos Batucar e Flor da Ilusão) e Juliano de Holanda (Não Me Deixe) e releituras de sucessos como Se Eu Quiser Falar Com Deus (Gilberto Gil), Canteiros (Cecilia Meireles/Fagner), Aguenta Coração (Ed Wilson/Paulo Sérgio Valle), Zumbi (Jorge Ben Jor), entre outras. Em referência à sua origem francesa, Laila interpreta ainda L’Accordeoniste (Michel Emer), sucesso na voz de Edith Piaf e Marlene, do grupo de rock francês Noir Désir.

O ecletismo de Rabisco é a chave de seu sucesso e isso acontece graças ao entrosamento entre Laila e os músicos. “Os arranjos são originais e coletivos, pois gostamos de testar sonoridades”, explica ela, que conheceu os músicos quando trabalharam juntos com o diretor João Falcão no musical Eu Te Amo Mesmo Assim, em 2010. Foi o início de novas parcerias. O produtor musical Ricco Viana convidou Laila Garin e Rick De La Torre para gravar a trilha sonora do seriado Clandestinos, da TV Globo, em 2011. Laila e Rick integraram o elenco do premiado musical Gonzagão, a Lenda (2013). E Marcelo Müller fazia a turnê de Clarice Falcão ao lado de Ricco Viana quando foi convidado para integrar a banda A Roda.

Laila conta ter recebido também uma influência decisiva de Ney Matogrosso. “Como está acostumado a misturar músicas muito distintas em um único repertório, ele me incentivou a fazer o mesmo. Por isso, tomei coragem e juntei, em uma mesma lista de canções, trechos de ópera e samba de roda da Bahia.”

Gota D’Água. Laila pretende realizar uma temporada, ainda que pequena, do show em São Paulo. Mas só poderá fazer depois maio, pois, no dia 5 daquele mês, ela estreia uma versão para dois atores de Gota D’Água, clássico musical de Chico Buarque. A direção será do talentoso Rafael Gomes, que assina a montagem de Um Bonde Chamado Desejo, em cartaz em São Paulo. “E não usaremos apenas as canções do Gota, mas também outras criadas pelo Chico”, conta ela, que estreia no Rio.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Elementos da Beleza

A instalação da artista Carla Zaccagnini aborda a luta das ativistas pelo direito de votar na Inglaterra. Em cartaz até 13/3, no Masp (Av. Paulista, 1.578). Das 10h às 18h. R$ 25 (3ª grátis).

De/generadas

O projeto do Sesc Santana (Av. Luiz Dummont Villares, 579) tem ampla programação. Na quarta, às 20h, a filósofa Márcia Tiburi participa de debate com Débora Baldin e Manoela Miklos sobre ativismo. Grátis. 

Mulheres Paulistas

A Fundação Ema Klabin (R. Portugal, 43) realiza nesta terça visita temática pelo acervo de sua fundação. Será às 14h30 e 16h30, com entrada franca. 

Maya Deren

Nome importante da vanguarda dos EUA nos anos 1940, a cineasta ganha mostra de seus filmes na Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94). Também será exibido documentário sobre a sua carreira. 3ª, 20h; 4ª, 22h30; 6ª, 23h59. Grátis. Até 24/3. 

Sophisticated Ladies

Concerto será realizado no Museu da Casa Brasileira (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705) e terá, no dia 13, às 11h, a Orquestra Pinheiros com as cantoras Cinthia Zaccarioto, Rita Valente, Cris Cabianca e Catarina Marrese, sob regência de Murilo Alvarenga. Grátis. 

Helena Bohan Carter

Homenagem à atriz britânica, que comemora seus 50 anos. Haverá a exibição de alguns filmes estrelados por ela. Será no MIS (Av. Europa, 158), a partir de 18h. R$ 4. 

Amigos

Angela Maria e Cauby Peixoto apresentam o show 120 Anos de Música, no Teatro Bradesco (R. Palestra Itália, 500). Hoje (8), às 21h. R$ 5/ R$ 180.

RABISCO

Teatro Porto Seguro. 

Al. Barão de Piracicaba, 740. 

Tel.: 3226-7300. R$ 50 / R$ 80. Terça (8), 21h

Comentários