AMANDA PEROBELLI/ESTADAO
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Detido em Brasília, Maikon Kempinski chega em SP com 'DNA de Dan'

Acusado de ato obsceno, o artista fala da prisão enquanto apresentava a performance no Museu Nacional da República

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 20h14

A bolha de plástico que foi feita artesanalmente para a performance DNA de Dan, encenada neste sábado e domingo, 12 e 13, no Sesc Belenzinho é totalmente nova. A anterior foi destruída na ação da Polícia Militar que levou detido o performer Maikon Kempinski durante sua apresentação no Museu Nacional da República, em Brasília.

Ele lembra que havia se preparado no dia 15 do mês passado, como habitual, no projeto que integra a programação do Palco Giratório, do Sesc. Sobre seu corpo nu é depositada uma mistura a base de gelatina que seca totalmente em um período de três horas.

Nesse tempo, Kempinski fica imóvel, com respiração baixa para que a substância não se rompa com o movimentos do diafragma. “Faz parte de uma pesquisa sobre o xamanismo como criador de realidades. Nesse caso, busco o arquétipo da serpente, tida por muitas culturas como fundador da vida. Uma compreensão que surgiu antes mesmo que a ciência descobrisse que a forma do DNA possui silhueta semelhante a serpentes entrelaçadas”, conta.

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Abrigado por essa bolha translúcida, o performer coberto pela gosma acaba criando uma experiência futurista, quase alienígena. “O nu nem é uma discussão. É só um recurso para mostrar que estou despido de qualquer cultura. Não há conotação sexual.” 

Nada disso bastou para que a PM abordasse a produção sob a acusação de que “havia um homem pelado na praça.” O performer lembra que em outras cidades, a polícia também havia questionado os responsáveis, mas que após explicar que se tratava de uma obra artística, a performance não foi interrompida. “Em Brasília, a polícia rompeu a bolha e avisou que iria me prender ali mesmo.”

Na delegacia, o artista assinou um termo circunstanciado e foi liberado, mas deve responder por ato obsceno enquanto conta com o apoio da a assessoria jurídica do Sesc. Em nota, a instituição lamentou o ocorrido: “O Sesc reafirma sua missão de atuar na democratização da cultura”, informou.

Dias depois, o artista recebeu uma ligação do secretário de cultura da cidade Guilherme Reis e do governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg. Ainda em nota, “o governo acredita, apoia e incentiva a livre manifestação artística.” Kempinski afirma que pediu para terminar o trabalho que foi interrompido. “Vou voltar com muito entusiasmo mas com um pouco de medo também, ao lembrar tudo o que aconteceu.” Procurado pelo Festival Cena Contemporânea, o artista vai reapresentar DNA de Dan, no dia 2 de setembro, às 15h, dentro da programação e no mesmo espaço, na praça do Museu Nacional.

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